Após eles saírem, abro um de meus olhos e observo minha volta disfarçadamente. Em seguida, chamo o médico surrando:
-Psiu, ei doutor. - Ao fazer isso acabo assustando-o.
-Você não estava desmaiada!?? - Ao ouvi-lo exclamar assustado, me sento e o chamo pra perto com assinalando cautelosamente com as mãos.
-Desculpe, mas preciso de sua ajuda, doutor. - Sussurrei. -Eu preciso que o senhor minta para os meus familiares que perdi a memória para mim.
-Como é? Quem pensa que eu sou? Não faça perder o meu tempo! - Reclamou ele se afastando irritado, porém, ao perceber que ele não pretendia me ajudar, o puxei pela manga do jaleco e implorei.
-Por favor!! O senhor precisa apenas dizer a eles que eu caí da escada com tanta força que acabei perdendo a memória... Se fizer isso prometo pagar muito para o senhor!! Finja que está fazendo um tratamento ou sei lá o que, e cobre deles o quanto quiser!
O homem hesitante aceitou a minha proposta me fazendo ficar aliviada, no entanto, culpada por mentir para esta família e fazê-los pagar caro. Eu não tenho escolha já que eu preciso saber como lidar com a vida que possuo agora. Não poderia simplesmente pedir a ajuda deles, se não eles iriam querer me levar pro hospício.
Na manhã seguinte, junto a volta do doutor, foi informado sobre a minha "amnésia" para os meus "familiares". Após o médico se retirar, apareceu o meu suposto marido para me confortar:
-Oi, amor, aqui está seu café da amanhã. - Diz ele se sentando ao meu lado com uma bandeja, enquanto eu o encarava com desconfiança.
-Quem é você? - Sou uma ótima atriz.
-Eu sou o seu marido, Ethan.
-Você é meu marido? Eu dúvido. - Falei demonstrando não estar convencida.
-É verdade, amor! - Ele tenta tocar em minha mão, porém o afasto.
-Qual é... o meu nome?
-Seu nome é Wanessa. - Ele se levanta calmamente. Wanessa? Caramba, devo dizer Adeus para meu nome antigo... Tchau, Sasha. Pergunto-me, como devo reagir a toda essa situação? É complexo demais até mesmo para falar algo.
-Tome seu café da manhã, eu irei trabalhar agora e voltarei mais tarde, uma garota loira que é a sua irmã irá vir aqui novamente para te fazer companhia, está bem? - Prosseguiu ele se preparando para se retirar do local.
-Espera! Eu preciso saber mais sobre mim! - Falo desesperadamente sem pensar.
-Não se preocupe, nós iremos fazer de tudo para você recuperar a sua memória. Enquanto isso não tenha pressa, quando sua irmã vir para cá, pode perguntar qualquer coisa. - Ele beija a minha testa ao terminar de falar e sai logo em seguida.
Como será que vou viver nessa vida agora? Será possível eu conseguir voltar para a minha antiga vida? Será que reencarnei mesmo? São tantas dúvidas sem respostas... Pelo visto será muito difícil para me acostumar com todas essas coisas.
Tempo depois, aparece novamente ao meu quarto uma mulher muito linda e loira como disse Ethan. Era a minha irmã:
-Mana! Eu não consigo acreditar que tenha perdido a memória desta maneira! - Lamenta a garota após escorar-se e ajoelhar-se ao meu lado.
-Não se preocupe... não é sua culpa que eu não saiba nem quem você é... - Tento ser calma apesar de não saber como uma pessoa com amnésia reagiria.
-Enfim, você é minha irmã mais velha ou mais nova? Qual é o seu nome? Eu gostaria de saber mais sobre eu mesma, e meus familiares também, inclusive você. - Continuo com uma sequência de perguntas. Pretendo questionar a minha suposta irmã o máximo possível, não posso mais perder tempo.
-Não precisa ter tanta pressa para saber tudo...! Tem que descansar.
-Por favor! Eu quero saber tudo o que for possível!! Ou então, ao menos o necessário... - Escutando-me, suspirou cabisbaixa antes de me responder.
-Eu me chamo Cristina e sou sua irmã mais nova. - Diz ela se levantando e sentando-se ao meu lado sob a minha cama.
-Ah entendi, me diga mais por favor.
-Bem... temos um irmão mais velho e você é a do meio. Nossos pais morreram alguns anos atrás, e nosso irmão teve que assumir a empresa da nossa família.
-Quanto anos eu tenho, irmã?
-Você tem vinte e dois anos. Já eu tenho dezenove e nosso irmão, o Lyon, tem trinta e dois anos. - Ela é mais nova do que pensei.
-Pode me dizer mais sobre o meu marido?
-O Ethan? Ele tem vinte e cinco anos, é dono de uma empresa muito famosa, e é um dos mais novos empresários do país. Vocês se casaram após a morte dos nossos pais há cinco anos por causa de um acordo com as famílias Brown e Walker feita quando eram crianças.
-O quê?! - Fiquei pasma com essa informação. Isso significa que eles não se amam de verdade? Mas ele estava parecendo ama-la tanto quando falou comigo ontem ao acordar neste corpo... a não ser que eles tenham realmente se apaixonado.
-Ah! Eu falei demais! Desculpe, eu não deveria falar essas coisas para você. Acho que me empolguei.
-Não se preocupe! Pode continuar falando sobre-
-Ah, preciso ir agora, lembrei que tinha um compromisso! Tchau, mana! - Ao se despedir, Cristina sai às pressas.
-Nossa, precisava ir embora que nem um furacão? - Resmunguei emburrada.
Depois deste momento, dias se passaram e eu já havia passado muito tempo dentro do quarto por ordem médica. Aliás, por que devo ficar aqui? Eu posso estar fingindo ter amnésia, mas não quer dizer que isso me mate. Assim, decidida, me levanto e saio do quarto com o objetivo de conhecer a minha "casa". E uau! Essa mansão é enorme...!
Nunca imaginei que moraria em um lugar como o que estou deslumbrando agora. No quarto em que eu estava, onde tudo começou, era lindo e enorme, porém não se compara com o tamanho da parte de fora do cômodo.
Ao lado do quarto havia muitas suítes e salas incríveis que ricos adoram. Além disso, no andar de baixo, depois da escadaria enorme em que planejei a minha atuação, havia a parte central e as laterais em que levam para os outros cômodos. Como a sala de jantar, a cozinha, livraria e outros.
Confesso que quando estava explorando o local acabei me perdendo fazendo-me parar dentro de um escritório no fim do corredor do último andar.
-Wanessa? O que faz aqui? - Pergunta Ethan surpreso ao me ver, o que acaba me dando um susto ao repara-lo. Percebi que ele não havia me chamado de "amor" como daquela vez.
-Bom... Eu estava explorando essa casa, pois não estava mais aguentando ficar naquele quarto. Posso ter perdido a memória, mas não estou doente a ponto de ter que ficar deitada o tempo todo! - Ao reclamar para ele, o faço ficar com uma cara séria e preocupada ao mesmo tempo.
-Você precisa repousar por um tempo de acordo com o médico.
-Eu sei, mas é que... - Eu acho que esse doutor levou tudo bem a sério mesmo.
-Volte para o quarto. Não se preocupe, você só precisa ficar por mais uns dois dias na cama, depois não precisará mais repousar. - Diz ele me guiando de volta ao quarto.
Dois dias já se passaram e a minha felicidade se expandiu rapidamente ao perceber que finalmente poderei sair desse quarto. Eu me levanto e saio do cômodo indo direto para a sala de jantar.
São tantas divisões nessa mansão que fico feliz ao acertar o local da sala de jantar. Na mesa enorme que havia na sala estavam diversos alimentos para o café da manhã, como bolo, pães, frutas, sucos, café e muito mais! Perplexa com o cenário, não hesito e sento imediatamente sob a mesa.
Sem resistir, pego tudo o que for possível sem qualquer preocupação, até o momento em que Cristina aparece e começa a me encarar de uma forma desagradável enquanto eu comia.
-Acho que perdendo a memória mudou até os costumes. - Murmurou ela com o objetivo de não ser escutada, porém falhando totalmente.
-Por que não vem tomar café da manhã comigo, irmãzinha? - Pergunto ignorando o que a garota disse.
-C-claro! - Assim ela se senta ao meu lado lentamente. -Estou surpresa que tenha se acostumado tão facilmente conosco apesar de não perder a memória. Deve ser difícil não se lembrar de nada...
-Sim... - realmente, é desconfortável ter tantas pessoas desconhecidas sob o mesmo teto que eu, mas todo esse aconchego facilitada também. -Por sinal, me pergunto, onde está o meu marido?
-Ele está na empresa. Esteve trabalhando muito esses últimos dias desde o momento em que você perdeu a memória, quando não está no escritório da empresa dele, está no escritório daqui.
Ao ouvir ela falar, um mal estar me corrompe. Apesar de aquele homem não saber, praticamente perdeu a esposa e acabei reencarnando no corpo dela, o que faz eu me sentir culpada agora. Aliás, como será que essa mulher morreu...?
Depois de nós duas comermos, peço para ela me ajudar a ir até a empresa de Ethan, porém, como Cristina não podia ir comigo, simplesmente mandou um motorista me levar até o local.
Hoje irei finalmente sair daquela prisão luxuosa e ver pessoalmente como é uma empresa. Eu era bastante pobre na minha vida anterior e nunca fui para uma empresa antes.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Souza França
tô meio perdida, nas histórias que tem esse enredo a protagonista tem as lembranças da dona original do corpo.
2024-02-23
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