-Wanessa... eu não falei nada antes, mas já faz muito tempo que não fazemos amor.
-Sim, Ethan, mas acontece que eu não tenho coragem de fazer isso... entenda, por favor. Não pode esperar por mais tempo? Sabe que ainda estou brava com você.
-...Hum. Embora tenha perdido a memória, fico feliz que ao menos ainda demonstra ter feições por mim. - Arregalo os olhos com seu comentário. -Mas eu estou te pedindo! Não é uma coisa ruim. Talvez até se relembre de algo sentindo os meus toques... pode lembrar de nossos momentos de amor... - Ele se aproximou novamente com um passo para frente, o que reagi dando um passo para trás.
-Ah... Eu... - Como eu poderia explicar que eu era apenas uma adolescente que nunca teve uma experiência como essa antes? Realmente terei que ceder a isso? Estou surtando...
-Acredito que seria meio inadequado que pedir algo assim nessa situação atual entre nós, não? Demonstre que merece mais a minha confiança primeiro, tá?
-Mas isso seria uma forma de aproximação entre nós, não é o que quer? Não aguento mais não poder te tocar...! - Ele aumentava os seus passos quanto mais falava e, por conseguinte, afastava-me toda vez.
-Desculpa, mas... eu preciso de mais tempo para me preparar, ainda não consigo ter coragem para isso. De qualquer forma, não podemos simplesmente fazer algo assim, pois prefiro conhecer melhor você e me acostumar com tudo isso. Quando chegar a hora que me sentirei melhor para chegarmos a este ponto, te informo tá?
Ao me escutar, ele apenas suspira e concorda silenciosamente com a cabeça, encarando-me decepcionado, evidenciando através de seu olhar pensamentos de julgamento:
"É normal ela ter dificuldade para tomar essa iniciativa, mas aparenta agir igual uma adolescente que vai ter a sua primeira vez." Sua expressão tava tão nítida que fiquei envergonhada. Assim, sem trocar palavras um com outro, voltamos ao quarto e me troco para deitar enquanto Ethan foi se preparar para banhar-se.
Em todas as noites que dormimos na mesma cama, passei tentando não pensar na noite em que eu faria aquilo com ele, e apenas ignorava, mas agora que ele falou sobre o assunto... Não irei conseguir mais evitar esses pensamentos.
Como estarei preparada para isso? Pergunto-me, por que isso foi acontecer comigo? Seria possível eu voltar para a minha antiga vida? Minha cabeça voltou com várias dúvidas, o que me impediram de dormir.
Deitada, sem permitir que minha consciência descansasse, senti depois de um tempo a aproximação de Ethan, que não percebeu que eu estava acordada, apenas de olhos fechados. Ele beijou minha testa carinhosamente e deitou-se catelosamente na cama.
Mesmo isso não sendo nada demais, meu coração imediatamente palpitou como se estivesse prestes a explodir, causando-me uma sensação muito forte de embrulho, semelhante às borboletas do estômago.
Logo em seguida, uma longa noite mal dormida se passou e eu, como sempre, acordo cedo preparando-me para ir ao trabalho. Surpreendentemente, Ethan se oferece para me levar até onde trabalho, o que não acontece normalmente. Contudo, usando todas as desculpas possíveis, recuso.
-Desculpa, mas é melhor eu ir sozinha, pois você tem que ir pro seu trabalho agora também não é? Não pode se atrasar por minha causa.
-Não se preocupe, você sabe muito bem que isso não é problema para mim. Por favor, deixe eu levá-la e aproveitar para conhecer o lugar que trabalha.
-Não! É que... Bom... Hoje uma colega de trabalho já se ofereceu para me dar carona, então não há necessidade.
-E por que ela te daria carona se você tem seu próprio motorista? Vamos juntos. - Arregalo os olhos desprevenida.
-Ethan! Eu... não disse, mas eu estou escondendo o fato de eu ser rica para as pessoas que trabalham comigo. - A saída é improvisar.
-O quê? Como assim? Por quê?
-P-por que... quando decidi mudar de carreira, escolhi uma que eu não tenho muita experiência, então quis aprender de uma forma que eu não ganhasse tanto prestígio como eu ganhava antes só por ser sua esposa. Digo, não que eu saiba se já tenha ganhado antes! - Respondo sentindo o suor escorrer lentamente.
-O quê? Você nunca ganhou prestígios por ser minha esposa, Wanessa. Tudo o que teve até agora conquistou através de seus próprios méritos.
-Tem certeza? - Suspiro antes de continuar. -Escuta, mesmo que seja verdade, tenho certeza que eu não teria conquistado tudo isso dessa forma se eu não fosse da família Brown ou rica. - Continuo persistindo com a desculpa.
-E agora você quer ser pobre, é isso?
-Não, claro que não. Eu só quis ter a experiência de não ser uma garota que só consegue coisas através de prestígios.
-Meu Deus... Qual é o sentido disso? - Ele murmurou esfregando os dedos sobre os olhos com um ar de cansaço. -Tem vezes que não te entendo... Aliás, sendo verdade ou não, qual é o problema? Quer ser uma pessoa que passe dificuldades?
-Claro que não. Quero apenas ser alguém dedicada que tenha mais desafios a enfrentar, e consiga ganhar tudo pelos os meus próprios esforços e não por causa de prestígios mesmo se eu tiver que começar de baixo. Agora eu tenho que ir, já estou quase atrasada de tanto conversarmos sobre isso.
Novamente, me afasto rapidamente de Ethan fazendo-o não ter chances de me parar e também o fazendo me perder de vista, assim pego outro táxi para me levar até a empresa antes dele.
Como poderia ir junto ao Ethan no mesmo carro? Seria descoberta rapidamente! Por medo, tentei desvia-lo com desculpas, mas isso acabou trazendo um assunto que causou uma discussão sem sentido entre nós.
Quis criar uma mentira para ele, mas terminei falando uma meia-verdade. Isso se dá ao fato de realmente esconder minha real identidade, no entanto, não é pelos meus prestígios e sim por causa das suspeitas que obtinha pelo Ethan.
Mas agora que ele sabe que eu o seguia não tenho certeza se daria certo eu contratar um investigador para ficar observando ele. Ethan pode descobrir e eu não quero magoá-lo de alguma forma, mas também não consigo confiar nele sem ter confirmação da verdade. Quero ter certeza de que ele está traindo ou não a Wanessa, digo, eu...!
Desde muito pequena, eu tive uma vida muito complicada, o que me impedir de confiar realmente nas pessoas, mas apesar de tudo isso estou surpresa que não tenha me separado dele ainda.
No passado, meu pai me abandonou quando eu era muito pequena e minha mãe que sempre dizia que me amava, nunca demonstrou isso quando me batia todas as noites bêbada. Toda noite em que ela se embebedava sempre ficava se lamentando pelo meu pai.
Cansada dela, tive um momento em que sempre fugia de casa para estar com meu único amigo de infância que eu gostava realmente. Além do mais, quando eu era mais nova, nunca soube que minha mãe trabalhava em um bar para nos sustentar, apenas via ela bêbada. Quando descobri, não queria que ela continuasse trabalhando disso, então tentava convencê-la.
No entanto, ela nunca me escutava e ficava cada vez pior. Isso durou até que um dia ela passou dos limites me espancando até não querer mais. Foi neste mesmo dia que acabei me descuidando a ponto de morrer atropelada e reencarnar.
Lembro até hoje de cada marca do meu corpo... Cheguei a um ponto que a vida nem valia mais. Eu posso ter reencarnado para poder me tornar alguém melhor? Por que eu não simplesmente abandono tudo para viver uma vida confortável?
Será que acabei me entrosando a esta vida da Wanessa Brown demais? Ela tem uma família boa pelo menos... E o que eu tive? Nada... Totalmente nada.
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Atualizado até capítulo 140
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