Era domingo às sete da manhã, Thais acabara de chegar em casa e estava tão ansiosa por levar sua avó e sua sobrinha para almoçarem fora, que não estava sentindo o cansaço de ter ficado a noite toda em pé, ignorava a dor e os pés que latejava por ficarem várias horas apoiados em sapatos e sandálias de salto alto.
Apesar do novo trabalho não ser o que ela queria, felizmente estava dando bons resultados, ela já estava trabalhando no turno da noite porém ganhava menos do que as outras meninas pois foi proibida de servir nas mesas e pelo fato de não dançar sem sutiã. Mesmo ganhando menos , ainda era um valor que pagava a faculdade e sustentava a casa, agora sua avó poderia fazer os artesanatos apenas por diversão e Laura não precisava mais ficar até mais tarde na escola e nem almoçar lá, Thais havia contratado os serviços de transporte escolar para que ela não precisasse percorrer todo o caminho a pé. As coisas finalmente iriam melhorar.
Thais estava preparando o café da manhã e viu sua carteira em cima da mesa, ela lembrava dos trezentos reais que havia ganhado do seu primeiro cliente vip, ela guardou o dinheiro pois seria com esse valor que ela iria levar sua avó e sua sobrinha para ter um dia especial, ela havia pensado em leva-las em um parque no shopping da cidade e depois lancharem em qualquer lanchonete que Laura escolhesse. Thais sempre quis poder comprar aqueles lanches que vinham com brinquedo, essa seria a primeira vez que poderia comprar um lanche desses, na verdade era mais um desejo da própria Thais do que de Laura.
Thais queria que Laura cultivasse pelo menos uma boa lembrança da sua infância. Thais tinha uma lembrança especial de Amanda do dia em que recebeu seu primeiro pagamento, Thais tinha quatorze anos e Amanda a levou junto com sua avó Arlete para uma viagem na praia e ficaram um dia inteiro, elas pegaram o primeiro ônibus na rodoviária e viajaram para o litoral, foi a primeira vez que Thais viu o mar, elas ficaram o dia inteiro brincando na água, era uma das memórias mais felizes de Thais, só perdia para o dia em que descobriu que ia ser tia.
Laura acordou animada e foi para a cozinha correndo para abraçar Thais que a pegou no colo e recebeu um abraço apertado, os bracinhos de Laura envolvia e pescoço de Thais que beijava várias vezes a bochecha da pequena.
_ Você tá pronta pra passear?
_ Tô sim! Onde vamos?
_ É surpresa, mas você tem que se arrumar e escovar os dentes, a gente vai sair dez horas.
_ Tá bom, vou escovar os dentes e escolher um vestido bem bonito!
Laura desceu do colo de Thais e foi para o quarto, Thais foi chamar sua avó que ainda estava dormindo. Ela entra no quarto devagar e vê Arlete deitada ainda dormindo profundamente, Thais senta na cama e repousa o corpo por cima da avó para acorda-la.
_Acorda vó.
Thais sussurra baixinho perto do ouvido de Arlete.
_ A senhora não vai levantar? Eu preparei o café da manhã!
_ Se você sair de cima de mim, eu me levanto.
_ A senhora tá quentinha.
Arlete abraça a neta e fala preocupada.
_ Filha! Eu quero saber sobre esse seu novo emprego?
_ O que quer saber?
_ Quero saber o que faz exatamente.
_ Já te falei vó. Trabalho em um bar.
Arlete acaricia os cabelos encaracolados de Thais que ainda está com a cabeça repousada em seu ombro. Thais se senta na cama e olha para a avó e vê sua preocupação
_ Vó... Não se preocupe. Lembra do Felipe? Ele trabalha lá também, ele cuida de mim.
Arlete suspira ainda preocupada e se senta na cama olhando dentro dos olhos de Thais, ela segura nas mãos da menina e acaricia seus dedos.
_ Filha... Eu sei que não quer que eu saiba muito sobre o trabalho, mas me promete que você não vai fazer nada que você se arrependa no futuro.
_ Eu prometo vó!
_ Eu sonhei com a Valéria! Se a sua mãe não tivesse ido embora, seu pai não teria feito o que fez. A sua vida ia ser melhor. Talvez a Amanda ainda estivesse viva.
Uma lágrima silenciosa escorre do rosto de Thais que a enxuga rapidamente passando o rosto na manga da blusa, quando ela pensa no que sua mãe fez, as abandonou por um homem qualquer, ela sente muita raiva e pensa que talvez suas vidas realmente fossem diferentes.
_ Essa mulher não é minha mãe! A senhora é minha mãe. Agora vamos tomar café.
As três tomam café da manhã sentadas à mesa, como de costume a refeição é bem simples, pão francês com margarina e café com leite, mas hoje Thais se deu ao luxo de comprar um bolo e mortadela fatiada em uma padaria a caminho de casa. Thais estava satisfeita, apesar de estar trabalhando a uma semana, ela já tinha ganhado mais do que em duas semanas trabalhando meio período na lanchonete.
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No parque de diversões, Laura brincou como nunca havia brincado antes, Thais se sentia bem por poder fazer todas as vontades de Laura e Arlete tentava se divertir e esconder a preocupação que ainda habitava em seu coração.
Arlete observava Thais fazendo todas as vontades da menina e apreciava as duas sorrindo como duas crianças, ela percebeu de longe que os tênis de Thais estavam rasgados enquanto as roupas de Laura estava impecável, Thais tinha comprado várias roupas novas para a crianças, mas como qualquer mãe, esqueceu dela mesma, quando se sentaram para lanchar, Arlete conversou com Thais.
_ Thais! Já que estamos aqui, compra um sapato novo pra você.
_ Mas os meus estão bons.
_ Não estão não. Você está trabalhando todas as noites. Pega seu dinheiro e compra algo pra você.
Laura olha os tênis de Thais e fala
_ Mãe! Seu tênis tá descolando. Tem que ter um novo igual ao meu.
_ Tá bom. Vamos comer e vamos comprar um tênis novo.
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A loja de sapatos estava muito movimentada e Thais já havia escolhido os sapatos que queria, só precisava que um vendedor viesse atendê-la para pegar seu número. Ela pediu ajuda, mas a vendedora pediu desculpas e disse que estava ocupada com outro cliente que ela esperasse por outro vendedor, Thais ficou sem graça e estava deixando a loja mas a mesma vendedora veio correndo pedindo desculpas e oferecendo ajuda, Thais informou qual era o modelo desejado e a vendedora trouxe correndo para que ela provasse. No caixa, quando Thais foi fazer o pagamento, a atendente informou que os tênis já estavam pagos.
_ Como assim?
_ Os tênis estão pagos.
Thais estava brava pois desta vez ela tinha dinheiro para pagar, ela não queria nada de ninguém, a atendente vendo seu nervosismo falou com gentileza
_ Olha, às vezes a gente precisa aceitar o que Deus coloca nas nossas vidas, aceita o presente.
Ainda nervosa, Thais agradece e deixa a loja, ela estava disposta a descobrir quem havia pago pelo par de tênis, não sabia como mas iria descobrir.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Sol Antoniassi Antoniazzi
Olha como o destino é pra uns é cruel e pra outros mostra a verdade, Valéria madrasta de Caio é mãe da Thais e Amanda e é avó da sobrinha dela e Caio é o pai da menina.
2025-03-10
1
Josanice Vanderlei
É Thaís as vezes precisamos aceitar,e deixar o orgulho de lado!
2025-03-10
2
Silvia Moraes
Madrasta do Caio é a mãe da Taís e da Amanda.
2025-03-06
2