Capítulo 6

O calor das chamas se intensificava a cada segundo.

Adrian rapidamente, pega meu braço correndo em direção ao fundos se afastando da janela.

Quando vejo que estamos indo em direção a porta de trás, eu puxo o braço dele de volta

" Não!" Digo firme minha voz se sobressaindo ao barulho das chamas

" A gente tem que dar o fora!"

" Eles estão esperando a gente sair!" Grito

" E o que sugere? Ficar aqui e virar carvão?!" Ele esbraveja

" Vem comigo" Digo indo em direção ao armário

" Não dá pra se esconder agora Ayla!" Ele grita

Eu apenas ignoro afastando todas as coisas do caminho pra revelar uma porta oculta

Pego minha mochila que estava do lado, tiro o bastão de luz e jogo dentro do esconderijo. Em seguida, jogo a mochila e entro, deslizando pelo túnel estreito

" Desce logo !" Digo assim que chego no chão me afastando um pouco

Não demora muito Adrian desce também

" Onde a gente tá?" Ele pergunta

" É uma passagem pra emergência" Digo

Eu continuo andando usando o bastão de luz pra me guiar pelo túnel, e ele vem logo atrás de mim...

Quando finalmente chegamos no final eu me viro com dificuldade, colocando o pé na saída e empurrando a porta...

Por conta da neve, estava difícil e ela tava emperrada

Vamos lá......

Eu continuo empurrando e empurrando...

O cheiro de fumaça já tava tomando conta do túnel e cada respiração estava se tornando mais difícil...

Meu coração acelerado, a adrenalina correndo em minhas veias...

Não posso morrer assim, não agora....

Vai!

Eu empurro mais e mais....

" Me ajuda!" Eu sussurro e então em uma última tentativa eu chuto a porta fazendo ela se abrir de uma vez

Eu me arrasto pra fora e Adrian vem logo em seguida.

O ar gelado da noite preenchendo nossos pulmões enquanto nós arrastamos pra longe da porta

Eu ajeito a mochila nas costas e puxo Adrian ajudando ele a ficar de pé e então puxo seu braço e começo a correr...

Ele vem atrás e nós corremos e corremos...

O ar gelado fazendo meus pulmões doerem...

Eu não sentia meus pés, nem minhas mãos, a adrenalina e o frios faziam meu rosto ficar dormente....

Eu apenas corria sem olhar pra trás...

Eu não sabia para onde estávamos indo, apenas sabia que precisávamos continuar correndo, nos afastando cada vez mais do perigo que nos ameaçava. O som distante das chamas se misturava ao uivo do vento, uma sinfonia sinistra que ecoava em nossos ouvidos enquanto corríamos pela escuridão

Eu não sei quanto tempo estamos correndo,mas escuto Adrian gritar pra pararmos, mas o medo ainda pulsava em minhas veias, me impulsionando a correr mais rápido, mais longe.

Eu só paro quando sinto seus dedos se fechando em meu pulso me puxando com força pra trás.

Eu luto contra ele por um momento, me debatendo tentando sair dali pra correr, meu corpo tremendo de adrenalina e pavor

"Você tem que parar de correr, Ayla!" Adrian diz sua voz soando firme

Ofegante e ofuscada pela névoa do terror, finalmente paro, meu peito subindo e descendo com o esforço desesperado

"Olhe para seus pés " Ele diz quase como uma ordem

Relutantemente, desvio meu olhar para baixo e vejo meus pés descalços, roxos pelo frio intenso.

No desespero e com a adrenalina eu nem liguei se estava de sapato ou não

Ando até um tronco que tinha ali, me sento, abro a mochila e pego o par de sapato reserva o calçando.

A raiva borbulhava dentro de mim enquanto minha mente ficava relembrando as chamas engolindo minha casa.

Eu olho pra Adrian que está com sua cara sem emoção , como se nada o afetasse e isso só me deixa mais furiosa

"Olha só o que você fez!", eu digo com voz trêmula de raiva " Eles farejaram você até a minha casa! Por sua causa, minha casa já deve ter virado cinzas!"

Adrian balança a cabeça com desaprovação.

" Nada disso! Não foi minha culpa. Eles não farejaram a mim, eles farejaram você", ele responde, sua voz fria e assertiva.

"Não tem como eles me rastrearem, eu não tenho cheiro de bicho igual você !", eu insisto, minha voz soando cada vez mais irritada.

"Tem sim. Você tem um cheiro insuportável de baunilha", Adrian responde calmamente.

Eu fico atordoada com sua afirmação, sentindo uma mistura de incredulidade e indignação.

"Baunilha?", eu repito, incrédula. "Eu não acredito que você está me culpando pelo meu perfume!"

Ele dá de ombros, sem se desculpar.

"Você deveria escolher um perfume menos marcante. Não é uma boa ideia atrair lobos com o cheiro de sobremesa."

Eu fuzilo sentindo a raiva cresce cada vez mais dentro de mim

"Olha, eu sei que não foi fácil, mas se você tivesse confiado em mim desde o início, talvez pudéssemos ter evitado tudo isso." Ele diz

"Confiar em você? Por quê? Porque você é um lobo? Desculpe se não estou pulando de alegria com a ideia de confiar em um animal selvagem que vive dentro de um homem!", Respondo, minha voz carregada de desdém.

Ele olha para mim, seus olhos transmitindo uma mistura de frustração e resignação.

"Acredite ou não, Ayla, eu não tô nada feliz com isso. Mas o Dark só tá querendo te proteger, mesmo que você não perceba."

"Proteger? Essa 'proteção' acabou de colocar minha casa em chamas!", grito, as palavras escapando de mim em uma torrente de emoção.

Eu ando de um lado pro outro tentando respirar, tentando controlar a emoção, mas é impossível segurar as lágrimas de raiva e tristeza que caiam pelo meu rosto

Ele dá um passo em minha direção.

"Ayla, eu sei que isso é difícil, mas precisamos encont-."

"Não me diga o que fazer!" Disparo, minha voz embargada pela raiva e pela mágoa. "Você não tem ideia do que estou passando. Eu perdi tudo...tudo o que tinha...Toda a minha vida! Todas as minhas lembranças agoram estão virando cinzas!"

Ele me olha por um momento como se estivesse travando uma luta interna dentro dele

" Olha eu sin-"

"Cala a boca!" Digo entre os dentes, minha voz saindo quase como um rosnado , fazendo ele recuar um passo "Você não tem o direito de me dizer nada. Você não tem ideia do que eu estou sentindo!"

Eu me viro incapaz de suportar mais um momento daquela conversa. Sentia como se estivesse à beira de um abismo emocional, prestes a cair a qualquer momento, mas tudo que eu faço e continuar a andar, os passos pesados ecoando no silêncio da noite.

Adrian segue ao meu lado, mas sua postura impertubável me incomodava mais do que ele podia imaginar.

Eu queria gritar, queria chorar, queria desabafar toda a dor e frustração que me consumiam. Mas algo dentro de mim me impedia de fazer isso naquele momento. Talvez fosse o choque da perda, ou talvez fosse o orgulho ferido que me impedia de mostrar minha vulnerabilidade diante dele.

Adrian continuava a andar ao meu lado, seu silêncio tão ensurdecedor....

Era como se ele estivesse em um mundo completamente diferente do meu, um mundo onde minha dor e minha perda não tinham significado... como se não se importasse com o que eu estava passando.

Eu queria confrontar ele , queria gritar com ele, queria sacudir ele, até que ele entendesse a magnitude do que havia acontecido. Mas as palavras morriam em minha garganta, sufocadas pela dor e pelo desespero que me consumiam.

Eu tiro uma alça da minha mochila, virando ela pra frente, apenas pra pegar a bússola dentro dela.

" Pra onde você quer ir? " Ele diz olhando pra bússola

"Pra droga da aldeia", respondo, minha voz carregada de amargura. "Não tenho escolha."

Eu sabia que ir para a aldeia de Adrian não seria fácil, mas, naquele momento, não me restava outra opção.

Tudo o que eu conhecia e amava havia sido consumido pelas chamas, e eu não podia continuar vagando sem rumo na escuridão da noite.

" Deixa que eu guio a gente" Ele diz

" Faz o que quiser" Murmuro

Apesar do frio penetrante que me envolvia, eu me recusava a ceder ao cansaço.

Cada passo parecia um esforço sobre-humano, mas eu sabia que precisava continuar.

O vento cortante da madrugada soprava contra nós, como se quisesse nos empurrar de volta ao abismo da escuridão que deixávamos para trás.

Finalmente, depois de uma jornada que pareceu uma eternidade, avistamos a aldeia à distância. As luzes fracas das ruas pareciam um oásis de segurança na noite escura.

Meu coração batia mais forte à medida que nos aproximávamos, uma mistura de esperança e apreensão inundando meus pensamentos.

"Estamos quase lá", Adrian murmura , sua expressão impassível escondendo qualquer emoção que pudesse estar sentindo.

Com cada passo mais próximo da aldeia, a promessa de um novo começo se tornava ao mesmo tempo mais sólida e aterrorizante.

Não sabia o que me esperava lá, mas estava determinada a enfrentar o desconhecido...Eu não tinha mais nada a perder....

Adrian parecia determinado a encontrar uma maneira de entrar na aldeia sem levantar suspeitas. Ele me guia por um labirinto de vielas escuras e passagens ocultas.

Ele conhecia o lugar como a palma da mão e eu comecei a me perguntar qual o seu real papel aqui...

Ele disse que era um alfa, mas eu tenho a impressão que não é apenas isso....

Enquanto seguíamos em frente, eu mantinha minha guarda alta, ciente de que estava em território desconhecido e que a menor falsa movimentação poderia nos colocar em perigo. Adrian, por outro lado, parecia completamente à vontade, me guiando com firmeza pelas ruas silenciosas da aldeia adormecida.

O lugar era bonito eu não podia negar....

As casas eram bem construídas, as ruas limpas e bem pavimentadas...

Era tudo muito bem organizado...

De dia esse lugar devia ganhar vida e ficar ainda mais bonito

Continuo a seguir Adrian até uma casa, de aparência rústica e imponente.

Ele me conduz até a porta e a abre, fazendo um gesto silêncioso pra mim entrar.

"Onde estamos?", Pergunto olhando em volta um pouco desconfiada, assim que ele fecha a porta

"Esta é minha casa", Adrian responde ligando a luz "E você vai ficar aqui a partir de agora."

" Por que eu vou ficar aqui? Não vai pegar mal pra você, uma desconhecida dormindo na sua casa?" Pergunto com um leve deboche

"Não, porque você não será uma desconhecida para os outros aqui."

Minha testa se enrruga em confusão

"O que você quer dizer com isso?"

"Quero dizer que você será minha noiva", Ele diz me olhando fixamente .

Eu fico em choque....

Minha mente trava por um momento tentando processar o que ele disse....

Balanço minha cabeça em negação lentamente, como se minha mente tivesse pifando aos poucos

Sem pensar duas vezes, avanço em sua direção, meus punhos cerrados pronto pra acabar com ele.

Assim que minha mão se direciona pro rosto dele, ele bloqueia segurando meu braço. Quando tento com a outra mão ele me segura novamente

"Você não pode fazer isso!" grito, lutando contra sua firmeza.

"Eu sei que você está com raiva, Ayla, mas não tenho escolha", ele diz, seus olhos transmitindo uma mistura de frustração e calma. "Nenhum de nós tem. Dark quer você aqui, e as coisas vão ficar complicadas se você não estiver por perto."

Eu ainda tremia de raiva

" Pro inferno! Eu não vou ficar mais um minuto aqui!" Esbravejo tentando me soltar, me debatendo, mas isso só faz com que ele segure meus braços com mais firmeza

"Ayla, pare com isso!", ele ordena, sua voz grave e autoritária.

Tento me debater mais

"Me solta!" grito, lutando contra sua força.

Adrian me gira ,me empurrando e me prendendo contra a parede, seu corpo imponente bloqueando qualquer chance de escapar. Seus olhos me perfuraram com intensidade, sua expressão séria e decidida.

"Você vai ficar quieta" ele rosna, sua voz baixa e ameaçadora.

" E se eu não ficar?" O desafio, minha voz tremendo de raiva e medo.

Ele se aproxima ainda mais, seu hálito quente roçando minha pele

"Se você não ficar quieta, vou garantir que você se arrependa." Sua voz era um sussurro sombrio, ecoando no espaço entre nós

Sinto um arrepio percorrer minha espinha enquanto suas palavras me atingiam

Respiro fundo, tentando controlar a raiva que fervilhava dentro de mim. Mesmo que quisesse lutar, sabia que estava em desvantagem contra ele naquele momento.

"Você tá louco se pensa que vou me tornar sua noiva só porque um lobo dentro de você quer!".

Toda essa situação parecia surreal, e eu me recusava a aceitar calmamente.

"Você não entende, Ayla", ele diz "Não há outra escolha para nós. Você precisa ficar aqui."

"E se eu simplesmente matar você? E aí? Quem vai me impedir ou me manter aqui?" O desafio, minha voz soando mais firme do que eu esperava.

Seu aperto se intensifica momentaneamente, mas seus olhos permaneceram fixos nos meus, sem piscar.

"Você não seria capaz", ele afirma, com uma confiança quase desafiadora.

Isso é fato.... eu não mataria ele....isso tá além das minhas capacidades físicas e emocionais, mas eu não posso desistir

" Não me desafie" Digo entre os dentes enquanto uma lágrima traidora rola pelo meu rosto

Adrian respira fundo e solta meus braços se afastando.

Aquela expressão..... como se ele lutasse internamente...

"Venha, eu vou te mostrar seu quarto." Sua voz soando um pouco mais suave agora, talvez até mesmo um pouco arrependida.

Sem escolhas eu o sigo...eu estava exausta e precisava descansar...

Ele me leva até um quarto pequeno, mas aconchegante, com uma cama simples, uma mesa de cabeceira e uma janela que dava para a aldeia adormecida lá fora.

"É aqui que você vai ficar", ele diz evitando meu olhar. "Vai dormir. Eu cuidarei do resto amanhã" sua voz soando mais como uma ordem do que sugestão

"Você não pode simplesmente me trancar aqui e esperar que eu aceite tudo isso!", protesto

Ele apenas me lança um olhar sério antes de sair do quarto, me deixando sozinha com minhas incertezas e medos.

"Eu prefiro morrer a ser sua noiva!", grito para a porta fechada, mas minhas palavras ecoam no vazio do quarto, sem resposta....

Sinto meu queixo tremer, junto com todo meu corpo...

Eu apenas me jogo na cama e deixo todas as lágrimas caírem...

Toda a dor que eu estava sentindo, saindo de mim em forma de lágrimas....

Tudo que eu tinha....

Tudo que me restava da minha família....

Eu perdi tudo...

Eu me encolho na cama, me sentindo desamparada, vulnerável, com uma dor angustiante no peito...

"Desculpa....eu falhei em te proteger...."

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Comments

Kailine Kaay

Kailine Kaay

Tenho pena se tiver sido ele que fez isso com a casa dela

2024-12-12

1

Joelma Oliveira

Joelma Oliveira

preparada pra uma guerra que agira chegou

2024-12-05

1

Joelma Oliveira

Joelma Oliveira

falou c sua loba tenho certeza

2024-12-05

1

Ver todos

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