[...]
-...Apesar de eu não saber se você ainda possui esse trauma no fundo de seu coração, sei que esse não foi o motivo de você perder sua memória. O irmão simplesmente teve pensamentos precipitados sobre a sua amnésia.
-Que trauma é esse de que falam?
-Olha, por favor, vamos falar sobre isso em casa, tá? Agora preciso voltar ao serviço, desculpa. Até mais tarde.
-Espera! - Aff, além de não termos conseguido falar sobre esse tal "trauma", também não consegui falar sobre a questão da carreira. Mas concordo com a Cristina, foi uma decisão muito precipitada irmos até ela.
-Ah... - Lyon tenta falar algo, porém ele recua. - Depois disso, voltamos para casa e acabamos conversando por um longo tempo até que a Cristina voltasse.
-Eh... Por que você só apareceu agora? - Eu é quem começo a conversa.
-Eu estava nos EUA cuidando da nossa empresa.
-Espera... A empresa da nossa família fica nos Estados Unidos?
-Sim, você também não sabia disso? Quer dizer... Eu pensei que a Cris já tinha te dito.
-Não... Eu acho que tem muitas coisas que eu não sei, né. Tipo o trauma que vocês não haviam me dito que eu tinha.
-Sinto muito, mas não me culpe, eu era um dos mais desinformados da família.
-Haha, acho que somos dois agora, né. Mas enfim, você pretende ficar por quanto tempo?
-Eu irei ficar aqui só por dois dias. Minha agenda está sempre cheia e quase não tenho tempo pra nada, além do meu transtorno, acho que esse é um dos motivos que sou excluído nos assuntos da família, ainda mais depois da morte dos nossos pais. É muito difícil eu arranjar tempo para as minhas queridas irmãs.
-Mas por que você se sentiu culpado pelo meu trauma...?
-Eu me senti culpado por ter ido embora e por ter permitido esse casamento ao invés de fazer alguma coisa. Pelo fato de eu ser uma pessoa com transtorno paranóide, eu achava que talvez tudo o que eu pensava sobre esse casamento não ser uma boa idéia fosse também uma paranóia minha e me convenci de que eu não deveria me meter nisso, apenas na empresa que herdei. Não pude evitar que nossos pais morressem, mas eu poderia ter impedido que pelo menos você se casasse com uma pessoa que não ama e se sentisse sobrecarregada.
-O que aconteceu nesse casamento afinal?
-Eu soube apenas de poucas coisas através da nossa irmã, como eu disse, não sou muito informado pela família. Por isso, devemos esperar a Cris voltar.
-Entendi, enfim, que tal mudarmos de assunto? É melhor não ficarmos falando sobre essas partes infelizes. Me diga mais coisas que talvez eu devesse saber sobre nós.
Com meu pedido, nós ficamos conversando bastante esperando a volta de Cristina. Quando ela chegou, nós tentamos chamá-la em seguida, porém disse que tinha muitos afazeres e que apenas teria tempo na tarde seguinte. Isto me irritou muito.
No dia seguinte, eu já estava muito entediada e eu não poderia mais ver o meu "irmão", já que apesar de ele ter que ir embora somente daqui a dois dias, tinha que realizar algumas reuniões agendadas antes de voltar e teria tempo livre somente amanhã a tarde.
Eu fiquei muito surpresa, ele realmente é um homem ocupado. Então decidi ir comprar materiais artísticos para treinar e me distrair. Ethan havia me entregado um cartão especial que me permitia gastar o quanto quiser, então desta forma eu não precisava pedir nada para ninguém.
Eu passei quase duas horas pintando desenhos aleatórios, alguns não me satisfaziam então eu sempre fazia novos. Depois de muito tempo finalmente eu havia terminado um que me agradava.
Depois eu decidi fotografar o desenho e postar, no entanto, percebi que eu nunca tinha entrado nas redes sociais da mulher que incorporei. Ao entrar vejo que ela tem muitas fotos, a maioria sozinha ou com amigos e parentes.
O que mais me deixa surpresa é o fato de ela não obter nenhuma foto só dela e do Ethan. Ele somente aparecia em postagens que eram com a família inteira, o que raramente tinha.
Eu postei a imagem e depois de alguns segundos surgiram muitas curtidas, me deixando boquiaberta. Após isso, ainda tinha bastante tempo para a Cristina chegar, então eu saí um pouco para uma lanchonete com o objetivo de voltar a comer as comidas que eu mais gostava. Eu estava saboreando o meu lanche quando apareceu um rapaz que repentinamente sentou em frente à minha mesa.
-O que uma linda moça como você estaria fazendo aqui sozinha?
-Eu? Estou aqui sozinha porque quero. E você está aqui, então eu não estou mais sozinha, ou seja, você está me incomodando, então pode ir, por favor? - Respondi grosseiramente. Sim, eu sei.
-E se eu não ir? - Ele começou a me desafiar, sem se incomodar com minha arrogância. Eu nunca fui de gostar das pessoas, era difícil me aproximar dos outros, mas quando tinha amigos tinha dificuldade de deixá-los, ele não eram uma boa companhia na real. Irritando-me, o ignoro e volto a comer, o que dá a ele liberdade para continuar:
-O que foi? Desistiu? Qual o seu nome?
-Não te interessa, se você continuar me perturbando eu chamarei as autoridades.
-Tanto drama? Está bem... meu nome é Willian, mas pode me chamar de Will. E o seu?
-O quê? - Meu Deus, esse cara é muito insistente. -Wanessa...
Considero-me uma idiota por minha redenção, mas não importa. Irei apenas terminar o meu lanche e ir embora para nunca mais ver esse cara. Ao finalizar, eu chamo um garçom pedindo a conta e logo depois o tal Will se oferece para pagar, mas eu recuso Silenciosamente com gestos, sem esconder meus desgosto. Pago rapidamente a conta e me retiro do local. Entretanto, aquele homem me seguiu, continuando a me importunar.
-Ei, vai continuar me ignorando? Por que não fala comigo?
-Por que eu não quero! Me deixa, cara! - Com minha perda de paciência, ele agarra meu braço e me aproxima dele, tento me soltar, mas falho. Assim que o homem tenta me beijar, Ethan aparece repentinamente me afastando dele antes que conseguisse.
-Fique longe dela! - Ameaçou Ethan furioso ao homem.
-Quem você pensa que é, seu idiota?
-Eu sou o marido dela! Como tem coragem de tocar em uma mulher indefesa dessa forma? Seguranças! - Ethan ao gritar logo aparecem seguranças atrás dele levando o homem resistente para longe.
-Você está bem? - Perguntou ele preocupado.
-Estou, mas como você sabia que eu estava aqui?
-Foi... Coincidência... Digo, ah... - Suspirou. -Eu coloquei um rastreador em você.
-O quê? Colocou um rastreador em mim? Por quê?
-Eu coloquei no seu celular para eu saber se você estava bem e se estava segura... - Fiquei indignada com suas palavras.
Esse homem nem parece ter sentimentos por mim. Embora ele pareça obsessivo e não aparenta confiar nas minhas atitudes somente por eu ter perdido a memória, não entendo o porquê a antiga dona deste corpo teve um trauma.
-... - Tentei me manter calma, sem expressar raiva, afinal, ele me salvou. -Obrigada, mas o que motivou você a vir? Já sabia que este cara estava me incomodando?
-Não... Eu só achei que tinha algo errado, pois como você poderia estar num lugar desses? Esse lugar não é pra você.
-A lanchonete? - Pergunto indignada ao encarar o local que estávamos. -O que tem de errado com isso?
-Eu sei que você nunca iria pra um lugar simples como esse a não ser que houvesse algo de errado.
-Hã...? Tem preconceito desses lugares e de pessoas que não são a "nossa altura" por acaso? Eu não acredito...
-Não é isso, acontece que-
-Arg, você é um idiota! - Resmungo sem permitir que continuasse, afastando dele logo em seguida.
-Espera Wanessa, o que houve com você? Eu sei que perdeu sua memória, mas seus pensamentos não podem ter mudado dessa forma, não é?!
-Claro que podem! Já não basta ter colocado um rastreador em mim! Rumpf! - Minha indignação foi tanta que saí às pressas do local pegando o primeiro táxi que vejo. Ethan tenta me alcançar, porém não consegue.
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Atualizado até capítulo 140
Comments
Saionara Alves de Melo
às vezes eu sou de criticar mas até que eu tô gostando da história bem interessante bora né
2024-08-15
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