O jovem caminhava pela floresta há horas, tentando seguir a luz do sol que se filtrava pelas árvores. A exaustão física e mental o dominava, mas ele sabia que precisava continuar. Quando já não tinha mais forças para prosseguir, ouviu o som de vozes ao longe. Ao avançar mais um pouco, viu uma equipe de resgate se aproximando, vasculhando a floresta. Eles o viram e correram em sua direção.
— Aqui! Ele está aqui! — um dos membros da equipe gritou.
Em pouco tempo, cercaram-no, verificando seu estado com olhares perplexos e preocupados.
— Você está bem? Como não está ferido? — uma mulher da equipe perguntou, claramente surpresa com a aparência intacta de Shion, considerando o acidente brutal.
Ele balançou a cabeça, ainda atordoado pela mistura de alívio e inquietação.
— Qual é o seu nome? — outro membro questionou, enquanto os outros o ajudavam a se sentar e verificavam a sua temperatura.
O jovem hesitou por um momento. O seu nome estava nos documentos do ônibus, mas de alguma forma, ele sentiu que precisava marcar um ponto de virada. Algo dentro dele o impulsionava a ser mais cauteloso sobre o que revelaria, especialmente sobre o que acontecera naquela caverna.
— Meu nome é Shion — disse ele, sua voz calma e firme.
Os resgatistas trocaram olhares, notando a tranquilidade dele, apesar de tudo.
— Você se lembra de algo? Do acidente? Está com dor? — continuaram, as perguntas vindo uma após a outra, enquanto eles procuravam explicações para sua condição aparentemente milagrosa.
Shion sabia que não podia falar sobre a criatura ou o lugar misterioso onde havia sido curado. Se mencionasse a caverna, a fonte e a criatura, eles poderiam vê-la como uma ameaça. Os humanos não entenderiam. Podiam tentar capturá-la ou estudá-la, destruir a magia e a paz que ele encontrara.
— Eu… não me lembro de muito — respondeu, desviando o olhar. — Só lembro do acidente e depois… vagando na floresta.
.....
A equipe de resgate parecia satisfeita com a resposta superficial, mas a expressão deles ainda mostrava incredulidade. Não havia como ele sair daquele acidente ileso. A equipe continuou a bombardeá-lo com perguntas: se ele estava com dor, se precisava de mais cuidados. Mas Shion mantinha sua história simples, evitando qualquer menção ao que realmente havia acontecido.
Eles o ajudaram a levantar e o levaram para fora da floresta. Cada passo de volta ao mundo real parecia mais difícil. Ele sabia que aquela criatura ainda estava lá, e parte de si desejava nunca ter que deixá-la, ou pelo menos, voltar a agradecê-la de verdade.
......
Enquanto era levado de volta, as memórias da caverna e do lago cintilante enchiam sua mente. A paz daquele lugar contrastava fortemente com a agitação ao seu redor, o barulho das sirenes e as vozes dos paramédicos.
"Eu nunca poderei contar a verdade", pensou Shion. Não importava quantas perguntas fizessem, aquele segredo ele levaria consigo. Ele se sentia diferente agora, como se parte daquela magia tivesse ficado gravada em seu ser.
Ao ser colocado na ambulância, Shion olhou pela janela, para a floresta que começava a desaparecer à distância, sabendo que parte de seu coração sempre pertenceria àquele lugar misterioso.
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Atualizado até capítulo 47
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