Chegando em casa, Gehaji encontrou Mairi na cozinha.
— Mãe, preciso te contar uma coisa.
Mairi olhou para ele com preocupação.
— O que foi, filho?
Gehaji explicou tudo o que havia acontecido na rua, incluindo a visão, a transformação e a reação dos
meninos.
— Eles me chamaram de capetinha, mãe...
Mairi suspirou e abraçou o filho.
— Gehaji, eu sei que é difícil, mas precisamos descobrir o que está acontecendo com você. E sobre a
visão... encontrar seu pai... isso é algo que vamos precisar entender melhor.
Gehaji assentiu, ainda triste, mas confortado pelo abraço da mãe.
— Vou te ajudar, meu filho. Não importa o que aconteça, estou sempre ao seu lado.
— Obrigado, mãenha. Eu te amo.
Depois do jantar, enquanto Gehaji lavava a louça sozinho, como sempre, ele começou a pensar na
missão que a voz lhe deu. Precisava encontrar seu pai. Mas onde começar? E por que ele estava
mudando daquela forma?
Com a mente cheia de perguntas, Gehaji terminou a tarefa e subiu para o quarto. Ele se deitou,
pensando na visão e nas palavras da voz majestosa.
— Eu tenho uma missão especial... encontrar meu pai...
Ele fechou os olhos, determinado a descobrir o que aquilo significava. Mairi, de seu quarto, também
estava pensando no que Gehaji lhe contara. Ela sussurrou para si mesma:
— Ed... meu amor, onde você está?
Assim terminava mais um dia na vida de Gehaji, repleto de novas perguntas e desafios, mas com a
certeza de que ele não estava sozinho.
Após uma manhã, Gehazi acordou não mais encarnado, mas de volta ao normal. Ele se espreguiçou
gostosamente na cama, esfregou os olhos e se levantou. De repente, soube que sua mãe havia sido
sequestrada por sete homens marginais. Ninguém os impediu porque tinham muito medo deles.
Gehazi, sentindo um misto de tristeza e ira, correu como um condenado para impedir o sequestro.
Durante a corrida, transformou-se naquele capetinha com fogo nos olhos. Numa cena épica, ele
correu velozmente, envolto em chamas, até alcançá-los. Um dos bandidos, assustado, atirou uma bala
perdida que acertou o braço de Gehazi. Ferido, ele caiu com muita dor. Mesmo assim, vendo os
sequestradores ao longe, engoliu o choro e voltou a correr atrás deles, desta vez sem a forma
demoníaca.
No meio do caminho, Gehazi caiu numa passagem secreta e foi parar num túnel subterrâneo.
Desconfiado, olhou em volta e andou até o final do túnel. Ali, deparou-se com um bar cheio de
valentões, uns com cara de bobão e outros robustos e cruéis.
— Eu nunca estive aqui antes — sussurrou para si mesmo.
Passou despercebido ao lado de um homem de capuz negro, com físico forte como o de um lutador. O
homem chamou a atenção de Gehazi e, com um tom amigável, cumprimentou-o.
— Olá, garoto. Eu sou um bom homem e serei seu guia a partir de agora neste lugar.
Gehazi, ainda desconfiado, olhou para o homem de capuz negro.
— Quem é você? E como sabe quem eu sou? — perguntou Gehazi, tentando esconder sua
preocupação.
— Meu nome é Azriel. Sei muito sobre você, Gehazi, e sobre a missão que você recebeu — respondeu o
homem, com um sorriso enigmático. — Vamos, siga-me. Temos muito a fazer.
Relutante, mas sem outra opção, Gehazi seguiu Azriel pelo bar cheio de valentões. Eles passaram por
uma porta nos fundos, que levava a outro túnel. Azriel explicou:
— Esse lugar é um esconderijo para aqueles que não são bem-vindos na superfície. Aqui, você
encontrará aliados e informações sobre onde os sequestradores levaram sua mãe.
Gehazi, ainda com dor no braço ferido, sentiu uma mistura de alívio e determinação.
— E como você vai me ajudar? — perguntou Gehazi.
— Primeiro, vamos cuidar do seu ferimento — disse Azriel, parando em frente a uma sala com
suprimentos médicos. — Depois, precisaremos de uma estratégia para enfrentar os bandidos.
Gehazi assentiu, deixando Azriel cuidar do ferimento. Enquanto Azriel trabalhava, Gehazi não podia
deixar de pensar na visão que teve e na missão de encontrar seu pai.
— Azriel, você sabe algo sobre meu pai? — perguntou Gehazi, enquanto Azriel terminava o curativo.
Azriel parou por um momento, olhando seriamente para Gehazi.
— Sei mais do que você imagina. Mas primeiro, precisamos resgatar sua mãe. Depois, falaremos sobre seu pai.
Gehazi sentiu um misto de ansiedade e esperança. Ele sabia que estava prestes a embarcar numa
jornada que mudaria sua vida para sempre. Com o braço tratado e um novo aliado ao seu lado, ele
estava pronto para enfrentar os desafios que viriam.
— Estou pronto, Azriel. Vamos salvar minha mãe.
Azriel sorriu e assentiu.
— Então vamos, Gehazi. A batalha está apenas começando.
E assim, com determinação renovada e um guia misterioso ao seu lado, Gehazi se preparava para
enfrentar os perigos que o aguardavam, determinado a resgatar sua mãe e descobrir os segredos de seu
passado.
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Atualizado até capítulo 27
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