Jade estava concentrada em cada movimentos que fazia para não doer as suas costas enquanto limpava o segundo andar da casa. A dor estava quase insuportável. Após a surra de Vítor, outras vieram, primeiro foi sua irmã Aline, devido a uma blusa, depois foi sua mãe, devido a poeira e por último seu pai, este foi porque no domingo não havia conseguido.
Jade se sentia quebrada, exausta e com um grito de "chega" bem fundo na alma.
Ela não tinha esse sentimento de querer mais ou de merecer mais, ele surgiu quando começou a desenhar as ilustrações. Os livros eram infantis, mas havia tanto amor, tanta superação que fez com que ela se fortalecesse e desejasse algo melhor para si.
Jade estava a lembrar da sua infância. Viviam numa casa muito parecida com essa, e de uma mulher bonita que ficava deitada, e que sorria sempre quando a via, porém mostrava esforço e cansaço, ela também cuidava de Jade. No início da suas memórias a sua família não estava lá, les apenas surgiram, não tinha lembranças da sua mãe grávida, lhe dando comida, banho, etc. Quando eles surgiram Jade parou de ver a mulher deitada, passou a ficar trancada no quarto com fome, lembrava de receber beliscões, de nunca poder chorar alto.
Quando tinha 04 anos a mulher bonita morreu, nesse dia a sua família havia ficado muito feliz enquanto jantavam, somente Jade chorava por isso foi brutalmente tirada da mesa e jogada no quarto onde hoje dormia.
_ Ainda não sei o que farei com você. A sua mãe disse-lhe e saiu.
Fazia muito tempo que Jade não lembrava da mulher, como se tudo que tivesse sido deletado de sua cabeça.
As memórias foram um estopim para Jade querer saber mais, e para isso ela não poderia ser covarde, em algum lugar daquele casal deveria ter respostas e iria encontrar. O nome da Mulher era Elena.
Estava a descer as escadas quando a sua mãe surgiu.
_ Terminas-te somente agora a limpeza? Estava a fazer o quê? Deveria dar- lhe chicotada enquanto trabalha para ver se é mais ágil. Venha, quero que vás ao mercado e compre frutas, legumes e verduras. E veja se acerte pelo menos uma vez imprestável. Estamos com os braços cansados de tentar fazer-lhe alguém útil.
Jade paralisou por um segundo antes de seguir a mãe. Nunca deixou de apanhar em dia de comprar aqueles produtos, pois a sua mãe sempre achava um defeito, porém Jade estava a pensar em outra coisa, poderia entregar o resto dos desenhos que havia terminado. Ela entregava o desenho pelo correio.
Pensando nisso Jade correu até o seu quarto trancou a porta e tirou dos esconderijos o dinheiro e os desenhos, colocou por dentro da blusa e foi para o mercado.
Escolheu os melhores legumes, frutas e verduras para levar, porém, não mais para agradar à mãe, e sim para fazer pratos gostosos que talvez pudesse comer.
Saiu do mercado e seguiu para o correio e mandou por Sedex os desenhos aos cuidados de Luiz e Juliana Valente. Esse eram os nomes do casal que conheceu a tanto tempo e que sem saberem eram seus anjos da guarda. Buscou na sua caixa postal se havia chegado algo e encontrou um envelope lacrado, sabia que ali tinha dinheiro em espécie. Era assim que recebia o seu pagamento, pois não poderia abrir uma conta. Dentro daquele armário havia muito dinheiro e Jade deixou o resto lá. Era mais seguro.
Foi a correr para casa, lá chegando começou a lavar o que comprara, fez isso para dar a entender que não demorara.
Sua mãe entra na cozinha e inspeciona os alimentos.
_ Que merd@ é está? Grita e pega nos seus cabelos na nunca lhe mostrando uma maçã que embora menos vermelha que as demais estava perfeita.
_ Nunca irá aprender a fazer algo direito?
Ainda segurando os seus cabelos puxou Jade para pegar a cinta.
O terceiro estalar havia sido desferido na costa de Jade quando o seu pai entrou.
_ Acho melhor não fazer isso, pode ser que os irmãos paguem menos por uma mercadoria danificada.
A mulher para e pensa, o marido estava certo.
Deixou a cinta e foi novamente puxar os cabelos de Jade.
_:Esta com sorte.
Jade não entendeu muita coisa, mas as palavras "mercadoria danificada" acendeu una suata em sua cabeça.
Os dias seguintes foram razoavelmente calmos. Alguma coisa importante estava acontecendo. Jade continuava em alerta.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Ana Paula Antunes
na boa gosto de ler mais realmente essa está pesada demais, não suporto ver criança sofrendo maus tratos
2025-03-16
4
Maria Helena Macedo e Silva
pelas lembranças dela esse casal usurpou a casa e os pertences dela após a morte da mãe e a transformaram em escrava deles.🤔
2025-03-28
0
Paty Moreira
Autora, é o terceiro ou quarto livro seu que leio, mas nesse não estou aguentando ler tanto sofrimento e maldades.
2025-03-30
0