Os jovens Ferreira lutavam com muita fúria, não sabiam como a senhorita Lauren havia chegado ali, mas sentiam um senso de dever que os obrigava a protegê-la. Tanto o conde quanto o ministro tentavam chegar junto a Dayana, já que a moça, por mais que demonstrasse ter muito boas habilidades e agilidade, havia decidido lutar contra um homem que triplicava sua massa muscular e força.
O líder dos mercenários estava cada vez mais furioso, a mulher que lutava com ele, não somente havia matado seus homens, mas parecia estar brincando com ele, a moça não perdia seu sorriso e havia conseguido esquivar-se com sucesso da maioria de seus ataques. Ainda assim, Dayana não era oponente para o líder dos mercenários, num descuido da moça este conseguiu ferir seu braço esquerdo e no processo fez com que soltasse sua espada, a jovem recuou e amaldiçoando o homem disse.
— Maldito bastardo... Não deveria ter feito isso.
Sem mais, tirou uma adaga de seu coxa e a lançou, conseguindo cravá-la em seu peito, logo o líder caiu ao chão cuspindo sangue e Dayana aproveitando isso pegou novamente sua espada e aproximou-se para lhe dar a estocada final, cortou seu pescoço e com um sorriso no rosto disse.
— Nos veremos no inferno...
Os irmãos Ferreira, que também haviam conseguido vencer seus inimigos, dirigiram-se até a jovem e ao ver que seu braço sangrava, o conde Cristian falou.
— Precisamos nos retirar...
Stefan — O melhor é nos reagruparmos e irmos para a fronteira norte o quanto antes, estamos em território hostil e não sabemos se mais homens chegarão...
Dayana — Muito bem, acabemos com eles e vamos para a fronteira...
Tanto o conde quanto o ministro iam repreender Dayana por sua insolência, mas logo viram como a moça foi ajudar os demais soldados. Cristian, ao ver que a senhorita Lauren parecia não temer ser assassinada, disse.
— Ela é louca, vai fazer com que a matem...
Stefan — Não é momento de nos distrairmos, primeiro saiamos desta e depois nós a matamos...
Sem mais, ambos voltaram à luta e quando os bandidos foram subjugados, os irmãos Ferreira os desarmaram e, tomando-os como prisioneiros, os amarraram todos em fila, para então levá-los consigo. Uma vez prontos para marchar, o ministro de guerra se aproximou de Dayana e pegando seu braço para revisar sua ferida, disse.
— Como se sente?
Dayana tentou se afastar, mas ao ver que o ministro não a soltava, respondeu.
— É apenas um arranhão, estou bem...
Stefan — Que bom que seja assim, me sentirei menos culpado ao algemá-la sabendo que sua ferida não é tão grave. — Sem mais, aplicou um golpe e levando ambos os braços para trás, amarrou seus pulsos com uma corda para então levá-la consigo até seu cavalo.
Dayana, assim que viu o que o ministro estava fazendo, tentou se soltar, mas este, sem dar-lhe oportunidade de conseguir, ignorou por completo seus gritos e apenas a levou consigo. Os demais soldados assistiam surpresos este ato, já que o ministro não era alguém que tratasse as damas dessa forma, mas ao ver o rosto de Stefan e vê-lo tão irritado ninguém ousava se aproximar dele.
O conde Cristian não estava diferente de seu irmão, ninguém entendia bem de onde aquela mulher havia surgido, nem por que os irmãos Ferreira pareciam ser tão próximos a ela, mas ao ver a maneira como a tratavam, decidiram que o melhor seria manter-se afastados dela.
Enquanto todos se dirigiam para as fronteiras, ao lado do caminho se depararam com vários corpos que pertenciam ao mesmo grupo de bandidos e ao ver isso Cristian olhou para a senhorita Lauren surpreso.
— Isto foi obra sua...
— Não me falem, não deveria ter ajudado, se soubesse que me trariam assim, teria deixado que... sabe que, ao diabo, soltem-me, voltarei à capital e...
Stefan — Você não irá a lugar algum, virá conosco. Não confio que não se meta novamente em perigo.
Dayana — Como deve ter notado, posso cuidar de mim mesma.
Stefan — O que vi foi a uma jovem muito irresponsável... O duque Milton havia me confessado suas intenções de fazer parte da guarda pessoal da princesa. Com este ato, o único que acaba de confirmar é que você não está qualificada para cuidar da segurança, nem dela, nem da sua...
Dayana — Não preciso de um sermão, só quis ajudar, é assim que me pagam? Muito bem, não preciso que me agradeçam... agora soltem minhas cordas e me deem um cavalo para voltar...
O ministro ignorou por completo Dayana e seguiu cavalgando em direção à fronteira.
À tarde, o pequeno esquadrão chegou à base localizada na fronteira norte e assim que chegaram os soldados que lá se encontravam levaram os prisioneiros aos calabouços. O capitão que estava encarregado da base ao ver que o ministro também havia algemado uma jovem, disse.
— Senhor, que bom que já estão aqui, permita-me levar a mulher às celas...
Dayana — ao ouvir isso, sorriu com arrogância e disse. — Não será necessário, assim que me desamarrarem irei embora...
O ministro não planejava encerrar a moça, apenas queria dar-lhe uma lição, já que, embora ela os tivesse ajudado, sabia que havia fugido de casa para estar naquele momento ali, planejava descansar um pouco e voltar com ela à capital para assim assegurar-se de que a senhorita Lauren voltasse em segurança, mas ao ver que esta não parecia estar arrependida de suas ações, disse.
— Levem-na com os demais, mas coloquem-na numa cela separada...
Dayana virou-se para ver o ministro, que a olhava seriamente e com a sobrancelha franzida, acrescentou.
— Você realmente pretende me encerrar?
Cristian, ao ouvir o que seu irmão dizia, aproximou-se tentando acalmar a ira de Stefan e disse:
— Irmão, a senhorita Lauren está ferida... não acha melhor atender sua ferida primeiro?
O ministro, ao ver quão desafiante Dayana se mostrava, sorriu de lado e acrescentou.
— A senhorita confessou que era apenas um arranhão, não creio que necessite tratamento...
Dayana, ao ver como este começava a caminhar em direção ao forte sem ouvir mais razões, sorriu e apenas deixou que o soldado a levasse junto com ele.
Cristian, por outro lado, seguiu seu irmão e pedindo uma explicação, disse.
— Não acha que está exagerando um pouco com isso? A senhorita Lauren só quis ajudar...
— Irmão, se você não está entendendo por que estou a encerrando, talvez ainda não esteja pronto para liderar seu próprio esquadrão. — Cristian suspirou e Stefan acrescentou — Quero que ela entenda que o que fez não foi correto, interveio em assuntos da corte, colocou em risco sua vida e interrompeu uma investigação imperial... sem mencionar os corpos que vimos e que possivelmente ninguém saiba que ela está aqui. Descansarei por hoje e amanhã partiremos novamente para a capital para levá-la de volta. Por enquanto que fique nos calabouços, que aprenda a lição e saiba que o que fez não merece nenhum prêmio, embora nos tenha ajudado... não era seu dever fazê-lo e quando chegarmos a Amatista deverá prestar explicações ao duque Milton...
Cristian conseguia ver que seu irmão estava verdadeiramente irritado, não entendia por que estava tão furioso com a moça, parecia que tinha algo contra ela, mas como ele era o líder, não podia contrariar suas ordens. O conde, sem querer continuar falando do assunto, dirigiu-se ao quarto que era seu quando estava na base e pedindo que preparassem um banho, tomou um duche e uma vez que se trocou de roupa saiu de seu quarto com destino à cozinha, queria levar algo de comer e beber à senhorita Lauren. Ele, diferentemente de seu irmão, estava agradecido à jovem e se não podia tirá-la dos calabouços, pelo menos se asseguraria de levar-lhe algo para comer.
Quando teve uma bandeja de comida em suas mãos dirigiu-se aos calabouços, ao chegar pôde notar que o guarda que custodiava a saída estava inconsciente no chão e rapidamente dirigiu-se às celas, ao ver que os bandidos estavam e a senhorita Lauren não... olhou para os homens e perguntou.
— O que aconteceu aqui? Onde está a mulher?
Um dos bandidos olhou-o desinteressadamente e respondeu.
— Não te diremos nada...
Cristian largou a bandeja e aproximando-se das grades conseguiu pegar a camisa do homem e apertando seu rosto contra os ferros, repetiu com os dentes apertados.
– Disse... onde está a mulher?
O bandido ao sentir a dor se queixou e quando não a suportou mais, respondeu.
– Ela se foi... fugiu.
Cristian soltou bruscamente o bandido e, ao ver que o soldado que estava no chão começava a se mover, aproximou-se dele e sacudindo-o para que acordasse mais rápido, perguntou.
— O que aconteceu? Onde está a senhorita Dayana?
— Eu... não sei. Só senti uma forte pressão no meu ombro e antes de poder reagir caí desmaiado.
Cristian, ao ouvir isso, levantou-se do chão e se dirigiu ao escritório de seu irmão; ao chegar, não bateu à porta e, chamando a atenção de todos os presentes, disse.
— Se foi... fugiu.
Stefan, que demorou a processar a informação que seu irmão lhe dava, ao entender de quem falava, disse.
— Não pode ter ido muito longe, veja nos estábulos se falta algum cavalo, eu irei com um grupo procurá-la pelos arredores...
Cristian olhou zangado para seu irmão e, dirigindo-se para os estábulos, xingou seu irmão por ter assustado a garota dessa forma. Stefan não estava diferente; se antes estava zangado, agora estava furioso e não só com Dayana, mas consigo mesmo, pois por seu orgulho não tinha permitido que o médico examinasse a garota e estava esperando se acalmar para ir falar com ela novamente.
Quando Stefan e seus homens vasculharam os arredores, perceberam que a mulher não estava por lá e voltaram para ver se o conde tinha tido mais sorte. Cristian, por sua vez, ao ver que não faltava nenhum dos cavalos, dirigiu-se para informar isso a seu irmão e quando ambos se encontraram novamente na entrada da base, um soldado chegou correndo e disse.
— A senhorita está no grande salão.
Os irmãos Ferreira franziram seus rostos e caminhando apressadamente dirigiram-se ao salão onde todos os soldados costumavam comer; ao chegar, viram Dayana rindo e comendo junto com os soldados, até que viram chegar o Ministro e todos se levantaram de seus lugares para dar-lhes seus respeitos.
Dayana, que estava de costas para a entrada, virou-se para ver de quem se tratava e ao ver os rostos distorcidos dos irmãos... sorriu de lado e dando a última mordida em sua coxa de frango disse.
– Desculpem amigos, mas acho que já vieram por mim.– Dayana levantou-se de seu assento e levantando suas mãos olhou com um sorriso para o ministro e acrescentou – Desculpem... mas eu estava com muita fome...
Stefan aproximou-se dela e, tomando-a pelo braço, arrastou-a para a saída, mas no caminho Dayana não suportou mais e batendo em sua mão disse
— Para... para... você está apertando minha ferida...
Stefan rapidamente a soltou e, ao ver que seu corte era mais profundo do que ela havia admitido, pegou seu outro braço e levou-a até seu escritório. Cristian, que vinha atrás de ambos, ordenou a um dos soldados que fosse buscar o médico que estava na base e se dirigisse ao escritório do ministro...
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Atualizado até capítulo 50
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