O jovem, ainda à beira da caverna, sentia o coração dividido entre dois mundos. Olhava para a floresta e sabia que, eventualmente, precisaria voltar para casa, retomar a vida que deixara para trás no acidente. Mas cada vez que pensava em dar o primeiro passo, o medo o segurava. E se, ao sair dali, ele nunca mais pudesse encontrar esse lugar novamente? Esse sentimento o mantinha preso. Ele precisava fazer algo antes de partir, precisava agradecer, precisava encontrar aquele que o salvara.
Decidido, ele se levantou e olhou ao redor da caverna, observando os detalhes com mais atenção. A suavidade do musgo nas paredes, o brilho das flores flutuantes sobre a água, o silêncio acolhedor que preenchia o ar. A criatura que o havia resgatado deveria estar por perto. Ele precisava encontrá-la. Com passos cautelosos, começou a caminhar pela caverna, explorando seus cantos escondidos.
.......
Após alguns minutos caminhando pelo interior da caverna, ele notou um pequeno túnel na parede do fundo, parcialmente coberto por videiras. Curioso, e sentindo que aquilo poderia ser uma pista, ele afastou a vegetação e entrou. O túnel era estreito, mas logo se alargou, revelando uma câmara menor e ainda mais luminosa do que o resto da caverna. O chão era coberto por uma fina camada de grama macia, e no centro havia uma pequena fonte, com águas ainda mais brilhantes do que as do lago.
Mas o que realmente chamou sua atenção foi a figura parada ao lado da fonte. Era a criatura que o havia salvo. Agora, à luz suave da câmara, ele pôde vê-la com mais clareza. Tinha uma forma humanóide, mas seus traços eram delicadamente misturados com elementos naturais — a pele era translúcida, com um brilho sutil que lembrava a luz da lua, e seus olhos refletiam a mesma luminosidade das flores flutuantes.
Ela olhava para ele em silêncio, como se já soubesse o que ele queria dizer.
— Foi você… quem me salvou? — o jovem perguntou, sua voz suave, quase reverente.
A criatura inclinou a cabeça levemente, como se confirmasse, mas não falou.
— Eu… eu só queria agradecer — ele continuou, dando um passo à frente. — Eu estava perdido. Se não fosse por você, eu provavelmente estaria… — Ele hesitou, sentindo a gravidade da situação pesar em suas palavras. — M-Morto.
A criatura o observou com atenção, seus olhos profundos. Então, sem dizer uma palavra, estendeu a mão, apontando para a bandeja de cristal e o roupão que ele havia encontrado naquela manhã. O jovem entendeu o gesto como um sinal de cuidado e acolhimento, e seu peito se aqueceu de gratidão.
— Eu não sei como posso retribuir isso... Mas preciso voltar. Minha vida, meu mundo... — Ele parou, sentindo o peso das próprias palavras. E se nunca mais pudesse retornar a esse lugar?
A criatura, como se compreendesse seus pensamentos, ergueu a mão lentamente, apontando para a entrada da caverna. Mas antes que ele pudesse sair, ela fez um último gesto: uma espécie de círculo com a mão, e, em seguida, apontou para o coração dele. O jovem franziu o cenho, sem entender de imediato, mas algo lhe dizia que ela estava dizendo que esse lugar estaria sempre com ele, onde quer que fosse.
.......
O jovem, agora mais decidido, sabia que precisava partir. Ele deu uma última olhada para a criatura, tentando memorizar cada detalhe, e disse, com o coração apertado:
— Obrigado, por tudo.
A criatura não respondeu, mas deu um passo atrás, voltando para a sombra da câmara, como se já soubesse que era a hora dele ir. O jovem hesitou por um momento, com o medo de que ao atravessar a floresta ele jamais voltaria a ver aquele lugar ou a criatura novamente. Mas, com o coração pesado e um novo senso de propósito, ele se virou e começou sua caminhada pela floresta.
Cada passo o afastava do lugar que o salvara, mas ele sabia que sempre carregaria aquele mistério em seu coração. Enquanto caminhava pela densa mata, o sol começava a atravessar as copas das árvores, e ele sentiu que estava no caminho certo para casa, mas, ao mesmo tempo, uma sensação estranha de que algo mágico sempre estaria esperando por ele, se ele um dia voltasse.
E assim, o jovem partiu, sabendo que, de alguma forma, aquele lugar e aquela criatura estariam para sempre ligados a ele.
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Atualizado até capítulo 47
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