— Laura, eu quero que entenda que tudo isso é muito difícil para mim. Eu odeio como me sinto quando estou com você, você faz com que eu me sinta fraco e vulnerável e isso é irritante. Mas o pior é que tão próxima assim de mim, você vai acabar se machucando, eu não posso te dar o que você quer Laura, eu não sou um daqueles príncipes de suas histórias, comigo você nunca vai viver um amor como sempre sonhou, eu não posso te amar Laura, meu coração é vazio e fechado, você não pode entrar. - Pierre fala de maneira calma, sentado na cama ao lado de Laura.
— Pare de supor o que eu quero ou do que eu preciso, você também não me conhece, quando olha pra mim tudo vê é um cordeirinho indefeso, mas a verdade é você quem sempre foge, é você quem tem medo de mim e é você quem é o covarde que esconde seus sentimentos e não encara seus demônios, você se esconde atrás de uma máscara de lobo mau, quando na verdade é apenas um cordeiro ferido. Se você quer me manter afastada, tudo bem, não vou insistir com você, mas pelo menos seja sincero com seus sentimentos e não culpe ninguém além de você mesmo, por sua falta de coragem de ao menos dar uma chance para nós. - Laura fala de forma cruel.
— Eu matei o meu pai Laura! - Pierre grita e começa a chorar. — Eu sou um assassino! Como eu posso deixar você entrar no meu mundo sombrio? Você é a luz e eu sou pura escuridão. Eu não quero te arrastar pra isso. - Pierre está em lágrimas enquanto anda de um lado para o outro.
— Pierre...-
— Não Laura, não diga nada, você não pode consertar isso! - Pierre grita. Você acha que eu tenho medo de você? Não Laura, meu medo é de que por minha causa você se torne tão quebrada quanto eu. Acha que um cordeiro ferido mataria o próprio pai? E você quer saber o pior de tudo isso Laura? Eu não me arrependo, é, eu faria tudo de novo se eu tivesse a oportunidade, tá vendo isso aqui? - ele arranca a camisa e aponta para as marcas — Ele fez isso em mim, ele fazia todos os dias, que pai tortura o próprio filho me diga? E a minha pobre mãe, ela sempre apanhava dele quando tentava me defender, mas um dia, eu disse chega, pena que foi tarde demais, quando eu atirei no desgraçado ele já tinha...ele já tinha matado a minha mãe. Eu fiquei lá por três dias Laura, três, longos, dias, ao lado dos corpos, até a polícia me encontrar, depois de ficar algum tempo em um centro de saúde mental, Debra e George me adotaram, a gente saiu da França e eu vim pra cá, e aí...eu te conheci, toda sua luz era demais pra mim, o seu sorriso me lembrava o da minha mãe, por isso eu odiava...odiava a ideia de que ia te perder também, então o melhor era não te ter, assim eu não poderia perder o que eu não tinha. Mas você estava sempre insistindo, ainda hoje, você continua a insistir. Eu só queria te proteger de mim, eu não pude salvar a minha mãe, mas você eu poderia salvar, e ainda posso Laura, agora que você sabe o que eu sou, você entende não é? Entende porque não podemos ficar juntos?
Laura ainda está processando a história de Pierre, mas ela vai até ele e o abraça.
— Está tudo bem...Eu ainda estou aqui com você...eu já disse que nada do que você tenha feito vai mudar o que eu sinto por você. Eu sinto muito que isso tenha acontecido com você, mas eu estou aqui agora, você não precisa passar por isso sozinho. - Laura fala enquanto abraça Pierre.
— Laura...por que você simplesmente não desiste e vai embora? Por que você insiste em me consertar? - Pierre pergunta em tom de súplica. — Nem parece que você entendeu o que acabei de contar.
— Eu entendo que você era uma criança que sofria abuso e no ímpeto de salvar a sua amada mãe, acabou com a vida de um monstro que não devemos chamar de pai. Entendo como essa situação foi e é muito difícil para você e entendo que você não deve mais carregar esse fardo sozinho, eu estou com você e não vou a lugar nenhum.
— Eu não quero estragar você também Laura. - ele olha pra ela.
— Eu não sou tão frágil quanto você pensa. - ele sorri pra ele.
Os dois ficam um tempo abraçados na cama, o silêncio é confortável, eles acabam dormindo com tranquilidade.
No dia seguinte, eles se arrumam e vão para uma reunião, eles estão se sentindo mais próximos e Pierre está mais confortável com Laura, apesar de ainda ter algumas ressalvas. Eles passam o dia juntos, eles trabalham e depois vão a praia, o clima entre eles parece sereno, diferente de como estão acostumados, eles têm um último jantar em Mirabelli e a noite voltam para casa.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Rosi Boska
porque fazer uma viagem como está de carro a empresa dele não tem um jatinho ????
2024-06-10
1
leitora por amor
Muito bem Laura...
2024-05-23
2
Vó Ném
Concordo plenamente com carinho e amor ela vai consertá- lo
2024-05-11
3