Capítulo 5 — Desconfiar do óbvio
Anelise não conseguia afastar da mente o rosto de Ethan Lancaster. Aquela manhã parecia um borrão confuso que se repetia em sua cabeça como um disco arranhado. Demissão sem aviso, expulsão sem motivo, rejeição sem explicação. Nada fazia sentido.
Sentada no sofá da sala, com as pernas dobradas junto ao peito e o cabelo ainda úmido do banho, ela fitava o vazio. Seus pensamentos se atropelavam, e a única certeza era que alguém havia mexido nos bastidores da sua vida, e esse alguém tinha nome e sobrenome.
Determinada, ela se levantou de repente como se estivesse em uma missão — e estava. Mal havia chegado à escada quando a porta se abriu. Nick entrou distraído, com uma sacola de comida em mãos.
— Oi! Já almoçou? — perguntou, com seu sorriso caloroso de sempre.
— Não... — ela respondeu, sem sequer erguer os olhos. A voz baixa e trêmula denunciava que algo estava errado.
— Comprei lanches, vem, estão quentinhos.
— Agora não. Eu preciso sair.
Nick franziu a testa, intrigado.
— Mas pra onde você vai?
— Aconteceu uma coisa… depois eu explico. — disse apressada, já subindo as escadas e desaparecendo no quarto.
Ela agarrou o celular com mãos nervosas e digitou:
💬Lay, está em casa?
💬Estou sim! O que foi?
💬 Estou indo agora, preciso da sua ajuda!
💬 Ok, tô te esperando.
Sem perder tempo, Anelise se vestiu rapidamente, prendeu os cabelos num coque bagunçado e saiu do apartamento antes que Nick pudesse fazer mais perguntas.
O apartamento de Layla ficava a poucos bairros de distância. Assim que Anelise chegou, foi recebida com a habitual sinceridade da amiga.
— Tá com essa cara de quem viu um fantasma. — Layla estreitou os olhos, cruzando os braços. — Que diabos aconteceu?
— Preciso encontrar uma pessoa. E só você pode me ajudar.
— Ahn... Isso tá cada vez mais interessante. Quem você tá procurando?
— Um homem. Ele me demitiu. Me expulsou da universidade. Tudo no mesmo dia. Eu nem sei o nome dele, mas sei que anda num Tesla preto.
Layla arqueou as sobrancelhas.
— Tesla? Uau. Quer dizer... alguém com esse carro provavelmente tem poder de fazer esse tipo de coisa. — Ela suspirou, pensativa. — Vamos pro escritório do meu pai. Os servidores de vigilância da cidade são vinculados lá. Com sorte, achamos alguma coisa.
Victor, pai de Layla, era CEO de uma empresa especializada em sistemas de segurança. Boa parte das câmeras da região metropolitana passava por seus servidores. O escritório, no décimo andar de um prédio discreto, estava vazio naquela tarde — um alívio para ambas.
Com alguns cliques, Layla acessou o sistema e buscou as imagens ao redor da universidade durante o horário que Anelise indicou. A tela logo se dividiu em quadros e registros de diferentes ângulos.
— Me diga quando ver o carro.
Foram longos minutos até que Anelise apontasse com firmeza:
— Ali! É esse! O Tesla preto! Dá pra seguir ele?
Layla sorriu.
— Dá sim. Olha você ali, ó... — murmurou, ampliando a imagem que mostrava Anelise se aproximando do carro. A gravação continuou, mostrando o momento em que o homem desceu, terno bem cortado, postura fria.
— É ele! — Anelise disse, o coração disparado.
Layla congelou o vídeo, aproximou o rosto e arregalou os olhos.
— Peraí... Isso é sério?
— O quê?
— Esse é o Ethan Lancaster! O novo CEO do Grupo Lancaster! Você não reconheceu?
Anelise franziu a testa.
— Nunca ouvi falar dele...
— Como assim? Ele é filho do Richard Lancaster, o fundador da indústria Lancaster Company. Não sabe? A industria que mais tem contratos com grandes hotéis, parques, shoppings e até prédios e aeroportos, e fornece de tudo!
— Não... Co- como uma pessoa dessas...? — Anelise estava atônita. — Céus! Quem são essas pessoas?!
— O- olha... isso é surreal! A família dele quase foi à falência há uns 15 anos, eu acho. Teve um escândalo gigante, mas conseguiram se reerguer dentro de alguns anos e de um ano para cá, eles ganharam muita força. — Layla não parava de falar, como se estivesse realmente impressionada com cada palavra do que dizia. — E esse cara aí, o Ethan, é o filho mais novo que assumiu a empresa com só vinte e seis anos! Frio, discreto... dizem que é brilhante. E perigoso. Como você se meteu com uma pessoa dessas?!
Anelise sentiu o estômago afundar.
— Lancaster... então é isso.
— Isso o quê? — Layla encarou a amiga, mas Anelise já se levantava.
— Eu preciso ir até a empresa dele. Preciso olhar nos olhos desse homem e entender por que ele está destruindo minha vida.
— Anelise, espera! Você tá agindo por impulso...
— Eu não tenho mais nada a perder. — disse, determinada.
— Li- Lise, espera! Tá de brincadeira?
Saiu antes que a amiga pudesse impedi-la. Aquela não era mais apenas uma busca por respostas. Era o início de um confronto que mudaria tudo.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Cristina Cazatti
nossa coitada
2022-10-24
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Esdeath
mds eu di uma espiada no proximo titulo.... e meeeuds kkkk
SE VENDA PRA MIM
2020-07-13
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