Em uma rua chamada Rocinha, Geazi andava com as compras do mercantil pesadas nos braços
erguidos. A camisa, incapaz de cobrir sua barriga e seus braços fortes, deixava-o exposto para as
pessoas que olhavam curiosas enquanto ele passava. Sua mãe, Mairi, caminhava ao seu lado até a
casa. Geazi suava e corava de vergonha, apressando o passo.
— Que merda mano! Parem~ de olhar pro meu corpo! Por favor~ — pensava ele, surtando
internamente.
— Filho, não fica tão apressado, cê pode levar uma topada e cair com as compras — disse Mairi com
um tom preocupado.
Geazi sentiu-se obrigado a suportar a situação e murmurou baixo:
— Me fudi~.
Quase chegando ao Monte Set'apart, no topo do cume Pão de Açúcar, Geazi avisou à mãe:
— Mãe, espera! Não vai primeiro!
Com um salto surpreendente, ele pulou bem alto, como uma pulga, até o cume do monte para guardar
as compras em casa. Logo voltou com outro salto para buscar Mairi. Juntos, saltaram até lá e
finalmente chegaram em casa.
À distância, o Mount Set'apart era alto, similar ao Pão de Açúcar no RJ. Em casa, durante o jantar,
conversaram em família. Depois, Geazi se ofereceu para lavar toda a louça sozinho.
— Por favorzinho, mãenha, deixa~ tudo comigo — pediu ele em tom bondoso e manso.
Após terminar a tarefa, Geazi começou um assunto curioso:
— Olha, mãe, já viu meu corpo, né? Quando eu levanto meus braços assim, relaxado, e coloco as mãos
atrás da cabeça?
Ele riu e continuou:
— As minas vão pirar e gozar por causa de mim e cairem em cima de mim rsrs.
Mairi, com uma cara de desdém, repentinamente deu um belo duma mãozada com a chinela na cara
dele com uma força medonha, fazendo-o ficar de pernas para o ar.
— Quantas vezes eu tenho que te falar?! MENINO, EU NÃO TE CRIEI PRA SER UM VADIO,
GEAZI-O! VÁ PRO TEU QUARTO, TÁ DE CASTIGO, MENINO!
Geazi, mansamente e triste, respondeu:
— Ai, mãenha! Isso doeu. Tudo bem, eu vou lá pra cima. Eu te amo!
Com a cara ardida, ele deu um beijo de respeito na bochecha da mãe e foi para o quarto. Mairi,
olhando com orgulho e admiração, disse consigo mesma:
— Meu Geazi, sempre exibidão igual ao pai dele no passado...
Fez uma pausa, virou a cabeça e disse em seguida:
— Ed...meu amor, onde cê tá?...
Parte 03: A Visão
Nota (N/T): Gehaji em japonês tradicional quer dizer Geazi em pt br
Gehaji teve uma visão muito impressionante. Ele estava flutuando no ar em um ambiente calmo e
cheio de partículas brilhantes douradas, num fundo branco desfocado. Ele abriu os olhos um
pouquinho e ouviu uma voz muito majestosa e amorosa dizendo:
— Meu filho, eu tenho uma missão especial para você: encontre o seu pai. Eu te amo demais,
juntamente com sua mãe, Mairi. Eu sempre estarei contigo.
Gehazi acordou, ainda dolorido.
— Ah, eu ainda tô saradão e dolorido — gemeu ele de dor e desconforto.
Levantou-se, foi lá embaixo e comeu e bebeu com sua mãe na mesa da cozinha. De repente, ele teve a
ideia de ir brincar de futebol com os colegas de rua.
— Não — disse Mairi, com receio.
— Por favorzinho, mãenha, deixa eu brincar. Eu não tenho irmãos e nem amigos além da senhora.
Mairi ficou comovida com o desejo dele ao olhar nos olhos do filho e, mesmo relutante, acabou
permitindo.
— Tá bom, mas tenha cuidado.
Gehazi correu até os colegas, que estavam jogando futebol. A bola foi chutada e quase atingiu o rosto
dele, mas ele pegou na hora.
— Ei, manos, posso jogar também?
Os meninos não deixaram, mas ele insistiu.
— Puta que pariu mã!, mano, não é não e pronto!
Gehaji não se deixou abalar. com uma expressão de sem vergonha, pálpebras meio fechadas, Ele não
devolveu a bola, mas a jogou no ar e deu um mortal e um só chute impressionante de cabeça pra baixo,
fazendo a bola pegar fogo e ir direto para o gol. Todos ficaram surpresos e comemoraram.
Ao perceberem Gehaji, notaram que ele era o único branco entre eles, enquanto os outros tinham pele
morena. Além disso, sua aparência física forte, apesar de ter apenas 10 anos, chamou atenção. Eles
olharam de volta para Gehaji e perceberam que sua aparência estava mudando. Sua pele ficou
encarnada (vermelha), e seus cabelos cresceram, ficando longos e crespos, ele tinha antes um lado
raspado e o outro cheio, agora de um vermelho escuro. Seus olhos mudaram para a cor de chamas
amareladas; antes, um olho era azul e o outro, marrom.
Ao ver isso, os meninos fugiram dele com indiferença e estranheza.
— Ei, por que tão saindo? Voltem, cara! Por favor, eu só queria brincar com vocês, pô! Voltem, por
favor!
Com um pouquinho de lágrima nos olhos, Gehaji notou que sua pele havia mudado de repente, mas
sua musculatura forte não se alterou. Ele tocou no braço e viu que estava com temperatura alta, como
se tivesse febre. Seu cabelo estava quente, mas não tanto. Chegou à conclusão de que havia herdado
uma aparência de capetinha, como os colegas começaram a chamá-lo com estranheza e zuera.
Desanimado, Gehazi foi embora para casa contar tudo o que aconteceu à sua mãe.
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Atualizado até capítulo 27
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