Laura se recupera do incidente e está de volta ao trabalho, ela sente que Pierre tem sido menos duro com ela, e isso a deixa feliz. Ryan está enfrentando diversas acusações, inclusive de sequestro, ele está respondendo o processo em liberdade, portanto Pierre contratou guarda-costas para a segurança deles.
O fim de semana chegou, Laura vai até a cozinha e prepara o café da manhã, Pierre entra e ela diz:
— Hoje eu não aceito suas grosserias, você vai tomar café da manhã comigo. - ela fala em tom imponente.
— Não sei porque isso é tão importante pra você. - ele se senta para tomar café com ela.
— Isso é importante para que possamos ter uma relação melhor, você precisa parar de ser tão grosseiro e fechado comigo. - ela fala enquanto serve a ele uma xícara de café.
— Laura, eu não sou um daqueles animais que você cuidava quando estavam doentes. Você não vai me adestrar. Essa é a minha natureza, não há nada aqui que você possa consertar. - ele sai sem tomar o café.
Laura se sente frustrada e chateada, "como ele pode ser tão grosseiro, se há alguns dias estava me tratando tão bem?"
Pierre vai para o quarto e fecha a porta atrás de si, ele respira fundo, vai até a caixa com o objeto, abre, olha, suspira e guarda o objeto novamente. "Laura, me casar com você foi uma péssima ideia, para te proteger eu precisei me arriscar, não sei mais quem eu sou, o que você está fazendo comigo?" ele pensa enquanto se deita na cama e olha para o teto.
Pierre decide tomar um banho para afastar esses pensamentos, ele tira a camisa e quando está prestes a tirar as calças, Laura entra no quarto abruptamente:
— Olha aqui, você não pode simplesmente... - Laura para de falar quando vê as costas de Pierre marcadas com cicatrizes que parecem açoites, é uma visão aterrorizante, Laura fica em choque.
Pierre se vira de frente e o que ela vê é ainda pior, ele tem marcas por todo o peito que parecem queimaduras pequenas, como se fossem de cigarro.
— Pierre... - ela murmura.
— O que está fazendo aqui? Eu disse para não entrar no meu quarto. - ele agarra o pulso dela tentando a tirar do quarto, mas ele olha nos olhos de Laura e vê que ela não está assustada, mas sim compadecida.
Laura com a outra mão, toca o rosto de Pierre com carinho:
— Eu sinto muito que tenha passado por isso. - ela diz carinhosamente em um tom reconfortante.
— Eu não preciso da sua pena. - Pierre diz em tom firme, se sentindo constrangido.
— Eu concordo com você, não é de pena que você precisa. - então Laura desprende seu pulso do agarrão de Pierre e o abraça, recostando a cabeça no peito dele.
Pierre não esperava essa reação, ele permanece imóvel, sua mente diz para ele se desvencilhar do abraço e expulsar Laura do quarto, mas seu coração só quer receber aquele carinho por um tempo, ele sem saber o que fazer, se deixa ser abraçado por Laura, e, durante alguns momentos eles permanecem assim, como se nada mais existisse além daquele abraço.
Laura então devagar acaricia as costas de Pierre, tocando com delicadeza nas cicatrizes.
— Laura...por favor. - ele murmura em negação. — Não me toque. - sua voz é trêmula, quase sofredora.
— Está tudo bem, você não está mais sozinho. - Laura fala em tom acolhedor, enquanto desliza as mãos sobre as costas de Pierre.
— Laura, você não entende... - Pierre solta as mãos de Laura de seu corpo. — Por que você fez isso? Por que você sempre faz isso? Você não pode me consertar Laura, eu, eu estou quebrado como um cristal, é impossível recuperar. - ele fala com vulnerabilidade, com os olhos azuis marejados de lágrimas.
— Eu não quero te consertar, só quero estar ao seu lado, como eu sempre quis, por favor Pierre, pare de me afastar. - ela tenta tocar Pierre de novo, mas ele a impede dessa vez.
— Por favor, me deixe sozinho. - ele entra no banheiro e fecha a porta.
Laura, frustrada, sai do quarto de Pierre e vai para o dela. Ela se deita na cama e pensa no que aconteceu. "Pierre, isso deve ter sido muito difícil, eu quero muito te ajudar, você precisa deixar..." Laura suspira. "eu não sei como vou fazer você se abrir para mim, como vou fazer você me aceitar e confiar, mas eu não vou desistir de você Pierre, eu prometo."
No banho, Pierre deixa a água escorrer pelo seu corpo enquanto se lembra do passado:
"Pierre vivia com a mãe Eleonor, ela cuidava dele como podia, porém era viciada em drogas, muitas vezes o negligenciou, mas Pierre adorava a mãe, o pai de Pierre agredia Eleonor e passava dias sem ir em casa, era viciado em jogos de azar e drogas, ele frequentemente batia em Pierre com qualquer objeto que via pela frente, Eleonor tentava proteger o filho e apanhava por isso. Gastón, o pai de Pierre, aterrorizava o filho quando estava em casa, o queimava com a ponta do cigarro, o espancava com cinto e chutava o garoto. Um certo dia, Gastón chegou em casa e começou a brigar com Eleonor, ele a empurrou e ela bateu a cabeça e começou a sangrar, Pierre com 5 anos, no ímpeto de socorrer a mãe, pegou a arma do pai que ficava na gaveta da cozinha e atirou contra Gastón."
Pierre nunca se esqueceu do que aconteceu naquele dia, ele ainda tem pesadelos com tudo que passou com os pais.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Viviany Silva
meu Deus que história 😓
2024-10-02
0
Viviane Maria Dias
coitado. Acho que o objeto que ele guarda é o presente q Laura deu pra ele qnd criança
2024-09-18
0
Aida Altoé
Nossa que drama. Que horror fe pai.
2024-05-29
0