Ao chegar à mansão, fico tão distraída e pensativa que nem percebo a Cristina me chamar. Acabo subindo ao meu quarto sem escuta-la.
No meu quarto, um lugar solitário ao meus olhos que não parece haver nada de legal para fazer, simplesmente deito em minha cama desesperada e com medo de como será minha vida lá pra frente.
E agora? Eu possuo uma vida de uma mulher rica, porém estou casada com alguém que nem conheço, nem tive a oportunidade de continuar os meus estudos e posso acabar com uma carreira que nem é minha!
Tá, na verdade eu não era nada estudiosa... Mas eu tinha minha vida de adolescente! Muita diversão para frente! (Minha vida era horrível na realidade.) Enquanto perdia-me em meus pensamentos, um barulho de batida na porta acaba com todos eles de uma só vez.
-Vou entrar! - Cristina se infiltra em meu quarto logo em seguida. -Você nem me escutou te chamar lá em baixo, mana! O que aconteceu para estar assim?
-Irmã! Eu quero sair da advocacia! Como faço isso?! - Eu questiono sem responde-la enquanto surto embaixo das cobertas.
-Você quer deixar de ser advogada? - Eu nunca fui na verdade...
-Sim! Pode responder minha pergunta, por favor?
-Você só precisa entregar um mandato de renuncia...
-O que é isso!?
-Tipo uma carta de demissão. - Só isso? Nossa, eu pensei que era mais difícil, agora entendo o porque eu tirava notas tão ruins, era tão desinformada.
No dia seguinte, ao acordar finalmente percebo um detalhe que antes não reparava. Desde o dia que vim para esse corpo, nunca dormi com o meu novo marido, porém, não me importo de qualquer forma até porque não gosto dele e eu não estou pronta para dormir com alguém intimamente deste modo.
Pergunto-me, aonde ele deve dormir e por que ele nunca foi dormir comigo? Além disso, também me questiono se esse homem amava a esposa dele.
Não.... eu não deveria me importar, certo? Após relutar comigo mesma, saio rapidamente do meu quarto e bato de frente com meu marido, que aparece de repente em frente da porta e me assusta.
-Ethan?! Meu Deus! Você me assustou!
-Desculpe, Wanessa. Precisamos conversar. - O olhar dele me trouxe arrepio. Nós dois fomos até o escritório dele para conversarmos.
-É verdade que pretende deixar de ser advogada?
-S-sim, eu não acho que eu queira continuar com essa carreira. - Não esperava que a Cristina fosse tão rápida nas fofocas.
-Por quê? Você ama tanto ser advogada.
-Eu acho que amava... Mas acontece que não é o que realmente quero agora, não é a minha vocação mais.
-Eu imaginava que a perda de suas memórias faria que mudasse sua carreira...
-Escuta, Ethan. Você vai me aceitar mesmo que eu não queira mais trabalhar como advogada, certo?
-Claro que sim, isso não vai mudar nada. Eu ainda te amo...! Mas qual a carreira que pretende seguir após deixar de ser uma advogada?
-E-eu ainda não tenho certeza... - Fiquei impressionada com as palavras dele, pois é a primeira vez que ele diz que me ama, quero dizer, a Wanessa! Digo, houve também aquela vez em que ele me chamou de amor... E não entendo o porquê fui chamada apenas daquela vez. Espera... por que fiquei feliz com isso?
-Se você não sabe, não há necessidade de sair do seu cargo ainda.
-Não! Apesar de eu não saber em qual carreira seguir senão essa, ainda estou decidida a deixar de ser advogada.
-Está bem então, espero que saiba o que está fazendo. - Depois de nossa conversa, Ethan voltou para a empresa a fim de resolver os seus negócios, e eu, indecisa não soune o que fazer depois de deixar a advocacia.
Em minha vida passada eu era apenas uma adolescente rebelde que não gostava de estudar. Porém, nessa vida eu não somente deixei de ser uma adolescente, como também me tornei uma esposa de um desconhecido e uma advogada.
Em minha antiga vida, a única coisas que gostava de fazer no tempo livre além de encrencar era desenhar, porém, eu não sabia qual carreira seguir em meu futuro.
Eu sabia que teria muito tempo para decidir isso, então eu não me preocupava. No entanto, isso mudou num piscar de olhos e agora tenho que decidir rapidamente qual profissão seguir.
Minha cabeça está quase explodindo ao pensar nisto tudo. Então, parei para pensar, por que devo decidir uma profissão sendo que sou rica e não devo me preocupar com isso? Por que estou surtando com esse assunto?
Assim, surgiram muitas dúvidas que atrapalharam mais ainda a minha mente. Será que pergunto sobre isso a Cristina? Hesitante, procuro novamente Cristina para fazer pergunta a ela, contudo, ao procurá-la na mansão não a encontro. Vejo um dos mordomos e aproveito para perguntar.
-Oi, com licença, sabe aonde está a minha irmã?
-Ah, sim, senhora. Ela está trabalhando neste momento.
-Onde ela trabalha?
-Desculpe, não sei dessa informação, senhora.
-Tudo bem, obrigada, pode ir. - Fico decepcionada, então sem saber o que fazer decido apenas espera-la.
Entediada, procuro por um papel e algum lápis ou caneta em meu quarto. Demoro um tempo, mas encontro. Logo em seguida, sento sob a escrivaninha e começo a pensar no que eu poderia desenhar para passar o tempo.
Deste modo, escolho desenhar algo que pudesse expressar o que aconteceram comigo e as minhas emoções. Olhando penso em desenhar eu mesma e a mulher que incorporei, só que de uma forma que quem olhasse não pudesse identificar.
Ao terminar guardo as minhas coisas na gaveta da escrivaninha em que desenhei e logo depois vou até a cozinha para comer algo. Ao descer acabo dando de cara com um homem loiro, alto e muito bonito.
-Quem é você? - Pergunto intrigada.
-Você realmente perdeu a memória, irmã...
-Você é... o meu irmão? - Pergunto num tom de desconfiança.
-Sim, meu nome é Lyon.
-Ah sim, a Cristina me disse. - Lyon me encara com um olhar preocupado, como se sentisse culpado e logo em seguida me abraça fortemente.
-Sinto muito, irmã! Eu fiquei tão focado com os negócios que eu te deixei de lado. E agora você está assim... é tudo culpa minha, deve ter sofrido muito com isso tudo..Fico muito confusa com suas palavras, será que ele sabe o motivo de eu ter perdido a memória?
-Eu não entendo o porquê você se sente culpado, pode me dizer?
-Irmã, você perdeu a memória por causa de seu trauma, certo?
-O quê? Mas a minha irmã disse que foi por causa de uma queda que tive. - A Wanessa tem um trauma?!
-O quê?! Cadê a Cris?! - Perguntou apressadamente exaltado.
-Ela está trabalhando.
-Tá bom, eu vou lá ver ela. - Fico chocada com a atitude repentina dele.
-O quê?! Agora?! - Pergunto pasmada enquanto o seguia. -Posso ir junto?!
-Melhor não.
-Você vai conversar com ela sobre minha perda de memória, né? Então é mais justo que eu vá junto - Hesitante ele aceitou.
Depois disso, nós fomos de carro até o trabalho de Cristina. Eu estava ansiosa, pois não sabia nem o que ou onde ela trabalha. Demorou um tempo, mas quando chegamos fico chocada ao perceber que ela na verdade é fotógrafa.
Entramos em um estúdio que continha várias modelos e lá encontramos ela. No momento Cristina estava fotografando uma modelo e não ousamos atrapalhar, então esperamos por um tempo até ela terminar. Eu nunca imaginária que esta mulher é fotógrafa.
-Cris!! - Lyon grita com tanta força que ele chama a atenção de todas as pessoas ao nosso redor, o que me deixou bastante constrangida com os olhares fisgados em nós.
-Lyon?! Wanessa?! O que estão fazendo aqui?
-Estamos aqui para conversar com você!
-Sério isso? Agora não é hora para conversarmos, eu estou no horário de trabalho agora!
-Desculpa por atrapalhar, irmã! Mas eu e meu irmão queremos saber sobre o meu trauma!
-Meu Deus...! Você não tem jeito mesmo, Lyon! O que você enfiou na cabeça dela agora?! - Indignada, Cristina aproximou-se do Lyon como se quisesse dar-lhe uma bronca.
-Nada demais! Eu só quero saber se ela perdeu a memória por causa do trauma dela ou por causa de outra coisa!
-O quê?! De onde você tirou que ela perdeu sua memória por causa disso?!
-Eh... Foi uma suposição...! Você sabe, por causa de tudo que aconteceu com ela imaginei que fosse esse motivo de sua amnésia.
-Claro que não!! Hum! Como sempre, você sendo um grande paranóico imprudente!! E você, Wanessa?!Cedeu a ele tão fácil assim com suas palavras?!
-Do que vocês estão falando? - Estou mais confusa que tudo...
-Droga!! Seu desgraçado! Eu nem sei como você consegue comandar a nossa empresa! Por causa de sua imprudência agora a mana-
-Pode me responder, irmã?! - Exclamei já irritada.
-...Mana, você realmente teve um trauma. - Cristina finalmente me responde ao suspirar.
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Atualizado até capítulo 140
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