Thaís passou o dia todo no trabalho inquieta, chamando a atenção de Érika.
"O que está pegando?" perguntou Érika.
"Nada", respondeu Thaís, tentando desviar o olhar.
"Fala a verdade, tá rolando algo com você."
"Não, mas me responde? como você pode gostar da Lidiane, ela é insuportável?"
"Ela não é não, é que você não gosta dela. Eu achei que vocês já tinham dado uma trégua."
"Eu tinha até ontem à noite."
Thaís percebeu que falou demais.
"Ela não tinha ido viajar ontem à noite?" questionou Érika, confusa.
"Sim, mas..."
Adriano se aproxima de Thaís e agradece por ela ter aceitado o convite.
"Tatá, como estou feliz por você ter aceitado o convite. Falei para minha noiva e ela amou."
"É mesmo, fico feliz", responde Thaís, sem saber de onde tirou coragem para dizer isso.
"Sabe que antes ela morria de ciúmes de você. Aí disse a ela que não deveria se preocupar com isso."
Thaís ficou curiosa.
"Como assim?"
"Sou seu amigo de longa data, sei que você... bom, saquei", sussurrou Adriano, mas Érika conseguiu ouvir: "Que você curte mulheres."
O sorriso de Thaís, que já não era verdadeiro, agora congelou diante da incredulidade e do desconforto.
Adriano saiu feliz, achando que estava demonstrando aceitação à amiga lésbica, o que não era o caso.
"Mas essa agora", murmurou Thaís.
"O que foi? Achei legal da parte dele te aceitar como é", comentou Érika.
"Aceitar o quê?" Thaís estava pasma. Até Érika, que a conhecia há muito tempo, achava que ela era do vale.
Thaís passou o dia no trabalho em um estado de agonia crescente, incapaz de se concentrar adequadamente e constantemente irritada. Desde a madrugada, quando foi pega de surpresa em uma situação rara, quase não fazia isso, mas justamente quando acabou cedendo os desejos, foi pega.
E ver novamente homem que gosta, feliz, por ela ter aceitado ser madrinha, seu dia não poderia ter começado pior. Aceitar ser madrinha de casamento foi uma decisão tomada em um momento de fraqueza, agora ela se via obrigada a testemunhar a cerimônia como um mero espectador, ainda de camarote. A indignação aumentou quando ela percebeu que o homem acreditava que ela tinha interesse em mulheres.
Sentia-se frustrada com a falta de compreensão de Érika, que não aceitava sua afirmação de que não se interessava por mulheres, apesar de sua amizade de longa data.
Ao se concentrar em seu ambiente de trabalho, Thaís observou cada detalhe ao seu redor. Agradecia por não estar em um ambiente competitivo, onde a pressão por vendas e bônus era constante. Ali, suas tarefas eram simples: pegar os produtos comprados pelos clientes, buscá-los no estoque, testá-los, se necessário, e entregá-los. Apesar de às vezes cansativo e exigir ficar em pé por longos períodos, ela apreciava a simplicidade do trabalho.Enquanto trabalhava, sua mente vagava para o passado, lembrando-se do primeiro celular que comprou, um modelo simples, mas que representava o início de seu sonho de trabalhar na área de tecnologia e vendas de celulares. Ela recordava com nostalgia o toque reconfortante da tela e os sons polifônicos, hoje substituídos por smartphones com uma infinidade de recursos. O aroma reconfortante das caixas no estoque misturava-se com o som da música ambiente, enquanto Thaís lutava contra a alergia ao papelão, espirrando repetidamente. Sempre precavida, mantinha um lenço ao alcance das mãos para se limpar, enquanto refletia sobre sua vida.
[...]
Thaís está na área de descanso da EletroTech MegaStore, assistindo a um comercial da própria empresa que está passando na televisão.
"EletroTech MegaStore"? é uma gigante do varejo de eletrodomésticos, localizada em Santo André, A EletroTech MegaStore oferece uma variedade de produtos, workshops, serviços de assistência ao cliente (UX), além de sediar eventos especiais, como palestras e treinamentos. Periodicamente, a loja também realiza promoções e descontos em determinados produtos para atrair mais clientes.
Ao se distrair com o comercial de sua própria empresa ela fica imersa em nostalgia, lembrando de quando era criança nos anos 2000. Naquela época, aos seus 10 anos de idade, ela foi com a mãe até uma loja de eletrodomésticos e compraram uma televisão nova para substituir a antiga que tinha queimado. Thaís revive as lembranças daquele dia, quando entrou na loja e ficou maravilhada com os diversos eletrodomésticos, os sons do ambiente e as enormes TVs de tubo, que na época representavam a última palavra em tecnologia.
Thaís sentia uma imensa vontade de não voltar para casa. Ela se perguntava:
" Thaís sua burra, como vou encarar Lidiane? Ela vai tocar nesse assunto e não estou preparada para discutir sobre isso. Por que fui fazer aquilo? E que azar, justo no dia em que ela estava lá. Estou confusa."
Thaís desejava poder fugir, se esconder em algum lugar, mas sabia que precisava enfrentar a situação. Com o fim do turno se aproximando, ela se resignou, esperando que ao chegar em casa, Lidiane estivesse dormindo.
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Atualizado até capítulo 92
Comments
QUEEN YAOI
Vocês apenas moram na mesma casa,e dividem o mesmo teto,mais você não tem o direito e nem a obrigação de se explicar com ela,principalmente sobre seu início de reconhecimento sobre seu próprio corpo.
2025-01-31
1
Laura De Barros
eu sei q foi provavelmente um erro de digitação, mas... anos 200???
2024-09-29
2
Aldenice Costa
Thaís, o que você tem que fazer é ir morar sozinha porque ninguém merece morar com uma insuportável como a Lidiane
2024-07-23
1