Sete anos atrás...
Domingo, 14/01/15.
- Você vai ficar aqui até aprender a me obedecer.- Benjamim soltou o meu braço me empurrando para dentro do porão.
Cerrei os punhos com raiva, esse sentimento estava me queimando por dentro feito fogo.
Benjamim fechou a porta e só escutei os passos sumindo pelo corredor.
Me sentei em um coxão velho que havia no chão esperando alguém notar o meu sumiço e abrir a porta.
Benjamim nunca foi um bom pai, eu não quis fazer o trabalho sujo pra ele, por isso ele me trancou no porão contra a minha vontade.
- Merda!- xinguei, tentando segurar o choro.
...
Eu já estava cansado, esgotado e com fome. Eu já sabia que nenhuma pessoa da minha família ousariam descer até aqui e abrir essa merda de porta, todos tremiam de medo do meu pai e isso me deixava puto de raiva.
- Socorro! Alguém, por favor me ajuda!!- gritei, batendo na porta.
Depois de dois dias, implorando e gritando por ajuda, eu parei, não tinha comida, eu estava sobrevivendo apenas com uma garrafinha de água que tinha jogada no chão. Eu tive que urinar em um balde que tinha no canto do quarto, eu estava sujo e fedendo.
O quarto estava sujo e escuro, ecos e barulhos estranhos me assustavam toda noite. Nunca me senti tão sozinho e abandonado como eu me sinto hoje.
...
Com os olhos entreabertos, consigo ver uma silhueta de uma pessoa, esfreguei os meus olhos e me levantei do colchão.
- Mãe!
Ela me abraçou imediatamente.
- Me perdoa!- Ela falou separando nosso abraço.- Vem, vamos logo antes que seu pai veja.- Me puxou pelo braço até a porta do porão.
6:10
Tomei banho e me sentei na cama, meu corpo estava fraco e dolorido.
Logo minha mãe chegou no meu quarto com uma bandeja, havia sopa, panquecas e suco.
- Aaron, você está bem?- perguntou colocando a bandeja nas minhas coxas.
Minhas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, tentei enxuga-lás com minhas mãos para que minha mãe não se sentisse mal por minha causa.
- Você tem que aceitar Aaron! Se você continua negando o que o seu pai quer, ele vai continuar te batendo e lhe deixando no porão.- Ela ordenou.
- Eu não vou me tornar um assassino só para satisfazer os desejos do meu pai!- falei em um tom alto.
Engoli o choro e bebi um gole do suco.
- Vou chamar um médico para examinar você.- começou.- Você ficou dois dias sem comer ou beber, está doente!- Falou me encarando com um olhar triste.
- Tanto faz, ninguém se importa se eu fico doente.- respondi mordendo um pedaço da panqueca.
Minha mãe pegou seu celular em seu bolso e saiu do meu quarto.
Depois de comer, tirei a bandeja das minhas coxas e coloquei em cima da cama, me levantei da cama devagar e caminhei até as cortinas.
Abri elas e andei até a sacada, fechei meus olhos ao ver a luz do sol, levantei o capuz da minha blusa moletom sobre a minha cabeça impedindo que a luz batesse sobre meu rosto.
Coloquei minhas mãos nos bolsos da minha blusa moletom e logo notei uma pessoa me observando do outro lado da rua.
Era uma garota, estava vestida com roupas largas, cabelos pretos lisos e baixinha. Eu nunca tinha visto ela antes, deve ser alguma vizinha nova.
Ela estava parada em frente a uma casa que ficava a frente da minha.
- Filho!- escutei a voz da minha mãe me chamando.
Me virei, saindo da sacada, entrando dentro do meu quarto.
- Volta para cama filho! Você está fraco, como consegue ficar em pé?- Ela pegou no meu braço me levando até a minha cama.
...
- Onde está ele?- escutei a voz grave do meu pai no corredor do meu quarto.
- Aaron seu merdinha!- gritou, abrindo a porta do meu quarto.
- Amor, não bate nele!- Minha não falou segurando seu braço.
- Eu falei que você ia ficar naquele maldito porão até me obedecer, quem mandou você sair?- Falou em um tom de voz alto, se aproximando de mim.
Olhei para minha mãe e falei:
- Eu vou fazer o que você quer.- respondi entre dentes.
Seu olhar amedrontador estava fixo ao meu, ele estava furioso.
- Seu merdinha, eu espero que não me desobedeça de novo ou eu vou fazer pior do que dá última vez.- avisou, apontando um dedo no meu peito, enquanto me afastava para trás.
Eu o odeio, odeio me senti pequeno e com medo perto dele...
Talvez eu esteja aceitando fazer o trabalho sujo para ele por medo ou talvez seja porque eu estou farto de sofrer todos os dias, de apanhar, de ouvir xingamentos, de ficar trancado sozinho e sem comer dentro de um porão ou até mesmo de ver o olhar triste da minha mãe por causa de mim.
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Atualizado até capítulo 56
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