Um simples mineiro

—Não precisa disso,é só guiar,mão leve! Isso filho!

—Marcos se achando ensinando o Gael a pilotar e quem o ensinou fui eu!

Começamos a rir, estamos navegando pelo mar de Búzios com os rapazes.

—Rafael se sente o gostosão né, é o fodão!

—Ainda bem que você sabe!

Ele me estapeia e eu devolvo a porrada,nossas brincadeiras são similares a de gladiadores,o nosso único momento de delicadeza é quando, juntos,tomamos posse do corpo da nossa mulher.

—Eu acho tão maneira a relação de vocês! São muito amigos! - fala Marquinhos

—Somos mais que amigos, somos irmãos! - diz Rafael me dando um abraço

—Eu achava que vocês dois também...sabe...né?

—Qual é Bejamin?! Se for assim seu pais também se comem! - esbravejo

—Calma ,vô! Eu só achava...depois vi que não tem nada a ver!

Enzo e Yusuf começam a gargalhar da nossa cara.

—Dos quatro,o único que tem cara que gosta de ganhar madeirada é o turco!

—É o que?! Eu puxo a sua orelha,moleque!

—O meu pai não é gay, Vicenzo!

Eles começam a discutir e eu intervenho,como sempre.

—Nenhum dos quatro são bissexuais! E vocês nos devem respeito,prestem atenção como falam,ouviram!?

—Sim,senhor!!! - eles respondem em coro.

Eu sou o general dessa família,nem os mafiosos escapam da minha autoridade.

—Vô, o senhor fez uma carreira bonita pra caramba na polícia civil, como foi parar no meio da máfia? - Rafinha se sente atraído pela carreira policial ,assim como Lorenzo era desde pequeno, e já estuda junto colmo irmão para prestarem provas.

—E sem se deixar corromper por anos! - completa meu filho Gael,que também já planeja entrar para a civil.

—Sua avó, tudo culpa da Nena,e do amor incondicional que tenho por essa mulher...

......................

Eu nasci em Gaxupé,Minas Gerais. Único filho homem entre quatro ,erámos minhas três irmãs e eu,filhos de seu José e dona Mariana.

Morávamos em um sítio, eu ajudava meu pai no roçado,e sempre estava na cidade com as minhas irmãs ajudando a vender o que produzíamos nele.

As três eram mais velhas do que eu : Graça, Sueli e Marta. Eu fui a raspa do tacho, como dizia a minha mãe,o menino que meu pai tanto sonhava.

A vida ali era boa, mas eu queria muito mais! Aquela miséria e pobreza não era pra mim, eu sonhava em sai dali,ganhar dinheiro e ajudar meus pais.

Eu me esforçava na escola, acordava quatro da manhã para pegar o ônibus que passava na esquina ,se perdesse não tinha outro,ganhava falta.

Chegava em casa, fazia a lição e corria para ajudar o pai na roça,a mesma rotina,todos os dias.Onde morávamos,o poste de luz não havia chegado ainda, era só até a metade da rua, na minha casa era luz de lampiões.Eu precisava sair dali e buscar uma vida melhor.

Me formei no ensino médio, passei aquele ano todo estudando muito para o vestibular, sempre tive facilidade aprendizagem, e o mérito de conseguir passar, em segundo lugar no vestibular de direito da UFRJ, estudando em escola pública, dividindo meu tempo com o trabalho na roça, era todo meu! E dos meus pais, que oravam muito por mim, assim como minhas irmãs,que sempre me apoiavam.Eles são pessoas de muito fé.

—Como vai ser virar no Rio de Janeiro, meu filho? Com qual dinheiro,Marcos? - diz meu pai

—E aonde vai morar,pelo amor de Deus,me faz um trem doido desse não! - mamãe fica aflita.

—Eu irei morar na república da faculdade, e já encontrei um emprego. Vou trabalhar num restaurante na zona sul do Rio como garçom,estou levando as minhas economias. Vai ficar tudo bem!

—Não se deixa corromper filho, lá as coisas são diferentes! - recomendam meus pais.

Parto para o Rio de Janeiro levando comigo somente uma mochila e uma sacola grande de plástico,minha vontade de vencer, e os ensinamentos e dos meus pais.

Eu saio da rodoviária assustado, o que eu conheço de cidade grande é Belo Horizonte e só fui uma única vez. Pego um ônibus e não muito longe dali, chego na república da universidade.

Agora sim me dei conta que eu sou um verdadeiro caipira, a roupa dos caras era diferente da minha,o modo como falavam, com agiam e como olhavam para mim. Entro no quarto onde vou ficar com mais três rapazes.

—Bem vindo! Você deve ser o Marcos,não é?

—Sou eu sim, muito prazer!

—Ah é de Minas! O Roberto também é!

Começamos a conversar e eles foram me explicando como que as coisas funcionavam ali, isso enquanto eles fumavam maconha e baforavam no quarto. O cheiro estava insuportável e eu abro a janela.

—Foi mal, você deve ser bem careta né?

—Não que eu seja careta , só tenho valores diferentes de vocês, mas não estou aqui para julgar ninguém. Vocês me respeitam eu os respeito e está tudo certo!

—Você é gente boa ,Marcos! Mas fica atento ,aqui é uma cobra querendo engolir a outra.

Aquela frase que ficou gravada em mim e eu me decidir não permitir que ninguém me passe para trás.

As aulas começaram eu passava o tempo todo estudando e quando não era dedicado as matérias do curso de direito, era para a prova do concurso da policial civil. Ali ninguém sabia que era um sonho meu que guardava dentro de mim, desde pequeno eu queria entrar para a polícia!

As minhas refeições eram no bandejão da faculdade e se não tinha comida, me virava com macarrão instantâneo ou comia um restaurante onde eu trabalhava. Era uma rotina muito intensa, estudo de manhã à tarde e trabalho à noite, e não sei como eu consegui aguentar mas eu só tinha 19 anos.

Depois de passar a madrugada, servindo mesas,eu chego tão exausto que apago, perco a hora e saio pelos corredores da faculdade desesperado,acabo esbarrando em uma moça perto do auditório.

—Me desculpa ,moça! Sou desastrado por demais!

—Está tudo bem,eu também estava distraída!

Eu pego os óculos dela e a entrego, pude ver o quanto era linda, aqueles cabelos cacheados enormes, exalavam um cheiro tão bom!

Ela se levanta e entra no auditório, estava acontecendo uma palestra com historiadores. Não tinha nada ligado ao meu curso, mas eu resolvo entrar só para perguntar o nome dela, até que o Roberto me puxa.

—Vai para aonde Marcos ?

—Eu...eu só...

—Vem logo! Temos prova!

Será que eu a verei novamente? Será que ela gravou o meu rosto do mesmo jeito que gravei o rosto dela?

Os anos se passaram, nunca mais eu vi aquela menina, talvez fosse só uma visitante,eu parava todas as moças com aquelas características e sempre me decepcionava ao olhar para o rosto e não ver aqueles olhos doces ,o sorriso iluminado, a voz baixa e suave como uma melodia.

Namorei algumas meninas parecidas com ela, na tentava de talvez tê-la para mim de alguma forma. Eu me apaixonei por alguém que nunca mais verei.

Cinco anos após eu me formar e começar a servia a civil como investigador, dividi o apartamento com Roberto em Copacabana, ele é advogado em um escritório na zona sul da cidade.

—Tá de folga, hoje? Vamos dar um oi no barzinho lá em Ipanema.

—Ah...sabe que eu não gosto dessas coisas.

—Qual é Marcos! Vamos,será rápido,prometo. Eu marquei com uns amigos,pessoal tranquilo.

Ele me convence e eu vou quase arrastado.

—Olá pessoal! Boa noite!

—Boa noite ,Roberto!

—Trouxe um amigo,veio quase amarrado. Esse aqui é o Marcos.

Quando os rostos se viram para mim, mal pude acreditar, lá estava ela...a moça que roubou meu coração há cinco anos atrás.

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Comments

Michele Bonfim

Michele Bonfim

Caramba que linda a estória do Marcos e da Serena , não sei se vc tinha falado no primeiro livro... não lembro. Ahhhh sou muito emocionada kkkkk

2025-03-15

5

hedyy-lay

hedyy-lay

Interessante, os três tiveram encontros desencontrados🤣😄☺️. O Rafael jogando água na Serena com o carro e o Marcos se esbarrando no corredor.

2025-03-26

0

Priscila andrade

Priscila andrade

Ai que tudo Marcos é muito esforçado estou amado

2025-03-18

0

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