...🔮🔮🔮🔮Cecília
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Vou para onde fui ordenada, acompanhada de meus primos mais velhos e tios. Em nossa cultura, guardamos algumas tradições e somos bem unidos, apesar das distâncias. Diante de um problema, todos nós nos apoiamos e resolvemos, exceto em questões de trabalho, onde nos foi ensinado a resolver as coisas, que no fim das contas, são problemas individuais.
A avó Dolores é muito rígida e sempre foi rigorosa ao nos ensinar a não nos metermos em confusões. Existem muitas pessoas fraudulentas no campo da adivinhação, que apenas dizem o que o cliente quer ouvir e recomendam várias sessões, feitiços e coisas falsas, no fim das contas.
No meu caso, sou boa em runas, tarô com diferentes baralhos e em algumas outras especialidades que não vêm ao caso neste momento.
Ao entrar na pequena casa que será meu lar e local de trabalho, senti uma energia que me indicava que aqui seria minha prosperidade, mas também que haveria pessoas muito desagradáveis. Isso é normal, afinal de contas, então decidi ignorar.
Aprendi a preparar diferentes poções para a boa sorte, algo que as três novas adivinhas da família também sabem. Colocamos água benta e diversas essências aromáticas para ajudar a eliminar más energias de nossos possíveis clientes. Depois, por um preço acessível, oferecemos essas poções para que as usem como uma loção ou perfume.
Decidi começar a atender pessoas no primeiro dia do mês, pois é o dia em que, segundo nós, as energias estão mais fortes e trazem boa sorte e prosperidade.
No último dia do mês, purifiquei cada canto da minha casa, assim como do pequeno local onde minhas leituras acontecerão, o que ajudará minha mente e espírito a ficarem completamente neutros.
Fui dormir e, na hora certa, abri as portas para começar o meu primeiro dia de trabalho. Muitas pessoas passavam e olhavam com evidente curiosidade para o novo local, sabia que mais da metade viria nos próximos dias para satisfazer essa curiosidade.
Duas horas após a abertura, entrou um jovem que aparentava ter poucos anos a mais do que eu. Em seu rosto, refletia-se uma preocupação, como se essa fosse a única saída para um problema que ele sentia ser familiar.
— Sente-se e escolha o que desejar — fiz um gesto com as mãos em relação às opções na mesa.
— Isso — ele apontou para as cartas de tarô clássicas, as mais conhecidas. — Devo fazer uma pergunta e você me responde, ou o que devo fazer? — perguntou, um tanto nervoso e agitado.
— Você só precisa dividir o baralho em dois e, em seguida, escolher... — expliquei com cuidado o que ele deveria fazer, e ele seguiu cada uma das instruções.
— Uma mulher próxima a você está passando por um momento difícil de saúde — ele abriu os olhos surpreso.
— Minha mãe. Ela vai ficar bem?
— Será uma jornada longa, mas ela finalmente conseguirá vencer a doença — ele sorriu aliviado e derramou algumas lágrimas.
— Desculpe, são boas notícias — ele disse, tentando justificar seu momento emotivo.
— Uma traição por parte de uma mulher próxima a você e um homem me aparece aqui — continuei minha leitura.
— O que mais me interessa é a saúde da minha mãe, não a traição da minha namorada com o suposto melhor amigo — ele concluiu com um pouco de tristeza.
Continuei a leitura e, no final, ele se foi agradecendo por me dar boas notícias. Fiquei com um sentimento ruim por tê-lo atendido pontualmente, porque ele parecia ser uma boa pessoa e a maior parte das coisas que revelei não era exatamente positiva.
Depois dele, entrou uma mulher por volta dos quarenta anos para uma leitura. Ela queria saber sobre o bem-estar de seus filhos e marido, algo normal e não um problema específico. Terminei a sessão com ela, e ela foi embora tranquilamente.
O resto do dia foi muito tranquilo por aqui, todos os transeuntes que passavam pela rua olhavam, mas ninguém mais entrava, e na hora de fechar fui para minha pequena casa preparar o jantar e dormir, imaginando como foi o dia de Zoe e Jasmim, se talvez o azar estava ao lado delas ou não.
Acordei ao amanhecer, tomei um banho e realizei o ritual para eliminar más energias do meu corpo, da minha casa e do local onde esperava receber mais visitas hoje. Ainda sentia que neste lugar encontraria pessoas importantes como clientes, mas até então nenhuma delas havia aparecido para mim.
Com meu humor renovado neste dia e muita energia positiva, abri as portas para receber mais pessoas que precisavam das melhores leituras da cidade.
Então, entrou no meu estabelecimento uma jovem de vinte anos ou menos, que afirmava ter azar a cada passo que dava, nada dava certo para ela, e a leitura confirmou isso.
Percebi que coisas ruins estavam reservadas para o seu futuro e dei a ela um medalhão para se proteger, juntamente com uma poção que preparei para pessoas desafortunadas como ela. No final do dia, após atender poucas pessoas a mais, fui dormir feliz por ter feito uma boa ação.
Eu tinha a poção que minha avó Dolores me deu bem guardada e me perguntava: "Quem seria digno de tomá-la? Será que um dia encontrarei alguém que seja a pessoa certa para beber?" Como saberei se encontro alguém que pareça ser merecedor? Mas, além de todas as minhas preocupações, eu tentava lembrar das advertências sobre a poção, algo que me questionava sem sucesso até então.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Luzia Fernandes
ta top esse começo de historia
2023-11-05
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