“Toc, toc, toc"-Elias batia na porta do quarto sem nenhuma paciência.
—Abra essa maldita porta Consuelo, quero dormir na minha cama, vamos logo com isso-disse Elias com uma voz carregada de raiva.
—Quero dormir sozinha hoje, eu estou com muita dor de cabeça-disse Consuelo e logo deitou-se na cama.
Ouvindo aquelas palavras, Elias tirou a sua arma da cintura e atirou na fechadura fazendo a porta se abrir, Consuelo por já estar acostumada com o comportamento de seu marido, ela apenas permaneceu deitada na cama, nesse momento Elias caminhou na direção dela, a puxou pelos cabelos, a jogou para fora do quarto e logo falou aos berros.
—Se quer dormir sozinha vá você para outro quarto, a casa é minha e eu durmo onde eu quiser, agora sai da minha frente-disse Elias e logo fechou a porta, ou pelo menos tentou.
Ele disfarçou a sua tristeza, por nunca ter conseguido o amor de Consuelo.
—O que aquele infeliz tem que eu não tenho?-se perguntou Elias ao lembrar do passado.
Na época, Elias tinha 30 anos, estava noivo, a moça estava grávida, mas Elias acabou conhecendo Consuelo, se apaixonou por ela e a obrigou casar com ele, entretanto, como castigo, Elias amou sozinho por 20 anos, pois Consuelo ainda ama o seu ex namorado e só a morte poderá arrancar esse amor de seu peito.
Relembrar parte desse passado doloroso, fez Elias se sentir ainda mais irritado, ele logo foi tomar um banho quente e depois se jogou na cama planejando dormir.
De repente o seu telefone tocou e Elias logo atendeu a chamada.
—Fala Marcão.
—Desculpe o horário senhor, só vim avisar que já começamos as buscas pela a senhorita Helena, conseguimos as imagens das câmeras de segurança nas proximidades do Shopping e daí descobrimos que ela pegou um táxi e foi para uma estação de trem, mas o local é um pouco pequeno e não possui câmeras de segurança.
—Você está tentando me dizer que não conseguiu achar aquela feiosa?-falou Elias bastante irritado, principalmente porque ele se lembrou da tal ligação do senhor Medina.
—Veja bem senhor Elias, nós não conseguimos rastrear o telefone dela porque nos falta apenas o número, até a foto dela que o senhor nos deu era bem antiga, eu fui até a estação de trem e descobri que ela comprou 4 bilhetes para cidades próximas, então nós temos 4 cidades para vasculhar, sendo assim eu acho que podemos esquecer essa ideia dela estar em casa amanhã a noite-disse o homem com uma voz firme, era como se ele não estivesse com a sua alma prestes a abandonar o seu corpo.
Elias ficou em silêncio por um tempo e enfim percebeu que realmente errou com Helena, ninguém da família Sales tem o número de Helena e tampouco fotografias e isso lhe causou sensações estranhas que Elias jamais pensou em sentir.
—Entendo, apenas tragam a minha filha com vida para casa-disse Elias, pegando Marcão de surpresa.
—Tudo bem senhor, eu ligo assim que conseguir encontrá-la-disse ele e daí desligou a chamada.
Elias guardou o celular e ficou fitando o teto do quarto por um bom tempo, ele não conseguiu dormir e logo saiu do quarto e foi para o quarto de Helena.
Ao abrir a porta Elias sentiu uma sensação estranha, ele nunca entrou no quarto de sua própria filha.
—Nossa, que garota cafona-disse Elias enquanto olhava fixamente para os lençóis de gatinhos coloridos que cobriam a cama de Helena.
Ele olhou para todos os lados e até uma pequena lixeira que estava perto da mesinha de estudos Elias vasculhou em busca de pistas.
Nesse momento Elias viu o notebook de Helena e logo ligou o aparelho, que para sua surpresa não havia senhas, então Elias mexeu em praticamente tudo, até que ele viu o diário eletrônico e logo começou a ler, mudando a voz e fazendo gestos afeminados fingindo estar imitando Helena.
“Hoje é o meu aniversário de 10 anos e papai como sempre não estava em casa o dia inteiro, chegou a noite e passou por mim como se eu não fosse nada, eu queria tanto ser amada por meus pais, isso é apenas um sonho que eu nunca vou realizar, pois ele não permite nenhum tipo de aproximação, já a mamãe apenas evita me olhar, acho que ela me odeia bem mais do que o papai.”
“Véspera do meu aniversário de 13 anos, me sinto humilhada, pois hoje eu cometi um grande erro, chamei o senhor Elias de pai logo na frente do prefeito, meu pai me olhou com tanta raiva e nojo que de súbito eu senti o meu coração doer e até mesmo sangrar, meu pagamento por isso foi levar um soco tão forte que acabei perdendo 4 dentes, amanhã eu vou passar o meu aniversário numa clinica odontológica, eu tenho fé em Deus que um dia tudo que eu irei sentir por aquele casal de peste será apenas ódio.”
“Hoje eu acordei animada e com coração cheio de gratidão, então resolvi fazer um poema para o papai, aproveitando que hoje é o dia dos pais eu publiquei no Instagram e coloquei uma foto do papai, mas ele ficou com tanto ódio que agora estou aqui no quarto, sem comer e beber o dia inteiro, ele disse que esse castigo duraria 3 dias, mas se ninguém quiser me trazer comida é bem melhor, daí eu morro e enfim acaba todo esse tormento e talvez a minha ausência faça os meus pais me amarem...
—Bla,bla,bla, eu não amo nem a mim mesmo, eu vou te encontrar e o amor que eu vou te dar será uma surra de cinto-disse ele e logo saiu sorrindo.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Graça Barbosa
Confesso que eu não consigo entender se ela é a mãe deveria amar a filha pôr ser fruto do homem que ela ama nesse caso não maltratar a filha como ela faz,a não ser que o monstro do marido a obrigasse mais mesmo assim ela teria momentos que carinho com a filha
2024-11-18
3
Rosa Hosana Santos
como a filha de um mafioso ridículo desse pode ter um coração tão grande vai sofrer muito ainda coitada
2025-01-21
0
Adelange Santos
no meu ponto de vista, a Consuelo ama a filha, mais acho que ela demonstra odiar para que Elias não use Helena para machuca-lá quando achar que consuelo merece sofrer
2024-11-20
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