A Marina tremia nos braços do Gael, eles saíram do elevador, entraram no apartamento e foram recebidos pela Júlia que entregou toalhas.
Marina: Obrigada! -batendo os dentes de frio.
Gael: Vou ligar o aquecedor. -tossindo e se enxugando enquanto caminhava até o aquecedor.
Marina: Você ainda tá com raiva.
Julia: Você quis dizer... ciúme?! Nunca o vi assim tão ciumento. -rindo fraco tentando melhorar o clima tenso.
Gael: Não estou com raiva e nem tenho o direito de ter ciúme. Empreste uma roupa a ela. -disse indo até a pequena janela da sala e observando a chuva cair.
Julia: Vem, Nina.
Marina: Ele não quer mais saber de mim? -disse confusa e indo com a Júlia.
Gael: Lua! -olhando pro céu tentando não chorar.- Eu te peço perdão e você... me traz o amor. -sorrindo fraco.- Isso é o seu perdão? -olhando o celular com a foto da Lua, sua irmã que na época da foto tinha 5 anos.
Seus pensamentos estavam confusos e foram interrompidos pelo toque delicado da Marina.
Marina: Podemos conversar agora?
Gael: Desculpa, Nina! Será que pode ser amanhã? -tocando ainda o celular.
Marina: Sua irmã?
Gael: É! -sorrindo e bloqueando o celular.
Marina: Eu... posso ficar em silêncio aqui com você?
Gael: Eu não sou boa companhia. Acho que ja percebeu isso... não hoje. -suspirando tentando evitar voltar a chorar.
Marina: Eu só quero... ficar aqui. -se abaixando e forçando um espaço entre ele e a janela.- Deixa eu ficar aqui... -acariciando o rosto dele.
Gael: Foi um acidente de carro. -baixando a cabeça e envolvendo o corpo da Marina em seus braços fortes.
Marina: Não precisa falar se isso te deixa pior. -tirando a toalha dos ombros do Gael e enxugando seus cabelos, seu rosto e sorrindo fraco.- Troca de roupa pra não ficar doente.
Gael: Certo. -sorrindo fraco e indo até o quarto.- Ju, tô entrando. -batendo na porta e esperando ela responder.
Julia: Tá. -pegando um lençol e um travesseiro.- Deixe ela amenizar sua dor hoje. A Lua iria adorar te ver feliz. -com os olhos marejados.- Atende sua mãe.
Gael: Não tenho essa capacidade. -indo pro banheiro do quarto e fechando a porta.
Ela saiu do quarto e foi pro sofá da sala.
Marina: O que acha que devo fazer? Insisto? Fico quieta, espero ele vir...
Julia: Ele se sente muito culpado pelo que aconteceu.
Marina: Ele era pequeno?
Julia: Era uma criança também. Geralmente ele passa o dia trancado, não atende telefone, as vezes bebe... Esse tá sendo diferente mas ele não quer atender a tia Clara.
Marina: Não deve ser fácil realmente.
Ele abriu a porta mas não saiu do quarto, elas se olharam e a Júlia fez um sinal apoiando a ida da Marina até o quarto e ela bateu na porta dele.
Gael: Pode entrar. -disse em voz baixa e fechando seu guarda roupa.
Marina: Eu posso ficar um pouco com você? -entrando e esfregando seus braços.
Gael: Por favor! -pegando um moletom e entregando a ela.- Quer?
Marina: Ah! Obrigada! -vestindo o moletom e sentindo o perfume do Gael sorrindo boba esquecendo que ele a observava.
Gael: O que foi?! -sorrindo fraco e se aproximando.
Marina: Ah! Seu cheiro é... muito bom. -corando.
Gael: Você é linda. -abraçando-a.- Desculpa ter falado daquele jeito com você e aquele tal... Nikolai.
Marina: Posso confessar que... apesar de ter ficado com medo disso me distanciar de você... eu gostei de ver você com ciúme. -rindo e apertando-o no abraço.- Eu estou aqui com você. -beijando seu ombro ficando de ponta de pé pra isso.
Gael: Nina! -apertando-a em seus braços e cheirando seu pescoço a deixando arrepiada.
Marina: Hum. -sentindo algo inexplicável e se afastando um pouco.- V-vo-voce... quer conversar?
Gael: É... -sentando na cama com ela ao seu lado e mostrando uma foto da Lua.- Essa é a minha irmã. Ela... era tão linda, éramos muito felizes... em uma das noites de compromisso da minha mãe e voltando pra casa... estávamos brincando e eu acabei machucando levemente a Lua. Começamos a brigar e eu... -jogando seu corpo pra trás deitando na cama com as pernas pra fora da cama e suspirando.- Eu joguei um brinquedo pra frente e... meu pai perdeu o controle... -enxugando as lágrimas.- E por minha causa ela não está mais aqui... fisicamente comigo.
Marina: Gael! E-eu sinto muito mas... você era uma criança, não tinha noção do que poderia causar. -puxando ele pra deitar sua cabeça em seu colo e acaricando seus cabelos.- Eu tenho certeza que ela não pensa assim.
Gael: Ela foi embora me odiando, ela estava com raiva de mim... Ela gritava e... -revirando mais uma vez a chamada da Clara.
Marina: Porque não atende sua mãe?
Gael: Impossível. Ela era a menininha que meus pais sempre quiseram e eu estraguei tudo. Eu não moro mais com eles e fiz questão de morar em outro país porque... Eu não consigo ficar muito tempo perto deles pensando nisso. -fungando e se encolhendo no colo dela.- E olha aí... A gente mal começou algo e você está me vendo chorar e...
Marina: Começamos algo? -sorrindo e parando ao ver que ele estava a encarando.- É... eu...
Gael: Acho que sim... né?! -sorrindo fraco.
Marina: Então... atende ela. Imagina... no dia que perdeu a filha o outro a ignora. Não faz isso com ela. Se eu ficar um dia sem falar com meu pai é capaz dele vir bater aqui.
Gael: Por falar nisso...
Marina: Não, não contei. Tenho medo de que ele pare de falar comigo ou venha pra cá enlouquecido. Ele acha Amsterdã muito perigosa.
Gael: E ele está certo. -sentando de frente pra ela.- Eu ligo pra minha mãe e você pro seu pai. -acariciando o rosto dela a fazendo sorri.
Marina: Tudo bem. Primeiro você.
Ele respirou fundo, pegou o celular e ligou pra Clara.
~ Ligação on ~
Clara: Filho?! Meu amor! -fungando.- Ah, não acredito que está me ligando hoje.
Gael: Oi, mãe! -tentando manter a calma virado de costas pra Marina.- Perdão!
Clara: Meu amorzinho, não tem que me pedir perdão; Eu te amo tanto, Gael! Você foi muito desejado, meu amor. -enxugando as lágrimas.- Zazá! O Gael no telefone!
Zayn: Filho! -indo até a Clara enquanto ela colocava no viva voz.- Tá me ouvindo?
Gael: Tô, pai!
Zayn: Oh, meu filho! Tão bom ouvir sua voz nesse dia tão difícil pra gente. Escute seu pai: Você é incrível, nós te amamos incondicionalmente e você não tem culpa do que aconteceu. Nossa Lua está... -ficando com a voz embargada.- Nossa Lua está nos protegendo e cuidando de nós. Ela te ama tanto quanto eu e sua mãe te amamos.
Gael: Me perdoem. -sem conseguir evitar as lágrimas e num impulso a Marina se ajoelhou na cama e o abraçou por trás.- Eu conheci uma pessoa especial que... -acariciando o pequeno braço que o envolvia e sorrindo pra pequena mão da Marina que tentava encontrar a outra sem sucesso.- Acho que a Lua me mandou... Ela me convenceu a atender e... eu queria muito abraçar vocês dois agora. -fungando.
Clara: Meu pequeno! Eu vou te abraçar, eu prometo que eu vou te dar esse abraço e muitos beijos. Quem é essa pessoa?
Gael: Ah, eu... espero poder apresentar ela em breve... com um status diferente.
Zayn: Essa voz é de apaixonado! -rindo fraco.- Nós queremos te ver feliz, Gael. Siga em frente, todos nós precisamos seguir. Não é esquecer mas se culpar também não é o caminho.
Clara: Apaixonado? Quero conhecer. -disse animada e fungando.
Gael: Vai sim. -olhando pra Marina que estava corada e sorridente.- Eu amo vocês.
Zayn: Nós também te amamos.
Clara: Amos muito você, meu menino.
~ Ligação off ~
Gael: Você me fez sentir um idiota por ter fugido todos esses anos dos meus pais. -sorrindo e se virando para a abraçar forte.- Obrigado.
Marina: Você... pensa em me apresentar pros seus pais? -disse nervosa e feliz.
Gael: Penso... minha mãe já está doida pra te conhecer.
Marina: A Clara Watts quer me conhecer? Ah meu Deus! -sorrindo e o beijando.
Gael: Posso repetir isso e você me dá outro desses?
Marina: Não! -rindo.
Gael: Ligue pro seu pai agora.
Marina: É... é que meu pai...
Gael: Não me enrole.
Marina: Tudo bem. -suspirando.- Lá ainda é de tarde.
Chamada de vídeo on ~
Phelipe: Meu anjo! Como você está? Tudo bem? Já posso te buscar?
Marina: Oi, pai! -rindo boba ao vê-lo.- Não tem ideia da saudade que sinto do seu colo e do da mamãe.
Phelipe: Volta!
Marina: Então... eu... queria te contar que...
Phelipe: Nada de namoro. Tá proibida, eu vou até aí e conversamos. -disse desesperado.
Marina: Não é isso. -rindo.- É que... eu consegui um trabalho.
Phelipe: Da faculdade?
Marina: Fora! Fica calmo! São amigos do Lucas e a Tia Gabi e o Nathan conhecem.
Phelipe: Trabalho? Mas você não precisa eu estou enviando dinheiro pra você...
Marina: Eu disse que quero viver das minhas coisas, quero conquistar minhas coisas. Eu estou usando o mínimo e quero devolver.
Phelipe: Eu trabalho pra você, pra te dar o melhor e...
Marina: Eu sei, eu sempre te agradeci por isso. Não disse que não preciso de você na minha vida. Eu preciso muito do meu pai e da minha mãe. Eu só quero ser capaz de caminhar com minhas próprias pernas.
Bianca: Hoje foi difícil lá... -entrando na sala do Phelipe e indo até ele.- O que foi, amor?
Phelipe: Nina, se você não desistir dessa ideia eu vou te buscar e nem sua mãe será capaz de me impedir de fazer isso.
Bianca: Filha?! -tirando o celular dele e colocando no viva voz.- O que aconteceu, meu amor? Você está bem?
Marina: Estou trabalhando, mãe. Consegui um emprego fora da universidade. O tio Nate e a tia Gabi conhecem as pessoas com quem trabalho e o Lucas também. Eu... -sentindo o Gael entrelaçar seus dedos nos dele.- Eu não quero ir embora daqui e também não quero que briguem mais uma vez por minha causa.
Bianca: Calma! Vamos fazer assim... eu vou conversar com seu pai com calma...
Phelipe: Eu não...
Bianca: Você vai e não estou dando outra opção, Phelipe Cullen. Me envie os nomes deles e seu pai vai checar tudo com calma, pode ser?
Marina: Tudo bem, mãe.
Phelipe: Fora isso... você tem mais alguma novidade? -tentando se controlar.
Marina: E-eu... -olhando com um sorriso bobo pra mão do Gael na sua.- Não ainda.
Phelipe: Não! Não! Não me diga que está gostando de alguém? Meu amor, olha, os homens são ruins. Lembra que eu conversei com você e...
Marina: Pai, poderia tentar confiar um pouco em mim? Estou andando com esse negócio o tempo todo como me pediu. Você sabe exatamente minha localização e não desobedeci nenhuma das regras daquele contrato. -rindo ao lembrar.- Estou morrendo de saudade de vocês.
Bianca: Ah, meu docinho. Eu também. Tão difícil te ver amadurecer assim tão distante.
Marina: Mãe, obrigada por tudo que está fazendo pra permitir que eu realize meu sonho. Eu estou muito feliz aqui. -sentindo os lábios do Gael tocarem as costas de sua mão fazendo seu coração acelerar.
Phelipe: Você... tá feliz? -sentando na cadeira e suspirando.- Estou sendo egoísta novamente?
Marina: Um pouco.
Phelipe: Tenho muito medo dos perigos que você corre aí, é só isso. Eu confio em você, meu amor. Você é uma mulher linda, sozinha, numa cidade desconhecida...
Marina: Meu dramático favorito, eu não estou sozinha. Tenho a tia Gabi que quase sempre vai me visitar no trabalho, o tio Nate, o Lucas e a Ju que vocês já conhecem.
Phelipe: E-eu... eu prometo que vou me esforçar mas você promete não beijar ninguém?
Bianca: Phelipe! -rindo.- Depois eu ligo pra você pra saber bastante detalhes sobre isso. Tenha muito cuidado com as pessoas. Apesar de não concordar com o radicalismo do seu pai, ele tem razão em temer.
Marina: Sim senhora. Eu tomarei cuidado. -acariciando o rosto do Gael.- Eu amo vocês.
Phelipe: Eu te amo muito. Não importa a hora você pode me ligar.
Bianca: Eu te amo ainda mais.
Phelipe: Durma bem.
~ Ligação off ~
Gael: Não vai ser fácil, né?!
Marina: Pronto, essa é a hora que voltamos a ser apenas professor e aluna, não é?! -disse receosa.
Gael: Claro que não. -sorrindo e a beijando-a lentamente.
Uma de suas mãos segurou delicamente sua nuca embrenhando seus dedos em seus cabelos ruivos e a deixando totalmente rendida ao momento. Ela apertou seus braços e suspirou durante o beijo e o Gael foi com sua língua pedir passagem para explorar sua boca e a Marina despertou daquele transe e logo se afastou e ficou de pé.
Marina: E-eu... -tentando recurar o fôlego e se abanando.
Gael: Desculpe, não queria deixar você desconfortável. É que... ok. -ficando de pé.- Vou no banheiro e podemos comer algo, o que acha?
Marina: Bom! -disse ainda não recuperada de tudo aquilo que ele causou nela com o beijo.
Ele sorriu e entrou no banheiro. Ela observou o guarda roupa aberto do Gael e foi fecha-lo quando notou o Band aid que havia colocado na mão dele no dia do vôo.
Gael: Vamos? -saindo do banheiro e corando ao ver que ela notou o Band aid ali.- E-eu...
Marina: Você guardou o Band aid usado? -rindo e segurando o Band aid.
Gael: Não me ache idiota mas... eu gosto de guardar coisas que me trazem lembranças fortes e positivas. -indo até ela.
Marina: Não achei idiota. Achei fofo, lindo... e mais difícil de controlar o que sinto. -passando a mão no Band aid observando-o atenciosamente lembrando do momento em que o feriu.
Gael: Jamais irei me disfazer dele. -colocando sua mão na dela.
Marina: Como faço pra evitar essa vontade que me desperta de... me aproximar cada vez mais de você? É impossível.
Gael: Espero que nunca encontre uma resposta e permaneça sendo impossível. -sorrindo.
Ela ficou corada, colocou o Band iad no lugar e fechou o guarda roupa. Ele a abraçou de lado e saíram do quarto.
Julia: Vamos assistir um filme?
Gael: Sem ser drama, por mim tá ótimo.
Marina: Pode ser... romântico?
Gael: O que escolher pra mim tá perfeito. -sorrindo.
Julia: O que escolher pra mim está perfeito. -repetiu com uma voz diferente, rindo e jogando uma almofada nele.- Apaixonado.
Marina: Ju! -rindo e olhando pro Gael.
Gael: Ela não mentiu. -sussurrou no ouvido da Marina que se arrepiou.
Marina: Ah meu Deus! Porque tanta tentação?! -rindo fraco e indo com ele pro sofá onde a Júlia havia colocado algumas comidas, bebidas e já estava selecionando o filme.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Clarinha Pinheiro
lindosssz
2023-05-28
2
A Ribeiro
kkkkkkkkkk impossível
2023-04-13
2
A Ribeiro
ele não queroamo Lucas....quando bebê é agora como.fica...kkkkk
2023-04-13
1