Carol
Depois que decidimos o destino, eu acredito ser mais prudente ir por estradas secundárias, levará mais tempo, porém tem menos patrulha, já que agora nos tornamos fugitivos.
Em Jacksonville, fizemos uma parada para passar a noite. Estava exausta por dirigir por tanto tempo sem dormir.
Carol _ Vamos parar um pouco eu estou cansada.
Gabrielle _ Vamos ficar em algum hotel?
Carol _ Não, infelizmente o dinheiro não dá para isso, e depois é perigoso, nossas fotos podem estar no jornal a essa hora.
Matheus _ Será que estamos em uns cartazes de procurados?
Gabrielle _ Não fale besteira garoto!
Carol _ Tomara que não, meu lindo. Se nos acharem, irão nos separar.
Matheus _ Não entendo porque o papai nos quer. Nunca ligou para a gente!
Isabela _ Papai mau! Glitou com a Isa, e bateu.
Carol _ Não se preocupem, ele nunca mais vai bater em nenhum de nós.
Matheus _ Eu vi quando ele deu um tapa na sua cara.
Carol _ Só vamos esquecer tudo isso!
Gabrielle _ Eu nunca vou esquecer!
Matheus _ Eu acordei quando ele estava no quarto da Gaby, ele estava batendo tanto nela que a cama dela fazia barulho e batia na parede, e eu acordei, ela estava gritando muito.
Gabrielle _ Oh meu Deus! Ele ouviu!
Carol _ Por favor Gaby, não chore! Matheus não vamos mais falar do seu pai, está bem?
Matheus _ Eu não quero mesmo mais falar dele! EU NÃO TENHO MAIS PAI!
Que inferno. Aquele idiota asqueroso fez tanto mal ao meus irmãos, desgraçado.
Nós tínhamos uma vida maravilhosa na fazenda dos meus pais. Nasci e cresci naquele lugar, quando completei sete anos, minhas preces foram atendidas e meus pais tiveram mais um filho, me dando a tão sonhada irmãzinha.
Quando completei doze anos, experimentei a tristeza pela primeira vez na vida. O meu pai morreu em um acidente. Foi tirar um bezerro do rio em meio a uma tempestade, salvou o bezerro que voltou para a margem, ele escorregou, bateu a cabeça em uma pedra e a enchente levou o seu corpo para longe.
Depois de três dias procurando, quando as águas enfim baixaram, o seu corpo foi encontrado sem vida.
Três anos depois, a minha mãe conheceu o padrasto Richard e se casou com ele na velocidade da luz. Logo engravidou do Matheus e depois da Isabela.
Quando estava grávida da Isabela o padrasto a convenceu a vender a fazenda, ela ainda conseguiu pagar a faculdade de veterinária com a parte que seria minha, e colocar a parte que seria da Gabrielle em um fundo que ela só poderá usar quando entrar na faculdade ou fizer dezoito anos. Mas todo o resto ficou nas mãos do Richard para que administrasse.
Ela sofreu um acidente de carro, quando desmaiou ao volante por causa da doença, dez meses atrás e os filhos menores ficaram sob a guarda do pai.
Eu estava tão preocupada em me formar que só visitava nos feriados e férias. Até as férias em que vim para casa e descobri o que aconteceu.
Minha irmã estava tão diferente daquela menina alegre e doce que conhecia. Agredindo a todos, rebelde, triste e calada as notas caíram. Tentei de tudo para que minha irmã se abrisse e não consegui. Richard também, tinha mudado muito, mostrando sua verdadeira face depois que a minha mãe morreu.
Chegou em casa bêbado e deve ter esquecido que eu estava em casa e entrou novamente no quarto da Gabrielle.
Acordei com os gritos da minha irmã, abri a
porta do quarto e a cena que presenciei, nunca mais sairá da minha cabeça. Minha irmã amarrada na cama com as roupas já em pedaços e o desgraçado com as calças no joelho, entrei no quarto e peguei a primeira coisa que vi. Era um abajur, que bati com todas as minhas forças na cabeça do maldito.
Ele caiu desmaiado e desamarrei e abracei minha irmã, depois da crise de choro, Gabrielle me contou o que aconteceu. Assim que amanheceu o dia, pegamos as crianças e fomos para a delegacia prestar queixa contra ele, mas o delegado que era amigo dele não deu crédito a história. Mas consegui que a promotora ouvisse a minha irmã. Como já havia passado várias semanas não foi possível comprovar o estupro. Mas ele foi para a cadeia, enquanto apurava o caso. E as crianças colocadas em um abrigo.
Tentei entrar com um pedido de guarda, mas o juiz não aceitou, o padrasto saiu da cadeia pois o depoimento do namorado da Gabrielle, desacreditou a garota. Dizendo que ele fez sexo com ela e não o padrasto, que ela só ficou com medo da reação da família e mentiu dizendo que foi o padrasto.
Quando soube que ele ia tirar os filhos dele do abrigo e levar para casa, resolvi sequestrá-los.
Foi ao túmulo da minha mãe e prometi que os protegeria de tudo. Fui a casa e peguei o essencial para cada um, o carro da mamãe e algumas fotos e jóias dela e saí de lá. Vendi o carro e comprei outro mais barato e mais velho.
Carol _ Mas eu pensei sobre isso e por isso trouxe barraca de camping e tudo o que iremos precisar para acampar.
Matheus _ Oba! Eu adoro acampar !
Gabrielle _ Você nunca acampou. Como você adora?
Matheus _ Eu já vi nos filmes!
Carol _ Nós acampavamos sempre com o nosso pai.
Matheus _ Vocês têm sorte! Eu queria que ele não tivesse morrido, para que eu e a Isa fossemos filhos dele.
Carol _ Vamos procurar um lugar legal para acampar.
Gabrielle_ Eu vi uma placa de camping lá atrás, vou olhar na Internet.
Carol _ Gaby, melhor jogar esse chip fora, eu já tirei o meu antes de ir pegar vocês.
Gabrielle _ Melhor mesmo! Eles podem nos rastrear.
Ela tira o chip e joga fora, pesquisa na Internet e dá as orientações para chegar à área de camping.
Rapidamente nós três tiramos as coisas do carro e montamos a barraca de acampamento. Fizemos uma fogueira e assamos linguiça e põe no pão que tinhamos comprado na parada que fizemos mais cedo.
Carol _ Eu trouxe uma surpresa!
Isabela _ O que Calol?
Carol _ Marshmallow!
Matheus _ Que delícia!
Isabela _ Oba!
Carol _ Vamos assar e comer. Depois dormir que amanhã a estrada é longa.
Passamos a noite no camping e logo cedo pegamos a estrada. Na hora do almoço paramos em um restaurante pequeno e nos sentamos para desfrutar de uma boa refeição.
Quando estávamos quase chegando em Atlanta o motor do carro começa a sair fumaça.
Gabrielle _ O quê é isso agora?
Carol _ Eu não sei! Vou parar e dar uma olhada.
Gabrielle_ E você entende de motor?
Carol _ Não. Mas pode estar sem água ou sei lá.
Ela sai e abre o capô, fazendo que uma fumaça preta se espalhe.
Matheus _ Eu acho que já era.
Gabrielle _ E aí?
Carol _ E aí, eu acho que o Matheus está certo. O carro já era!
Gabrielle _ E o que faremos?
Carol _ Não temos outra opção se não for andar e achar uma fazenda para pedir ajuda. Estamos no meio do nada, se ficarmos parados na estrada podemos ser pegos.
Gabrielle _ Então vamos tirar tudo do carro.
Carol _ Não iremos mais precisar do equipamento de escalada, podemos usar só uma parte para carregar a Isa. O resto fica para não carregarmos peso desnecessário.
Gabrielle _ Vamos levar a barraca?
Carol _ Melhor levarmos, não sabemos se teremos abrigo para a noite.
Dividimos as coisas e saimos caminhando longe da estrada para não sermos vistos. Caminhamos até o anoitecer e montamos a barraca, acendemos a fogueira e comemos o resto das provisões que ainda tínhamos.
Carol _ Amanhã precisamos encontrar comida e abrigo em alguma fazenda.
Gabrielle _ Eu acho que não podemos pedir ajuda. E se nos entregarem para a polícia? E se tiver algum homem mal intencionado e fizer algo com a gente?
Carol _ Amanhã decidiremos o que fazer. Agora vamos dormir.
Era madrugada ainda quando começa a maior tempestade. Entra água por todos os lados e Isabela, que tinha medo de trovões, acorda chorando.
Carol _ Calma meu amor, eu estou aqui, e só barulho! Não machuca!
Gabrielle _ Está piorando é melhor procurar abrigo.
Carol _ Aqui estamos mais seguros do que lá fora!
Nem bem acabei de falar, e a barraca saiu voando, assustando todos os quatro.
Carol _ Vamos! Deixem tudo aí.
Matheus _ Para onde vamos?
Carol _ Olhem para lá tem luz.
Gabrielle _ Então vamos!
Nós três corremos, eu com a Isa no colo, e vamos em direção à luz, depois de uns trinta minutos correndo na chuva. Conseguimos chegar em uma fazenda e pular a cerca.
Matheus _ Olhem a casa e para lá.
Gabrielle _ Não! Melhor o celeiro. Daquele lado.
Carol _ Vamos para o celeiro então.
Nós corremos e nos abrigamos da chuva. Fui até os fundos do lugar e achei uma baia vazia.
Carol _ Venham aqui está seco e quente.
Todos se ajeitam para dormir. Isa e Matheus dormem rapidamente, e Carol e Gaby ficam conversando.
Carol _ Só espero que ninguém fique doente por estarmos molhados.
Gabrielle _ Acho melhor sairmos amanhã cedo, sem que ninguém nos veja.
Carol _ Tem razão, eles podem chamar a polícia e seremos levados de volta.
Gabrielle _ Eu vou tentar dormir, você deveria também.
Carol _ Vou dar uma sondada por aí e já volto.
Gabrielle _ Toma cuidado!
Me levanto e saio, ao passar por uma baia, ouvi um barulho e abri a porta. Encontrei uma égua parindo e parece que ela está com problemas.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Vera Lucia Berlanda de Andrade
estou começando a ler hoje 24.02.2025
2025-02-25
2
Edna Aparecida Rodrigues Pereira
parabéns autora seu livro tá lindo
2025-01-31
2
Maria Helena Macedo e Silva
Deus sempre nos coloca onde devemos estar...💌💝💗
2025-03-19
1