As irmãs olharam chocadas para Juriciel. Como o irmão Juliano que elas conheciam podia ser um anjo? E ainda mais um anjo caído que perdeu suas asas e renunciou ao céu?
- Isso é verdade... irmão Juliano? – Perguntou a Madre que mostrou estar com medo da resposta que poderia receber.
- Sim é verdade. – Respondeu Juriciel.
- Mostre a elas. – Encorajou Rafael.
- Mas... Rafael isso pode ser – Erguendo o braço direito Rafael fez com o que Gabriel parasse de falar.
- Elas tem saber de tudo! – Lembrou Rafael. – Tudo que pudermos contar e mostrar a elas e essa é uma boa oportunidade.
Gabriel assentiu ainda com dúvidas, o Arcanjo achava que as irmãs ainda não estavam preparadas para aquele tipo de revelação, algumas verdades poderiam levar os humanos a loucura e Gabriel temia isso, mas Rafael tinha razão normalmente os humanos não precisam saber sobre os envolvimentos de anjos e demônios em seu dia a dia, mas para aquele grupo seu pai pediu para que não as deixassem de fora, que não ocultasse a verdade a elas, seu pai deveria ter planejado algo. Gabriel colocou esse pensamento em mente, deixou suas dúvidas de lado e apoiou seu irmão Rafael e incentivou Juriciel a se revelar as irmãs.
Miguel por lado continuava a encarar o caído como se ele fosse um inimigo, Gabriel temia que em algum momento seu irmão partisse em direção a Juriciel e o atacasse ali mesmo na frente das irmãs.
- Tudo bem Rafael, farei isso só por que você me pediu, apenas por esse motivo! – Essas palavras saíram como uma ameaça, o jovem deixou claro que não gostava da presença de Miguel e Gabriel, mas por Rafael resolveu fazer o que o Arcanjo havia pedido.
Se afastando de Miguel que o seguia com o olhar, Juriciel caminhou para o lado ficando entre o segundo corredor das fileiras das mesas, em uma posição onde todos poderiam visualizá-lo sem problema algum. Lentamente ele começou a erguer sua camisa revelando seu tronco musculoso e abdômen definido. Retirando a camisa ele a jogou sobre a mesa. Algo curioso chamou a atenção das irmãs, não era o fato das mulheres que fizeram votos de castidade estarem vendo um homem praticamente seminu, mas a cicatriz em seu corpo. Da garganta até o esterno uma cicatriz vermelha se destacava sobre a pele branca do caído, a cicatriz parecia ter sido adquirida recentemente, mas os anjos sabiam que aquela marca era algo antigo, de tempos a trás quando Juriciel lutou junto a Miguel e seus anjos guerreiros contra os seres pagãos nas "Batalhas Etéreas".
Juriciel lentamente virou ficando de costas, e ao revelar suas costas um grito sufocado pode ser ouvido vindo de uma das irmãs. Juriciel tinha em suas costas uma cicatriz parecida com a de seu tronco, mas essa era diferente. Um V de cabeça para baixo era visível em suas costas, a cicatriz começa em seu cóccix uma de cada lado próxima aos seus quadris e percorrendo suas costas se uniam no topo sobre a coluna vertebral.
- Aqui. – Dizia Rafael que agora estava próximo do caído ficando alguns metros a sua frente. - Era o local aonde ficava suas asas, se quiser podem comparar com as minhas. – Retirando sua blusa e a camisa Rafael a jogou sobre a mesa e ficou de costas ao lado de Juriciel.
O Arcanjo tinha a pele morena, mas Juriciel era maior que o arcanjo e mesmo de longe era visível que a cabeça de Rafael ficava na altura de seu ombro e Juriciel tinha a musculatura das costas mais desenvolvida do que Rafael. Olhando por esse ponto de vista, Juriciel parecia ser mais forte e poderoso que Rafael, mas a realidade não era essa e sim ao contrário. As irmãs olharam com curiosidade um movimento. Algo estranho acontecia nas costas de Rafael algo dentro do corpo do arcanjo se movia e forçava sua pele de dentro para fora tentando sair e realmente estavam certas.
Em segundos um par de asas brancas cobriam as costas do arcanjo, as asas que a princípio pareciam cobrir toda as costas do arcanjo na verdade cobriam o mesmo lugar que era marcado nas costas de Juriciel. Os dois pareciam duas esculturas esculpidas, uma perfeita obra de arte retratando o antes e o depois. Juriciel era antes, as marcas em suas costas mostrava o local onde iriam ser colocada as asas e Rafael era o depois, mostrava como ficaria após as asas serem colocadas.
- O irmão Juliano também tinha asas lindas como as do Dr. Rafael? – Perguntou a irmã Patrícia.
- Sim eu tinha irmã. – Respondeu o caído que pegando sua camiseta tornava a vesti-la.
Rafael recolheu suas asas em um piscar de olhos, elas foram recolhidas fundindo perfeitamente em suas costas fazendo parecer que no local nunca havia aparecido um par de asas e enquanto vestia suas vestes Juriciel continuou a falar:
- Eu as perdi por que me apaixonei por uma mulher, por uma humana como vocês, e como disse Rafael um anjo não pode se apaixonar e eu me apaixonei, por isso por preferir minha amada ao céu e então perdi minhas asas.
- Mas isso é muito cruel o amor deveria ser igual para todas as criaturas. – Respondeu a irmã e a tristeza pode ser ouvida em sua voz fazendo os irmãos e o caído a olhassem surpresos.
Gabriel se recompôs primeiro começou a explicar a situação a ela.
- Nós não temos permissão para isso para nos relacionar, somos seres de luz e de amor como o nosso pai, mas ele deixou o direito de amar para vocês, pois vocês têm algo que nós não temos.
- E o que seria?
-O livre-arbítrio! – Respondeu Miguel por Gabriel. – A liberdade de fazer suas próprias escolhas, qual caminho seguir? O que farei da minha vida? Vocês têm esse direito e nós não! Mas em uma coisa somos parecidos com vocês.
- Parecidos conosco? – Perguntou a Madre ficando confusa e a mesma confusão era visível no rosto de cada uma das irmãs.
Miguel iria responder, mas outro tomou o partido e despejou suas palavras as elas fazendo com o que Arcanjo se calasse.
- Um humano tem duas escolhas se casar ou servir ao sacerdócio. Se ele se casar não poderá escolher o sacerdócio, mas se escolheu o sacerdócio e resolve depois se casar terá de deixar se seguir esse caminho, o mesmo é com os anjos. Se um anjo escolhe a terra ao invés do céu ele não pode continuar seguindo o caminho de um celestial e assim como um Padre, ou Madre, que escolhe o amor tem que deixar o sacerdócio, o mesmo é com um anjo e para isso ele tem que cair, as asas tem muitos significados e não apenas o de voar elas são como "chaves" para que um "anjo possa acessar o céu".
Ao terminar sua explicação o silêncio novamente tomou conta do local. As irmãs pensavam sobre o assunto, algumas discutiam entre si chegando as suas conclusões.
- Entendemos mas quem é o responsável por fazer isso? Quem é aquele que quando preciso faz os anjos caírem?
O silêncio novamente tomou conta do local, a pergunta da irmã calou profundamente todos os anjos inclusive Juriciel o irmão Juliano.
- Sou eu! – Disse Gabriel rompendo o silêncio e atraindo a atenção para si.
- O.. O senhor? – Perguntou a irmã gaguejando.
- Sim sou eu irmã!
- Mas o senhor não parecer ser tão cruel.
- Cruel eu? – A pergunta abalou Gabriel, então era isso que elas pensavam dele? Era esse pensamento que tinham do Arcanjo ao saberem que ele era o responsável por fazer alguns anjos caírem?
Gabriel não sabia o que dizer. Ele sentiu a raiva tomando conta de seu ser, ele queria dizer algumas verdades a elas, dizer o que sentia ao ouvir aquilo, ele não era mal jamais seria, Gabriel não gostou de ter recebido essa missão, de ser o responsável pela queda de alguns anjos, mas alguém tinha que fazer esse trabalho e ele era o escolhido para essa função.
- Não pensem assim sobre ele irmãs. – Disse o Juriciel que agora estava ao lado de Gabriel e surpreendeu o Arcanjo por defende-lo.
- Existem muitos motivos que fazem os anjos caírem como dizem "Cada caso é um caso". O meu por exemplo foi por amor, eu pedi para cair, eu queria muito estar com a minha amada eu sabia que o destino seria esse. De deixar a Ordem Celeste e mesmo assim eu o quis, pode parecer cruel o que Gabriel faz, mas nem sempre é assim. Infelizmente existem alguns anjos que se corrompem facilmente, e não merecem estar no céu um exemplo é Lúcifer. Alguns anjos que Gabriel derruba infelizmente são assim como ele, em todos esses séculos na terra conheci muitos anjos que pensam dessa forma. Culpam o céu e aquele que os derrubou, mas pensamentos negativos invadem a cada segundo seus corações, eles erram e não tem a capacidade de assumir seus próprios erros e culpam outros por isso, culpam o céu por isso, alguns até se aliam a Lúcifer fortalecendo mais ainda o seu exército, outros preferem continuar na terra. Vivendo suas vidas, mas ainda culpando aos céus por não os entenderem, e outros fazem maldades atacam os humanos para desafiar a Deus. É uma função muito cruel pode até parecer, mas volto a dizer cada caso é um caso.
As palavras de Juriciel calaram a todos.
- Obrigado. – Disse Gabriel na mente do caído.
- Eu quem agradeço senhor Gabriel. – Respondeu o caído.
- Sinto muito se fui grossa ou se eu disse algo que não deveria eu apenas...
- Tudo bem. – Disse Gabriel com calma.
- É normal essa reação, vocês não tinham conhecimento, peço perdão por uns segundos me enfureci, mas as palavras de Juriciel ou melhor do Irmão Juliano me trouxeram de volta a realidade e lembrei que vocês não têm conhecimento sobre algumas leis celestes, sei que existiram outras leis e outros assuntos sobre nós que não iram concordar, mas espero que sejam racionais e não os nos julguem. E também que um dia entendam o porquê as coisas são assim.
- Se tiver paciência e tempo todos nós iremos entender.
- Paciência e tempo é algo que temos de sobra irmã.
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Atualizado até capítulo 25
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