O resto do dia foi tranquilo, Renato ficou muito quieto e eu consegui concentrar-me na leitura do meu livro.
Na parte da tarde Júlia veio me trazer um lanche, e ficou curiosa para saber o que eu estava lendo.
_ Isa o livro que você está lendo é bom?
_ A senhora gosta de ler? É um livro de poesias.
_ Lê uma para mim, adoro poesias, mas não sou muito boa para ler.
Tá bom, este se chama “Soneto da Fidelidade” de Vinícius de Moraes.
De tudo, meu amor, serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.
Que mesmo em face do maior encanto!
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto.
E rir meu riso e derramar meu pranto.
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde, me procure.
Quem sabe a morte, angústia de quem vive.
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
_ Nossa, Isa, que lindo, muito obrigado. Acho que você deve escolher um bem bonito e ler para o Renato, quem sabe ele vira a bela adormecida e você o acorda com um beijo.
_ Muito engraçado Júlia, mas pelo que sei o coração do Renato já tinha dona, e eu não sou muito boa com relacionamentos, se ele sair dessa cama com certeza seremos grandes amigos.
Júlia vai para a cozinha e eu fico beirando a cama olhando para Renato, por um momento esqueci que ele pode me ver ali olhando para ele.
_ Se você continuar me olhando assim, pensarei que está se apaixonando por mim.
_ Só fiquei pensando no que a Júlia falou, será que se eu trouxer a Lindsey aqui e ela te beijar, você acorda?
_ Minha mãe nunca permitirá e ela está casada e morando na Flórida, também não sei se quero vê-la.
_ Tentarei, localiza-lá, de repente ela se separou. Anos é muito tempo.
_ Deixa isso para lá, eu não quero ser beijado por ela, na história é um beijo de amor verdadeiro e já não sei se era amor o que eu sentia.
_ Renato, não custa tentar, para de ser teimoso, você está com medo de ver a Lindsey de novo e não conseguir voltar, eu te entendo, mas terá que superar o medo.
_ Você já escolheu o poema que lerá para mim?
_ Você quer que eu leia para você?
_ Eu não tenho nada mais importante para fazer, você tem?
_ Não, você tem preferência por algum autor?
_ Não, escolhe um que você ache que se parece comigo.
_ Escolhi um que acho que você gostará.
“As Cem Razões do Amor”
Carlos Drumond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça.
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo.
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
_ Renato, você continua aí? Gostou?
_ Espera, acho que estou chorando.
Levantei e fui beirando a cama e realmente, tem lágrimas escorrendo dos olhos do Renato, toquei o seu rosto enxugando as lágrimas.
_ Isa eu senti sua mão, me subiu um calor pelo corpo.
Peguei a mão dele e dei um beijo.
_ Sentiu isso? Renato.
Ele não me respondeu e sumiu o resto do dia, eu devo estar ficando maluca, como posso contar para alguém que estou falando com meu paciente, e como segurarei isso sozinha.
Chegou a hora de trocar as roupas de cama e o uripen, chamei Júlia para me ajudar, puxei Renato e ela enfiou o lençol embaixo dele e assim trocamos a roupa de cama, agradeci esperei ela ir embora e descobri Renato, já tinha deixado tudo preparado.
Peguei o pênis dele para tirar o uripen usado e fazer a higiene para colocar o limpo, ele falou e eu me senti fazendo uma coisa errada.
_ Tenta não machucar o meu amigo, se eu acordar precisarei dele.
_ Nossa, Renato, você tinha que falar comigo bem agora? Você me assustou.
_ Isa achei que você já estava acostumada a cuidar de homens.
_ Não com um que fica falando comigo, como você está fazendo, volta a dormir, que terei que acabar o que comecei e não fala comigo.
Ficou tudo quieto, achei que ele tinha ido sei lá para o de ele vai, respirei fundo peguei o amigo dele na mão e vesti o uripen, parece uma camisinha, mas tem um furo onde é colocado o cano por onde o xixi passa, isso é para não colocar a sonda uretral que pode dar infecção, coloquei e colei com o micróporo, arrumei a roupa dele e cobri com o lençol.
_ Posso falar agora.
Dei um pulo, porque pensei que ele não estava ali.
_ Eu ainda morrerei infartada e a culpa será sua, o que você quer falar?
_ Você tem a mão macia, posso sentir o toque dela em mim.
_ Que bom é sinal que você está voltando, espero que volte logo, não aguento mais me achar louca.
_ Fiquei magoado, você quer ir embora e vai me deixar assim que eu acordar?
_ Não sei ainda, esperaremos você acordar.
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Atualizado até capítulo 57
Comments
Idvani Souza
autora vc escolheu poesias lindas... assim até acaado chorou
2024-12-18
1
Arlete Fernandes
Ela fazendo a higiene dele foi o máximo kkkk
2024-12-05
1
Lu e a Estante de Sonhos
Acho que ele tá gostando é de assustar ela!!! Ela é muito espontânea e isso tá fazendo a diferença pra ele voltar
2024-12-19
2