_ Renato, quero que você tente lembrar o dia do acidente, o que aconteceu no dia, o que você fez?
_ Aquele dia tive uma discussão com minha mãe, ela queria que eu cuidasse da floricultura eu não queria ficar preso o dia todo eu já tinha feito uma floricultura de bairro virar um ponto de apoio a outras floriculturas, passamos a vender para o estado inteiro e ela queria que eu ficasse lá o dia inteiro, eu fazia faculdade de manhã e a tarde queria me divertir.
_ E depois dessa discussão, para onde você foi?
Tomei um sorvete com a minha namorada, o meu amigo chegou com a moto dele e me disse: experimenta, eu acabei de trocar as rodas, agora ela parece uma moto de corrida.
_ Continua Renato, Renato, você está aí?
Ele não me respondeu, é hora da massagem, levantei tirei a mesa e coloquei tudo na bandeja pronto para a Júlia levar embora, comprei um óleo aromático para fazer a massagem e proteger a pele e comecei no rosto.
_Renato começarei a fazer a sua massagem pelo seu rosto, este óleo que comprei a moça da loja disse ser ótimo para relaxar e para evitar escaras.
_Agora farei força no seu braço, devia ser bem forte. Ainda posso sentir os seus músculos mesmo depois de 10 anos, acamado.
Estou descendo pelo peito dele fazendo a massagem Júlia chega pegar a bandeja, me olha se aproxima e passa a mão no cabelo de Renato. Puxei assunto
A senhora trabalha na casa há muitos anos?
_ Desde que Renato nasceu, quando D. Aurora ficou viúva, Renato tinha 4 anos, ela entrou em depressão e quase morreu. A única coisa que a manteve viva foi o filho.
_ E a senhora lembra do acidente, aconteceu mais alguma coisa naquele dia?
_ O acidente foi horrível, antes dele bater no poste, destruir a moto na parede da escola, ele atropelou uma pessoa, eu não lembro se era homem ou mulher, mas sei que a pessoa faleceu no hospital alguns anos depois, lembro de D. Aurora comentando que devido à sequela a pessoa nunca mais pode trabalhar.
_ Obrigado, Júlia, pode ir agora encosta a porta, quero fazer a massagem nas pernas dele agora.
Julia saiu e eu fiquei pensando que essa história parece muito com o acidente que feriu a minha mãe, mas não pode ser. A minha mãe me disse que foi um carro que atropelou ela e que o indivíduo que provocou o acidente faleceu.
Será que ela mentiu para mim? Se mentiu, por quê? Será que estou cuidando da pessoa que acabou com a vida da minha mãe?
_Renato, agora farei a massagem em sua perna, eu não sei para onde você foi, mas estou começando a entender algumas coisas do seu acidente.
Acabei a massagem e nada do Renato voltar, acho que devia ser loucura minha, mas parece que já acabou.
Sentei e estava lendo meu livro. A porta do quarto abriu-se, um senhor bem-apessoado entrou e me cumprimentou.
_ Boa tarde! Senhorita, eu sou o médico de Renato, preciso fazer alguns testes e colher o sangue para ver se está tudo bem com ele.
_ Boa tarde, doutor, por que o exame de sangue?
_ Porque ele pode desenvolver uma anemia, por tomar só dieta líquida.
Ajudei o doutor ver as condições físicas de Renato, que estão ótimas, e a colher o sangue.
_ Como você se chama?
_ Isabela, sou enfermeira formada, me especializei em acamados.
_ Seu nome é lindo, não tanto quanto a dona.
_ Doutor, estou trabalhando.
_ Isa, se você quiser sair desse serviço, posso arrumar-te uma vaga no hospital, é só você ser boazinha comigo.
Ouço Renato resmungando:
_. Mas que cara folgado, o que ele pensa que é? Velho nojento, babão, se eu não tivesse preso nessa cama, ia fazer ele engolir esse sorrisinho dele.
_ Vai embora daqui, doutor. Fingirei que não te escutei para não causar problemas, mas se o senhor mexer comigo de novo, arrancarei seu pau e pendurarei aqui na janela para todos verem.
_ Você é muito sem educação, só lhe ofereci um emprego.
Depois que o doutor foi embora, voltei a falar com Renato.
_ Você resolveu voltar? Onde você esteve?
_ Eu não sei te explicar, toda vez que tento me lembrar do acidente acontece isso, parece que alguma coisa me põe para dormir, e dependendo da lembrança, fico de horas há dias dormindo.
_ Tá bom, Renato, eu consegui saber mais uma coisa, naquele dia você atropelou uma pessoa, que ficou muito ferida.
_ Era mulher ou homem?
_ Eu não sei, só sei que ficou ferida a ponto de não poder trabalhar mais.
_ Nossa, eu destruí a vida de alguém, fui inconsequente, imaturo. Minha mãe tem razão, eu só pensava em mim, tenho mais é que ficar aqui nesta cama mesmo, sou um monstro.
_ Não é bem assim, você era jovem e não sabia que isso ia acontecer, e pelo que sei, sua mãe auxiliou a pessoa até o fim da vida dela.
_ Você é ótima, pede demissão e vai embora, eu não mereço ser ajudado.
_ Eu não vou a lugar nenhum, e você não me parece ser tão ruim assim.
_ Acho que era uma mulher, posso ouvir o grito dela.
_ Tentarei descobrir com a sua mãe.
E se matei mesmo alguém, você convencerá minha mãe de que deve desligar os aparelhos e me deixar morrer.
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Atualizado até capítulo 57
Comments
Beth Silva
tenho pra mim que esse acidente tem dedo da namorada e do amigo que emprestou a moto. é só pesquisar bem fundo que irão descobrir.
2025-02-06
2
Luiza Lora
estou gostando muito acho que a mãe dela está ajudando os dois
2024-12-31
1
Fatima Matos
Será que essa moto do amigo estava com algum problema .
2025-03-24
1