Após o breve elogio de Nicolas, Clara não conseguia afastar o pensamento de que algo mais profundo estava em jogo. O CEO era uma presença constante em sua mente, cercado por uma aura de mistério que a fazia questionar o que realmente o motivava. Ela o via caminhando pelo escritório, sempre firme, decidido e inabalável, mas havia algo nos seus olhos que sugeria mais. Algo escuro, uma sombra que ele carregava, e Clara não podia evitar a curiosidade que aquilo lhe despertava.
Naquela tarde, ao retornar ao escritório, Clara foi abordada por Lucas, um dos analistas mais antigos e conhecido pela língua afiada e o jeito descontraído. Ele se inclinou na mesa dela, seu tom amistoso, mas com aquele brilho nos olhos de quem guarda segredos.
"Então, já conheceu o chefe, não é?" Lucas perguntou, um sorriso malicioso brincando nos lábios. "O que achou do nosso querido Nicolas Monteiro?”
Clara deu de ombros, tentando disfarçar o impacto que ele havia causado nela. "É… Intenso," respondeu, escolhendo a palavra com cuidado.
Lucas soltou uma risada curta. "Intenso é pouco. Dizem que ele passou por muita coisa para estar onde está. Teve que tomar algumas decisões... difíceis. Esse mundo corporativo não perdoa."
Clara ficou intrigada. Sempre ouvira falar do CEO de forma enigmática, mas nunca com tantos detalhes. "Como assim? Que tipo de decisões?"
Lucas a olhou com uma expressão misteriosa, como se estivesse pesando o que deveria dizer. “Bem, dizem que ele perdeu alguém muito importante. Não é algo que ele comenta, mas quem sabe, sabe. E, depois disso, ficou ainda mais fechado, determinado. Nicolas é daqueles que fariam qualquer coisa pelo que querem, sabe?”
Essas palavras ficaram na mente de Clara. Ela conhecia pessoas que almejavam o sucesso, mas nunca alguém que parecia viver para isso, como Nicolas. Quando o encontrou novamente, mais tarde naquela semana, Clara notou que a expressão dele parecia ainda mais dura, os olhos mais sombrios, e sentiu que talvez aquela fosse a razão pela qual ele evitava proximidade com todos.
Em uma das reuniões menores, Nicolas foi mais direto, chamando-a para falar sobre alguns detalhes importantes do projeto no qual ela trabalhava. Ele fazia perguntas incisivas, parecia buscar uma precisão inatingível, e Clara se esforçava ao máximo para acompanhar, determinada a não decepcioná-lo.
“Clara,” ele começou, olhando-a diretamente, “o mundo em que estamos não tolera erros. Ou você entende isso agora, ou nunca vai entender.”
As palavras dele tinham uma força fria e direta que fazia Clara entender que ele não falava apenas do trabalho. Era como se aquelas palavras fossem um reflexo de sua própria vida. Por um momento, ela o encarou, o coração disparado, mas determinada a não se deixar abalar. Respondeu com firmeza, com uma segurança que talvez não sentisse totalmente, mas que ele parecia esperar dela.
“Eu entendo, senhor Monteiro,” respondeu Clara, olhando diretamente para ele. “Estou pronta para fazer o necessário.”
Por um instante, ele a observou em silêncio, e então seu semblante suavizou, como se visse nela um traço que o lembrasse de algo ou alguém. "Espero que sim," disse, em um tom que quase soou gentil. E com essas palavras, ele se virou e deixou a sala, deixando Clara mais uma vez com a sensação de que Nicolas carregava algo muito além das responsabilidades de um CEO.
A noite chegou, e Clara permaneceu no escritório revisando os documentos até tarde, determinada a entender cada detalhe que pudesse impressionar Nicolas e provar a si mesma. Quando todos já haviam partido, Clara decidiu pegar um café. Enquanto caminhava pelo corredor deserto, ouviu vozes vindo de uma sala ao lado, e o nome de Nicolas sendo sussurrado. Eram Sofia e outro executivo, trocando comentários em voz baixa.
“Ele ainda não superou aquela história, você sabe disso,” dizia Sofia, num tom frio. “Ele acha que engana todo mundo, mas é questão de tempo até que toda essa máscara de CEO perfeito desmorone.”
O outro executivo riu, concordando. “Se ele não resolver as coisas do passado, a empresa pode acabar pagando o preço.”
Clara se apressou, sentindo um misto de choque e compaixão pelo chefe. Aquele comentário reforçava tudo o que ela vinha percebendo. Havia uma dor não resolvida em Nicolas, algo que ele escondia dos outros e talvez de si mesmo, mantendo-o preso em uma solidão que transparecia em cada decisão impiedosa que ele tomava.
Ao retornar à sua mesa, Clara sentiu-se ainda mais determinada a se provar naquele mundo e, de certa forma, ser uma peça confiável para Nicolas. Algo nela queria romper aquela barreira, saber mais sobre o homem por trás do título de CEO. Era um desejo perigoso, mas que ela não conseguia conter.
No entanto, Clara sabia que, se quisesse se manter naquele mundo, teria que se preparar para enfrentar Sofia e aqueles que olhavam com desconfiança para a posição que, aos poucos, ela começava a conquistar. E, no fundo, uma pequena parte de si desejava que Nicolas a notasse, não apenas como uma funcionária, mas como alguém que poderia entender os sentimentos que ele escondia.
Ao deixar o prédio, Clara olhou para o alto, observando as luzes da cidade que pareciam brilhar como promessas inalcançáveis. Ela sabia que o caminho não seria fácil, mas algo dentro dela dizia que, naquele universo de intrigas e poder, ela encontraria algo mais do que carreira — talvez encontrasse a si mesma.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Binha
que mistério 🤔
2024-10-28
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