Quando minha mãe descobriu que eu me recusava a falar nas sessões, usou a melhor arma que tinha. A chantagem emocional.
_ Eloá, quer me ver arrasada? Como posso ajudar a minha única filha se ela é tão teimosa?
Eu detestava ver a minha mãe triste e prometi que faria o que ela quisesse.
Na próxima sessão, eu olhei bem para a minha psicóloga e tive vontade de enganá-la.
_ Não existe mais o sigilo entre paciente e médico.
_ Existe sim.
_ Não é o que parece. Como a minha mãe ficou sabendo que fiquei calada nas primeiras sessões?
_ Ela perguntou como você estava. Eu apenas disse que ainda não sabia dizer.
_ Eu estou bem. Não preciso de terapia. Na verdade já sei o que quero.
_ E o que faz você pensar que está bem?
_ Eu não penso. Estou bem. O problema não é você.
_ Eu sei disso. E não é você. Não estou aqui para apontar problemas, Eloá. Estou aqui para ouvir.
_ Mas eu não quero falar.
_ Por que? Não lhe passo confiança?
_ Não é isso. Acordei com uma vontade hoje. E talvez depois eu possa fazer essa terapia.
_ Eloá, você sabe que a terapia foi recomendação do seu médico?
_ Sim. E muitas vezes deixei de tomar remédios receitados por ele.
Quando a psicóloga viu que Eloá não iria mudar de ideia, juntou as suas coisas e saiu. Os pais dela estavam na sala e se levantaram ao mesmo tempo.
_ Aconteceu alguma coisa, Andréa?
_ Desculpe Julia. Eloá me dispensou. É melhor conversarem com ela. Parece que tem outros planos.
Depois que a psicóloga foi embora, Eu apareço sorrido na sala.
_ Eu sei que estão preocupados. Podem estar até bravos. Mas eu não quero terapia. Eu vou fazer uma coisa que sempre sonhei.
_ Podemos saber o que?_ Greg pergunta com o semblante fechado _ a terapia é recomendação médica.
_ Eu sei papai. Não se preocupe. O que quero fazer é uma terapia alternativa. Quero viajar para a Sardenha.
_ Viajar?_ Perguntam os dois juntos _ não acha cedo demais Viajar agora? Você ainda está frágil.
_ Eu sei mamãe. Mas ontem assisti um filme. E sonhei com a Sardenha. Sabem que sempre quis ir lá.
_Sim. Mas você pode ir depois. Primeiro faça a terapia.
_Mamãe, eu não me sinto segura em fazer terapia com a sua melhor amiga, pois sei que você sempre consegue fazê-la falar.
Greg olha sorrindo para a esposa. Era exatamente por isso que ela tinha escolhido Mary.
_ Eu prometo a vocês que farei terapia lá.
_ Então você vai demorar lá?
_ Pretendo morar lá. Sei que tem um castelo maravilhoso numa comuna que está precisando de designer de interiores.
_Mas minha filha, é tão longe!_ Choraminga a mãe_ você sabe que não consigo ficar muito tempo sem te ver.
_ Mamãe, a senhora quer que eu siga a minha vida, não é?_ A mãe assentiu_ e eu vi como quero seguir.
_ Meu bem. Eloá está certa. Vejo o brilho de desafio nos olhos dela. Vamos incentivar. E podemos sempre ir visitá-la.
Eu abracei o meu pai e fiz cócegas na mãe até vê-la sorrindo. Depois fomos almoçar.
Depois subi para o meu quarto e enviei o meu currículo para o hotel. E era só torcer agora.
Heloisa passou na minha casa e ao ficar sabendo, não gostou muito da ideia.
_ Você tem certeza que está bem para enfrentar esse desafio Eloá?
_ Tenho. Você sabe como tinha essa vontade de viajar e principalmente para a Sardenha.
_Viajar é ótimo. Mas morar numa comuna?
_ Eu andei olhando fotos e vídeos e já estou apaixonada pelo lugar.
_ Espero que esteja fazendo a coisa certa.
Depois que Heloisa foi embora, para se trocar pois iríamos ao shopping, eu fiquei deitada olhando para o teto.
💭 lembranças on
Era o último ano na faculdade e eu fui praticamente arrastada por Heloisa para uma festa numa fraternidade. Estava cheio e preferi ficar na varanda. Bebia um refrigerante quando ouvi uma voz suave.
_ Está perdida?
_ Não. O barulho está muito e me incomoda.
Ele sorriu e perguntou se poderia sentar-se perto de mim. Eu dei de ombros.
_ Oi, eu sou Karl. Fraternidade Beta.
_ Prazer, Eloá, fraternidade Lótus.
_ É caloura?
_ Não. É meu último período.
_ Nunca a vi. Eu também estou no último período. Curso advocacia. E você?
_ Designer de interiores.
_ Você foi ao jogo hoje?
_ Não curto jogos. Fiquei estudando.
_ Então está explicado. Eu geralmente sou famoso e fiquei encucado por não mostrar entusiasmo ao me apresentar.
_ Desculpe. É famoso?
_ Sim. Sou o melhor quarterback do time de Harvard.
_ Parabéns. Mas nem sei o que é isso.
_ Não tem problema. O importante é nós nos conhecermos.
Desde então no tornamos um casal. E por isso tive problemas com as fãs de Karl. Vivia sofrendo trotes e uns eram humilhantes. Karl ameaçou sair do time se continuasse.
Assim tive sossego e engatamos um namoro. Os meus pais ficaram encantados com Karl, que soube ser educado e galanteador. Eu não tive essa sorte com os pais de Karl. Eles queriam ver o filho se tornar um jogador de futebol profissional.
O namoro foi se tornando sério. Mas eu não me entregava e Karl respeitou. Quando terminamos a faculdade, começamos os planos para o casamento.
Eu deveria ter aberto mais os olhos.
💭 lembranças off
Mais tarde, abri o notebook, mas ainda não havia resposta. Eu tinha um compromisso com a minha mãe e Heloisa. Fazer compras no shopping. Fomos e mesmo com muitas sacolas, eu não estava muito animada.
Quando chegamos em casa, tomei um banho. Desci para o jantar. Estava com um pouco de dor de cabeça e pedi licença.
No quarto abri o notebook e a resposta estava lá. A entrevista seria no dia seguinte em um escritório no centro de Nova York.
Não consegui dormir de tanta excitação e pela primeira vez não fui atormentada mais por lembranças.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Elis Alves
Começando....
A psicóloga é uma das melhores amiga da mãe da paciente? Ela não viu um conflito nisso?
2025-03-08
2
Flavia Felix
Mesmo a psicóloga sendo amiga da mãe dela, foi antiético oque ela fez.
2025-03-17
0
Elis Alves
Com certeza, nas primeiras palavras dele era pra ter fugido correndo
2025-03-08
0