Dia de Visitas

Saio rapidamente da empresa, indo em direção ao hospital. Quero ver com os meus próprios olhos, que Pedro está bem.

Ao chegar, o doutor me avisa que ele está com os pais, e iria perguntar ao Pedro, se ele permite a minha entrada.

Alguns minutos depois, Joana sai do quarto, empurrando a cadeira de rodas do marido.

...Joana ...

...Aurélio ...

Vejo Joana ficar incomodada com a minha presença, como têm sido todos esses dias. Ela não se aproxima, vejo muita raiva no seu olhar, ela não suporta a minha presença. Aurélio se aproxima, ficando na minha frente.

— Senhorita Isabela, quero muito te agradecer pelo que fez pelo Pedro. Sei que a senhorita não causou esse acidente por querer, errar é humano. Você reconheceu o seu erro, fez de tudo para salvar a vida do nosso filho, e agora, ele está bem, vivo, fora de perigo. Hoje, depois de cinco dias de angústia, pude ver o sorriso do meu filho. Contei tudo a ele, o que aconteceu, ele quer ver a senhorita.

— Obrigada seu Aurélio, não fiz mais do que a minha obrigação. Estou muito feliz em ver que o Pedro está se recuperando bem.

— Claro! Se ele morresse, você iria passar um bom tempo na cadeia.

— Joana!

— O quê? Vai defender a mulher que quase matou o seu filho? Ele poderia estar paraplégico, ou em um caixão.

— MAS, NÃO ESTÁ! O PEDRO ESTÁ BEM! VAMOS PARA CASA!

— Vou ficar aqui com o meu filho. Não vou deixar essa mulher entrar, pode fazer mal a ele.

— Eu preciso de um banho, vamos para casa, a senhorita Isabela precisa de um momento com o Pedro.

— Aurélio...

— Vamos!

Joana sai com Aurélio, aproximo-me da porta do quarto, estou nervosa, com as mãos suando. Talvez, com medo da reação do Pedro.

Abro a porta devagar, ele está deitado, sem nemhum aparelho, apenas com o acesso da medicação no seu braço esquerdo, com os olhos fechados.

Fico parada, observando ele. Cada traço do seu rosto, ele é muito lindo e... Nossa! O que estou pensando?

Sou tirada dos meus pensamentos malucos, com a voz do Pedro, que por sinal, é linda e... Não! Não! Não! Preciso parar de pensar nele dessa forma.

— Olá... Quem está aí?(Ele fala ainda com os olhos fechados.)

— Sou Isabela, a pessoa que deixou nesse estado.

— Humm... Meu pai me contou sobre você. (Ele diz com a voz um pouco baixa.)

— Vim te pedir perdão, fui inconsequente, estava em alta velocidade, e...

— Tudo bem.( Pedro reponde, ainda com os olhos fechados.)

— Tudo bem? Eu... Eu quase tirei a sua vida, você acabou de sair da UTI, os seus pais sofreram, como possa falar apenas, tudo bem?

— Não seja tão dura com você mesma. Meu pai e o doutor Marcelo, me deixaram a par de tudo. Você prestou socorro, ficou bastante tempo no hospital, me trouxe para o melhor e mais caro hospital da cidade, arcou com todas as despesas. Foi presa, pagou fiança, está respondendo o processo em liberdade, foi insultada várias vezes por minha mãe, e mesmo assim, continuou a vir saber o meu estado de saúde. Eu estou vivo, mas, pegue isso como um aprendizado, e tome mais cuidado no trânsito, se houver uma próxima vez, talvez, você, ou, outra pessoa, não possa ter a mesma sorte que eu tive.

— Você é como o seu pai, mesmo não merecendo tanta compreensão, agradeço. Os seus olhos... Eles... Está tudo bem?

— Sim, estou com um pouco de sensibilidade a luz, o doutor falou que vai passar em algumas horas. E sobre a minha mãe... Peço desculpas por ela. Foi um choque, ela ficou com medo de me perder.

— Eu entendo.

Somos interrompidos por alguém que entra no quarto bruscamente, sem bater.

— Pedro! A sua mãe contou que você acordou! (Uma mulher entra indo em direção ao Pedro, o abraçando.)

...Bianca Lima...

— Aí! (Pedro geme de dor, quando Bianca aperta o seu braço, ao abraçá-lo.)

— Me desculpe, foi a emoção em ver você acordado. Fiquei com tanto medo de te perder. Sobre o que falei aquele dia...

— Bianca, esse não é o momento.

— Pedro, amor, eu...

— Vejo que precisam de um momento a sós. Desejo uma ótima recuperação, Pedro. Agente se vê por aí.

— Obrigada. (Ele fala abrindo os olhos com um pouco de dificuldade, me encarando.)

Sinto o seu olhar sobre mim quando estou me dirigindo até a porta, inclusive, o da Bianca, como o chamou de amor, deve ser sua namorada.

Saio do hospital bastante incomodada com a presença daquela mulher, não acredito! Isso é ciúmes? Acho que me apeguei tanto vindo visitá-lo que, estou confundindo as coisas.

Pedro

Isabela entra no meu quarto, conversamos por alguns minutos. O meu pai é o doutor Marcelo, havia me contado tudo o que aconteceu.

Não consigo sentir raiva, mesmo sendo ela que me atropelou, apesar de tudo, foi madura e responsável, sem falar que, a sua presença, de alguma forma, me faz bem.

Bianca, minha ex, entra no quarto sem bater. Ela terminou comigo, um dia antes do acidente, no dia que a pedi em casamento. Disse que tinha confundindo a nossa amizade com amor, que não estava preparada para se casar, não queria ter filhos, os seus planos eram totalmente diferentes dos meus.

— Bianca, tudo entre nós acabou naquela noite.

— Pedro, me perdoa, quando fiquei sabendo do acidente, percebi que não consigo viver sem você. Estava confusa, você pegou-me de surpresa, fiquei assustada, então, reagi daquela maneira. Por favor, vamos recomeçar, sei que ainda me ama.

— Bianca, não seremos mais que amigos. Você me conhece, sabe que quando alguém pisa na bola comigo, eu perdoou, mas, a confiança acaba, é assim que sou. Não confio mais em suas palavras, em seu amor, suas atitudes quebraram o meu coração. Sabe o quanto esperei o dia em que você me dissesse Sim? Imaginei aquele momento totalmente diferente do que aconteceu, e você, bem, você disse um não, colocou dúvidas, e algumas certezas aqui, e aqui.(Pedro fala apontando para sua cabeça e coração.)

— Estou muito arrependida, me perdoa, vamos voltar, eu te amo!

— A nossa história, foi você que deu um ponto final. Vamos seguir caminhos diferentes, espero que você seja feliz e siga em frente, assim como, pretendo seguir a minha vida.

— Com aquela filhinha de papai que acabou de sair daqui? Olha o mundo dela, olha o seu? Acha mesmo que ela ficaria com alguém como você?

— Alguém como eu?

— Sim, pobre, de classe diferente.

— Eu e a Isabela não temos nada. Ela está sendo apenas responsável.

— Espero, pois, a sua mãe não gosta nada dela. Foi a riquinha que quase te matou. Não se esqueça disso. A dona Joana sempre me quis como nora, somos perfeitos um para o outro.

— Acabou, Bianca. Voltamos a ser, apenas vizinhos, e amigos, talvez, isso dependerá de você. E sobre a minha mãe, eu a amo e respeito, mas, quem irá decidir e tomar decisões a respeito da minha vida, sou eu.

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Comments

Conce Mota

Conce Mota

Gostei Pedro 👏🏼👏🏼 exatamente isso.

2024-12-01

2

Fatima Vieira

Fatima Vieira

gostando

2024-10-08

0

Rosely Catini

Rosely Catini

estou amando a historia pena q n tem no audio livro

2024-05-14

4

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