Liandra Tavares.
—Senhorita Tavares.
diz a mulher, estreitando os olhos.
Ela parece uma pessoa que não gosta de perder tempo, e acha que é exatamente o que eu sou.
Eu queria que ela não estivesse certa.
—Presente.
Eu disse enquanto me levantava. Presente?
Está tirando uma com a minha cara, Liandra?
Já é ruim o suficiente que eu pareça estar saindo do ensino médio, e ainda me comporto assim?
A mulher só revira os olhos antes de virar e ir embora. Pego a velha pasta do meu pai, que está atualmente vazia, e me apresso atrás dela.
—Boa sorte.
Diz a recepcionista, sorrindo para mim
enquanto eu corro passando por ela.
—Obrigada.
Eu respondo respirando fundo. Eu vou precisar.
É a minha primeira entrevista de emprego e não faço ideia do que estou fazendo. Tudo que sei sobre esta empresa é o nome.
Engenharia Gurgel. Nem devia estar aqui. Minha mãe solicitou esta entrevista para ela, mas quando não conseguiu sair da cama esta manhã, eu vesti as roupas dela, agarrei a pasta velha do meu pai (uma das poucas coisas que ele nos deixou, além de todas as suas dívidas) e fui eu mesma.
Estou farta de ter o senhorio me parando no corredor para me lembrar que estamos três meses atrasadas no aluguel, e que existem outras maneiras de pagar.
Estou farta de ter que roubar na mercearia, estou farta de usar meias que se parecem com queijo suíço, mas, mais do que tudo, estou cansada de sentir que somos exatamente o que meu pai disse que éramos antes dele ir embora: inúteis.
Me recuso a acreditar que ele estava certo.
O escritório é lindo, com vigas antigas e grossas correndo até o teto alto. Todo mundo está vestido tão bem que eu me sinto fora de lugar na minha saia preta desbotada e uma blusa que está apertada demais.
Meu estômago está repleto de borboletas enquanto eu ando pelo corredor e olho para fora da janela.
Estamos no quadragésimo segundo andar e a vista do Rio de Janeiro é incrível daqui. Aqui, tudo é incrível. Até o tapete debaixo dos meus pés, é grosso e suave, e me faz querer me enrolar debaixo da mesa e dormir sobre ele.
A mulher nunca olha para trás enquanto caminha poderosamente pelo corredor, provavelmente na esperança que eu tivesse me perdido no caminho e decidido voltar para casa.
Adoraria sair daqui, onde não me encaixo em nada, mas o desespero me faz ficar.
Damos a volta em outro canto do escritório antes de passar por uma grande sala, onde uma reunião está acontecendo.
Um homem está de pé na cabeceira da grande mesa, conversando com uma dúzia de pessoas que estão ouvindo atentamente.
Tento manter meus olhos nos meus sapatos desgastados, mas sinto olhos em mim, e eu tenho uma vontade súbita de olhar para cima.
O homem na cabeceira da mesa está me encarando intensamente. Um tremor quente me atravessa enquanto olho para o seu maxilar forte que está coberto com a quantidade perfeita de barba.
O cabelo dele está jogado para o lado, cada fio meticulosamente no lugar, parece que ele controla tudo, até os seus cabelos.
As borboletas no meu estômago realmente começam a ficar loucas quando eu me pergunto por que ele está me olhando
assim.
Meu coração começa a bater quando eu percebo que ele não fala mais. A reunião está suspensa enquanto passo pela sala.
Ele deve estar se perguntando por que uma impostora está andando pelos corredores do seu reino.
Ele está chateado que eu estou aqui.
Seus olhos me seguem enquanto eu ando, o pescoço girando sobre o seu corpo congelado.
Minhas bochechas estão tão quentes que eu estou preocupada que os sprinklers no teto vão acionar e nos dar um banho.
Ele deve ser o chefe. Autoridade e poder irradiam por todos os poros do seu corpo.
Eu posso sentir isso, mesmo não estando na mesma sala.
Seu corpo grande e musculoso exala controle e dominação. Seu terno sob medida parece pintado em seu corpo, abraçando seus braços fortes e me fazendo engolir com força.
Meus olhos voam rapidamente para a tatuagem nas costas de sua mão que é sexy
pra caralho.
Ele não se parece com o que eu considero o tipo corporativo, mas, novamente, não sei nada sobre esse mundo.
Me formei na escola há alguns meses.
Ele desaparece da minha vista quando eu passo pela sala, e uma sensação imediata de perda atinge meu núcleo como um soco no estômago.
—Vamos, senhorita Tavares.
A mulher diz, olhando para mim com olhos estreitos.
—Tenho outras entrevistas para fazer, e eu quero acabar com isso rapidamente.
Minhas bochechas ficam ainda mais vermelhas quando eu abaixo minha cabeça para segui-la.
Ela abre a porta do seu escritório e me dá um sorriso frio enquanto me deixar entrar.
Náusea rasteja em minha garganta quando sento na cadeira de couro luxuosa na frente de sua mesa.
Ela balança a cabeça quando fecha a porta, xingando algo sob sua respiração que eu
não posso ouvir.
Não vou mentir, estou muito feliz que não ouvi.
—Bem, isso é interessante.
Ela diz olhando o currículo da minha mãe, andando até a mesa e sentando-se.
—Dez anos de experiência como caixa. Seis anos trabalhando como garçonete em uma lanchonete. Diga-me Senhorita Tavares. Começou a trabalhar quando você usava fraldas?
Meu corpo endurece na cadeira quando os olhos dela vêm como dardos para mim, estreitando-se violentamente.
Era minha mãe que devia estar sentada nesta cadeira, não eu.
Mas ela sofre de depressão grave desde que meu pai a deixou no ano passado, e alguns dias não consigo tirá-la da cama. Hoje foi um desses dias.
Decidi tomar o lugar dela e fazer o que meu avô costumava dizer: Fingir até onde você conseguir. Embora, neste momento, acho que ele deve mudar para: Fingir até você vomitar.
—Acho que você pode ter o currículo errado.
Digo, engolindo duro enquanto eu pego minha pasta e a coloco no meu colo. Eu rio nervosamente enquanto eu forço a abertura da trava enferrujada que sempre emperra para abri-la.
—Acho que tenho outro aqui em algum lugar.
Ela não consegue ver o que tem dentro, então eu finjo que estou irritada com os papéis, quando tudo que estou fazendo é limpar as teias de aranha na velha pasta vazia.
—Qual é seu nome verdadeiro?
Indaga, não comprando minha pequena mentira.
— Liandra Tavares.
Respondo lentamente, fechando a pasta
quando eu olho para ela.
—Por que você está desperdiçando meu tempo, Liandra?
Ela indaga enquanto se inclina na cadeira e cruza os braços.
Ela não parece feliz. Tem olheiras profundas e parece que as tem há muito tempo. Há uma foto emoldurada de dois cães na sua mesa,
mas não há imagens de um marido ou namorado. Talvez se ela sorrisse mais, tivesse um.
—Peço desculpas pela confusão, senhora...?
Eu espero para que ela me diga o nome dela, mas ela só olha para mim, me deixando sentada lá desconfortavelmente.
—Posso não ter uma tonelada de experiência.
Eu disse.
—Ou alguma experiência.
Ela resmunga.
—Ou alguma experiência.
Continuo.
—Mas eu sou muito esforçada, e eu vou aparecer na hora certa todos os dias.
Ela descruza seus braços e se inclina para frente. Ela cheira como uma colônia que minha avó costumava comprar.
—Isto é uma empresa seria.
Ela diz como se eu não soubesse.
—Nós somos a melhor empresa de engenharia do Brasil. Top 5 dos estados. Top vinte no mundo. Nós construímos alguns dos mais famosos edifícios e estruturas do mundo. Exigimos um pouco mais do que a pontualidade ao contratar um candidato.
—Eu tenho uma pasta.
Digo, rindo nervosamente enquanto eu a levanto, mostrando a ela o canto desgastado.
Ela não acha o meu senso de humor divertido.
—Obrigada por vir e me fazer perder tempo, Liandra.
Ela diz enquanto amassa o currículo da minha mãe em uma bola e joga na lata de lixo. Estou secretamente emocionada quando ela erra.
—Na verdade.
Digo, começando a entrar em pânico quando ela se levanta.
— Era minha mãe que devia ter vindo.
—E ela te mandou.
Ela diz, zombando de mim.
— Adorável.
— Você acha que podemos remarcar para amanhã?
Pergunto, já sabendo a resposta.
—Ela seria uma ótima secretária.
A mulher ri. Bem, é mais como uma risadinha triste do que uma risada.
—Acho que já sabemos tudo o que precisamos saber sobre você e sua mãe. Nós chamaremos você se estivermos interessados.
Toda a energia se apaga do meu corpo enquanto ela se levanta. Minhas pernas estão fracas e há uma dor no meu peito quando os batimentos cardíacos ficam lentos.
Eu fecho meus olhos, lutando contra as lágrimas ardentes que estão tentando
desesperadamente cair.
Não chore na frente dela. Por favor, não chore na frente dela.
—Talvez o abrigo para pessoas sem-teto na rua seja mais adequado para você.
Ela diz, gostando de ver minha dor.
—Eles estão contratando?
Pergunto, levantando as sobrancelhas com esperança.
Ela ri.
—É hora de ir, Liandra.
Eu respiro fundo e me levanto quando a porta se abre, me fazendo ofegar. O homem da reunião com o olhar feroz e mão tatuada entra, seus olhos escuros se bloqueiam em mim.
Os cabelos na parte de trás do meu pescoço se arrepiam enquanto eu olho para ele com surpresa.
Ele é enorme. Achei que ele parecia grande na sala de conferências, mas ele parece
absolutamente gigante no pequeno escritório.
Sua mandíbula está cerrada quando ele olha para baixo, para mim, com olhos aquecidos. Ele parece nervoso, ou irritado, não consigo dizer.
Ele está dando suspiros profundos, e aposto
que seu coração está batendo ainda mais rápido do que o meu.
—Sr. Gurgel.
Diz minha atormentadora, se arrumando
enquanto ela olha para ele. Ele nem sequer olhou para ela.
—Vou terminar a entrevista no meu escritório.
Ele disse em uma voz firme e dominante que envia um calafrio correndo através de meu corpo.
—Eu não acho que isso seja necessário, Sr. Gurgel.
A mulher diz, acenando uma mão desdenhosa para mim.
— Ela não tem experiência suficiente, e não acho que ela seria um ajuste apropriado.
Ele parece irritado quando tira os olhos de mim e se vira para ela como se estivesse chateado, por que ela o faz olhar para outro lugar além do meu corpo dormente.
— Vou levá-la para o meu escritório e ver se ela é um ajuste apropriado.
Os olhos dele caem em minha saia enquanto ele diz as duas últimas palavras, e minha boc&ta pulsa em resposta. Soou tão sexual, mas provavelmente foi apenas algo na
minha cabeça.
—Sr. Gurgel.
Diz a mulher, sem saber quando calar a
boca.
— Ela não tem experiência.
— Perfeito.
Ele sussurra, lambendo os lábios quando me
olha, como se ele fosse um lobo faminto olhando para um cordeiro.
— Eu gosto dela intocada e inexperiente.
Há uma agitação em meu peito que fica incrivelmente quente no pequeno escritório.
A mulher está desesperada para me tirar deste edifício. Ela pega um punhado de currículos da mesa e empurra-os para ele.
—Aqui estão as 20 candidatas mais qualificadas que seriam mais do que...
— Sandra!
Ele praticamente grita, virando-se para ela com um olhar que faz com que ela dê um passo para trás.
Seu pescoço grosso está tenso e avermelhado. Ele agarrou meu braço em um
aperto possessivo, segurando-me como se ele nunca fosse me deixar ir.
—Eu quero ela.
Sandra não olha para ninguém, mas ela acena para cima e para baixo rapidamente com a boca fechada em uma linha reta.
Sem mais uma palavra ele me puxa para fora do escritório, agarrando meu bíceps com sua poderosa mão tatuada.
Eu estiro língua para ela enquanto saímos. É imaturo e exatamente o que Sandra esperaria de mim, mas eu não me importo.
O homem está agindo como um bárbaro em um terno sob medida, me puxando tão rápido que eu tenho que correr para segui-lo no corredor.
Tenho certeza que se eu cair ele iria continuar me arrastando.
—Sr. Gurgel.
Alguém diz, colocando a cabeça para fora de
uma sala que passamos.
—Pode assinar...
—Mais tarde.
Ele rosnou. O cara fica em estado de choque
quando ele olha do Sr. Gurgel para mim.
O Sr. Gurgel não diminui um passo enquanto ele invade o escritório, me puxando junto com ele.
Eu engulo duro quando chegamos a uma sala enorme que é maior que o apartamento que eu moro.
Há uma mulher mais velha e parece que ela está prestes a se aposentar sentada em
uma mesa grande do lado de fora.
Acho que ela é sua secretária pessoal.
Ela oferece um post-it quando ela o vê chegando.
—Sr. Ronald chamou e está pronto para finalmente fechar o negócio.
Diz ela, olhando emocionada ao dar ao chefe uma boa notícia.
Ele só passa por ela e abre a porta dele.
—Segure todas as minhas chamadas.
Ele grunhe enquanto me puxa para o
escritório.
— Certifique-se de que não seremos incomodados.
Eu engulo com força enquanto ele fecha a porta e corre para as persianas penduradas sobre as enormes janelas que estão no
escritório.
—Senta.
Ele ordena quando fecha cada uma delas.
Meu pulso dispara quando eu vejo o rosto chocado da secretária desaparecer por trás de uma persiana fechada.
Sento-me em uma cadeira em frente a sua mesa maciça, tentando não parecer tão nervosa como eu me sinto.
Quando a porta está trancada e as persianas fechadas, e ele está satisfeito que ninguém pode nos ver, ele lentamente tira seu casaco e o coloca dobrado no sofá de couro preto ao longo da parede.
Minha respiração está presa na minha garganta enquanto eu o assisto lentamente e meticulosamente rolar as mangas da camisa sobre seus antebraços tatuados, uma de cada vez.
—Agora.
Disse em uma voz suave e controlada enquanto caminha até a mesa em frente a mim e inclina-se contra ela.
—A entrevista de verdade vai começar.
Eu engulo quando eu olho para baixo e vejo seu p@u duro como rocha saliente contra o interior das calças.
—E...
Ele diz, olhando para minha boc&ta que está ficando mais molhada a cada segundo.
—Nós vamos descobrir se você é um ajuste apropriado.
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Atualizado até capítulo 113
Comments
Grace 🌻🌷
🤣😂🤣😂😅 infantil
2025-02-17
0
Jane Silva
eita 🥵🥵🥵🥵🥵
2025-01-10
0
lua
adorando/Applaud//Applaud/
2024-10-03
9