O meu pai contou tudo para o meu tio Leonardo, que ficou igualmente decepcionado comigo. Ele procurou Don Paolo e contou a história toda para ele ,que também se decepcionou e resolveu não esperar o nascimento da criança e nem o exame de DNA e desfez o contrato de casamento. Eu não seria mais o marido da Clarita Batistini.
Como castigo, tio Leonardo ordenou que meu pai me obrigasse a casar com a Érica,pois ele sabia o quanto eu a odiava. Ele já estava decidido a deixar Maximiliano como o seu sucessor e não eu.
—Então é isso, você vai se casar com essa moça assim que esse exame ficar pronto, vai morar junto com ela e criar o seu filho com ela.
— Eu não posso somente assumir a paternidade e pegar a criança e trazer para cá?
— Não, você vai morar com a mãe do seu filho. A família que você teria com a Clarita, uma menina de ouro, vai formar com essa garota que não tem um pingo de decência. Esse é o seu castigo, Rafael ,amargar as suas irresponsabilidades!
Os meses se passaram, finalmente o bebê nasceu.Eu não quis estar no nascimento, mandei o Teco no hospital,o exame foi coletado na hora do parto ,e só fui mais tarde fazer o exame e voltei para casa,nem vi o bebê ,que aliás era um menino.
—Rafael...você não vai ver o moleque? Ele é a sua cara ,mermão! Acho que nem precisa de DNA!
—Não quero saber de nada!
—Não faz isso cara, o bebê não tem culpa! Ele é o mais inocente nessa história.
Meu ódio era tão grande que eu não ouvia ninguém. Semanas depois, o exame fica pronto confirmando a minha paternidade.
Meus pais foram visitar a Érica e o bebê na casa dela e voltaram completamente encantados com ele.
—É a coisa mais linda dessa mundo! Parece que estou vendo você recém nascido. - diz minha mãe.
—Ele não tem nome, a Érica quer que você escolha.- fala meu pai
—Tanto faz!
—Tanto faz nada! Você irá fazer seu papel de pai,irá ver o seu filho e registrá-lo, agora!
Meu pai me arrasta até Jacarepaguá, olho para o menino no berço...é a minha cara mesmo! Me deu vontade de sorri,mas olhei para a mãe dele, e o ódio não deixa espaço para a alegria dentro de mim.
—Ele pode se chamar Lorenzo. - sugere meu pai.
Eu sempre amei esse nome, sonhei um dia ter uma esposa, fazer um filho nela e ter um bambino com esse nome...um filho no mulher que eu amo...mas não é esse o caso.
—Não! Nunca! O nome dele será Enzo. - digo
Dias depois, eu me caso com a Érica numa cerimônia civil, meu olhar era de derrota,a amargura tomou conta de mim, meu coração se fechou a qualquer tipo de amor, eu me tornei frio e desprezível.
Ao invés de ter uma lua de mel, viajei com a minha irmã Antonella para Nápoles, ela tinha acabado de separar do Cesare.
—O babbo sabe que você veio para fugir da sua mulher?
—Disse que vim para tomar contar de você e te convencer a voltar para o seu marido.
Rimos juntos.
—Você quer é se livrar da sua responsabilidade!
—Eu estou infeliz, minha irmã. Eu não queria me casar com a Clarita, mas ela era melhor do que a Érica,eu tenho tanto ódio dela!
—E o bebê? Ele é tão lindo! O Pietro o adorou, só fala "neném" o tempo todo. Serão grandes amigos no futuro.
—Eu sei que ele não tem culpa de nada...mas não consigo amá-lo!
—Não fala assim, Rafael!
—Eu também não gosto disso! Mas é a verdade,eu não consigo amá-lo, eu não consigo amar ninguém!
Em Nápoles, vivo dias de solteiro, aproveito para curtir ao lado dos meus primos e amigos, que agora também já estão casados, saem para se divertir comigo. Numa dessas baladas ,minha irmã começa a se envolver com um rapaz chamado Antônio Piazzi, ele é de uma família tradicional de Nápoles que não pertence a máfia, mas está ligada a máfia.
Os dois começam a ter um romance e eu questiono a minha irmã.
— Você esqueceu o Cesare?Deixou de amá-lo?
—Eu não sei,Rafael...eu estou confusa! O Antônio me pediu em casamento,disse que sempre gostou de mim, mas se continha porque eu era casada, mas agora que estou me separando...
—Eu ainda acho que você gosta do Cesare,pensa bem para não fazer besteira!
E era a verdade, minha irmã ainda o amava, resolveu voltar para a Flórida e se reconciliou com o marido.Eu volto para o Rio e sigo a minha vida.
O convivo com a Érica é insuportável! Moramos no Recreio dos Bandeirantes, num condomínio de luxo, a obriguei a usar DIU e uso camisinha, que eu mesmo coloco. Eu a uso para meu prazer quando estou sozinho.
Combinamos ser assim, ela vai ter o luxo que quiser e eu vivo como solteiro sem dar explicações a ela. Estando bom para ambas as partes ,seguimos nossa vida de merda, o nosso filho crescia sem atenção dos dois, nós queríamos era aproveitar a vida.
As vezes ele estava com os avós maternos, o Teco como padrinho dele, está sempre aqui e o dá mais atenção do que eu,que não tenho um pingo de paciência.
Odeio ser visto com a Érica, mas todos sabem que ela é a minha mulher. Sempre que tenho que ir à Itália, levo o menino junto,mas ela fica.
Meu tio o adora,mas sempre o olha dentro dos olhos.
—Esse bambino não será um Don.
—Por que diz isso,zio?
—Eu sinto...não será ele o próximo chefe da nossa família.
Enzo passa o tempo todo atrás de mim,com cinco anos, já sabe falar italiano como um italiano,eu mesmo o ensinei.
—Babbo, vamos brincar?
—Agora não posso! Tenho coisas mais importantes para fazer.
—O senhor nunca brinca comigo!
—Sai daqui ,porra! Não está vendo que está me atrapalhando?
Ele sai chorando, e essa hora é o único momento em que Teco me enfrenta.
—Não grita com o moleque desse jeito! Não o trate assim,Rafael! Ele é só uma criança, que porra!
Ele sai e vai atrás do afilhado, Antonella e ele são os padrinhos do menino.
Eu sempre me arrependo depois,principalmente quando o vejo chorar ou brincar sozinho com seus brinquedos. Mas nunca peço desculpas ou mudo de postura...
Até que um dia, meus pais resolveram pega o Enzo para criar e o levaram para seu apartamento no Leblon,pois ele estava começando a dar trabalho na escola e na convivência com outras crianças.
—A culpa é de vocês dois pelo menino ser assim! Dois irresponsáveis! - grita meu pai
—Então me libera desse casamento maldito!
—Não! Se quiser continuar a ser o capo do Rio de Janeiro e o futuro Don, deverá permanecer casado. Mas o Enzo fica conosco, nós cuidaremos melhor dele do que vocês e não me faça outro filho! Você não nasceu para ser pai!
Saio da casa deles com raiva, está chovendo e com minha Ferrari, não me importo de molhar todos os pedestres nas calçadas
......................
—Ahhhh me solta! Eu vou te matar e beber o seu sangue! - Enzo fala enquanto dorme.
Mel sacode o pai para acordá-lo.
—Deixa, eu o levo para cima. O Enzo não pode ter uma noite ruim de sono, não faz bem para ele.
Marcos também desperta e me acompanha.
—Durmam bem, e juízo! Já são quatro da manhã. - ele diz
—Por favor,vovô! Continuem as histórias! - pede Sereninha
—Depois minha boneca linda, terão o verão inteiro para ouvir histórias. Amanhã iremos para Búzios e vocês poderão aproveitar mais.
Marcos me ajuda a levar Enzo para o quarto, e o colocamos na cama.
Eu pego seus remédios e o dou.
—Toma filho!
—Obrigado ,babbo!
Ele bebe e volta a dormir,meu coração dói ao lembrar que o tratava daquela forma quando criança e que por minha culpa ele ficou assim. Seco minhas lágrimas e o acarico os cabelos negros.
—Eu te amo, filho!
Ele me escuta.
—Eu sei babbo,eu também te amo!
Vocês se lembram?
●Antônio Piazzi se tornou aquele juiz que perseguia os Paolli por rancor após ser abandonado por Antonella. Seu filho foi morto por Sarah,irmã da Charlotte, em uma boate. (livro: A família Paolli:Nova Geração)
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Kely Cardoso
Caramba, ainda bem que vc @Alessandra Bizarelli , só resolveu escrever esse livro agora. Se eu lesse essas partes no primeiro livro, eu iria odiar o Rafael.
Mas ele colocando o Enzo pra dormir e dando remédio para ele foi lindo.
2025-03-15
5
Norma Sueli Fernandes
O Enzo teve todos os motivos para ser rebelde. Mas só precisava de amor, graças a Deus encontrou Serena depois do relacionamento com martina
2025-03-19
0
Daniela Dias
a história como sempre maravilhosa, todas as histórias dos Paoli são muito boa
2025-03-16
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