Na segunda-feira, acordo às 5 horas da manhã e vou para o ponto de ônibus, faço a minha baldeação até chegar no Joá. Assim que entro na casa, sou recebida pela Inês, que me explica todo o serviço me mostra todas as dependências e tudo que está disponível para o meu trabalho
Tem muito serviço para fazer, os lençóis e toalhas dos quartos são trocados a cada 2 dias, fora as roupas da família e das demais áreas da casa.
Durante todo o dia ,não vi ninguém da família, aliás acho que não verei,já que o meu serviço se restringe à lavanderia e levar as roupas limpas e passadas até os quartos.
Durante os quatro primeiros dias ,a rotina foi essa, entrar na casa pelos fundos e ir para a lavanderia.
—Ainda bem que estamos em recesso escolar, terei tempo de me adaptar a essa rotina antes se voltar aos meus estudos. Estou tão cansada Inês!
—O serviço parecia bobo,não é?Ainda mais para você quem vem de Niterói,mas você vai se adaptar.
Assim que ela sai , eu me encosto na pia, olhando a área de lazer da mansão, meus pensamentos voam e o cansaço bate,acabo cochilando em pé e esbarro na garrafa de alvejante que entorna toda no meu uniforme preto.
—Ai como sou desastrada! Vai manchar!Não posso entrar na casa com essa roupa assim, não é apresentável.
Tiro correndo as roupas e fico de lingerie, não entra ninguém ali a não ser Inês, e no meu desespero não poderia imaginar que alguém diferente chegaria bem nessa hora...
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Estou aproveitando minhas breves semanas de férias no Rio para reencontrar velhos amigos, curtir bares e casas noturnas e toda a vida boêmia que tanto sinto falta. Mas minha saudade maior chama-se surf! Todos os dias vou em busca da onda perfeita, depois corro no calçadão e termino minha manhã bebendo água de coco ou em alguma cafeteria da cidade após tomar uma ducha do chuveirão na areia.
—Inês! Você viu minha blusa com proteção térmica?
—Qual delas Caio? Você tem várias!
— A laranja com preto.
— Deve estar na lavanderia, pode estar úmida. Não serve outra?
—Aquela tem um fator de proteção alto, e hoje vai bater quarenta graus,preciso estar bem protegido!
Ela colocava a mesa de café enquanto me ouvia
—Eu vou lá buscar,meu filho!
—Não, você está ocupada! Eu mesmo pego.
Assim que chego na lavanderia,sou surpreendido pela cena de um moça, jovem e muito bonita, só de lingerie, agindo de forma preocupada. Quando ela me vê, dá um grito e se cobre com um dos lençóis pendurados.
—Me desculpa moça! - me viro de costas - Eu só vim pegar um blusa minha,espero você se vestir!
Depois de uns cinco minutos eu me dirijo a ela.
—Posso me virar?
—Pode - percebi que estava sem graça. Ela tinha um rosto gracioso, tão harmônico...além de uma candura no olhar.
—Eu vim procurar uma blusa de proteção térmica, laranja com preto.
Ela vai até a lava e seca, e a tira de dentro da máquina.
—Essa?
—Essa mesma! Obrigado! E mais uma vez,desculpe!
—Tudo bem, foi imprudência minha.
Saio e a deixo em seu serviço.
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Meu Deus! Como poderia imaginar que alguém entraria ali,aliás, como poderia imaginar que algum homem entraria ali! Não faço a mínima ideia de quem seja, mas provavelmente é um membro da família, um belo integrante, diga-se de passagem!
Após ele sair, continuo o meu serviço e levo as roupas para os quartos na esperança de ver aquele rapaz novamente.
—Só posso ser louca ! - penso alto
Encontro Inês no corredor e pergunto a ela de quem são as roupas masculinas que cuido. Sempre notei que eram de um homem mais jovem e de outro mais velho,mas nunca me interessei em saber de quem realmente eram.
— As do senhor Sérgio e as do Caio,filho dele. Ele não mora no Brasil, veio apenas para a festas de final de ano, em meados de Janeiro retorna para Londres.
—Ah...- dou quase um lamento de decepção.
Levo as roupas até a suíte do casal, no quarto das filhas e em seguida a do filho. Eu já havia entrado ali antes e nunca reparei nos detalhes,mas dessa vez ,não sei porquê, me senti curiosa e me vi atento a todos os detalhes. Realmente não tinham muitos pertences,indicando que a estadia era curta. Vi um vidro de perfume, muito diferente, com certeza era de nicho, abri e senti aquele aroma diferenciado, cheiro de homem viril, de macho alfa...o meu corpo se arrepiou.
—Melhor sair daqui logo! Estou começando a ter devaneios!
Quando me viro para a porta,ele entra, sem camisa ,usando apenas uma bermuda esportiva, pude reparar naquele físico. O abdômen trincado,os braços e pernas definidos e uma única tatuagem no braço direito.
—Olha só quem está aqui! Acho que andamos nos embarrando com poucas roupas por aí!
Fico corada de vergonha
—Já terminei por aqui! Com licença!
—Espera, nos vimos duas vezes hoje e eu nem sei o seu nome.
—Alexia. Agora realmente tenho que ir.
Eu saio com coração disparado,mas imediatamente coloco meu juízo no lugar.
—Ele é lindo,educado,muito rico e seu patrão! Esqueça!
O último namorado que tive,quase apresentei aos meus pais, fiquei de fato apaixonada,mas ele não era uma pessoas com grandes metas na vida então abri mão de nosso relacionamento,isso já 2 anos.
Meu modo de ver o amor e relacionamentos românticos é peculiar, sou muito fechada e desconfiada,não me interesso por ninguém com facilidade. Esse meu comportamento fez com que eu permanecesse virgem, até os dias de hoje,com vinte e sete anos.
Mas com o Caio foi diferente...eu não sei o que deu em mim! Eu quero vê-lo a todo momento, queria saber mais dele,ao mesmo tempo que a razão me chama, ele é um homem impossível para mim.
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Tomo minha ducha gelada, pensando na camareira...Alexia...tão bonita! Eu sou o tipo de homem que não tem preconceito de classes sociais, gosto e me atraio por mulheres inteligentes. Mas também sei do meu lugar, nunca importunei nenhuma funcionária da minha família, sejam as do lar ou do escritório,embora eu mesmo tenha sido assediado várias vezes por elas.
Mas essa moça não, o que ela tem que mexeu comigo? Vai muito além da beleza que indiscutivelmente ela possui, tem algo naquele olhar, uma doçura misturada com fortaleza.
Na parte da tarde, me preparo para sair e encontrar o meu pai em uma reunião no centro da cidade,estou de férias, mas o coroa insiste em me ter nas suas negociações, pego meu Audi e saio, no meio do caminho , vejo Alexia parada em um ponto de ônibus. De regata e calças jeans, encostada no muro com um cara de cansaço, encosto do lado e abaixo os vidros.
—Aceita uma carona?
—Não,obrigada! Está quase na hora do meu ônibus passar.
—Tem certeza? Está fazendo quarenta graus com sensação de sessenta. Vem, deixa se ser orgulhosa!
Ela olha para os lados e entra no carro.
—Nossa! Que diferença! Aqui está tão geladinho.
Eu rio da reação natural dela.
—Vai para onde?
—Niterói.
—Você mora em Niterói?! Como faz para chegar aqui todos os dias?
—Acordo às cinco da manhã e pego duas conduções.
—Puxa! Deve ficar exausta.
—E isso porque ainda não comecei o meu curso preparatório, vai ficar mais puxado ainda...
—Preparatório? Algum concurso?
—Minha prova da OAB.
—É bacharel em direito? Minha irmã caçula acabou de se formar em direito pela PUC.
—Me formei há um ano pela UFF.
—Formada por uma federal e trabalhando como doméstica? - estranho
—Reveses da vida!
Enquanto dirijo em direção ao centro da cidade, ela me conta sua história e eu fico a refletir sobre os meus privilégios. Me formei em administração e já tinha emprego garantido, assim como Helena,minha irmã. Acabou de se formar e já sabe onde irá trabalhar.
—Para onde você vai? Me deixa aqui no Castelo,o meu ônibus passa aqui.
—Faz tempo que não atravesso a ponte! Gosto de Niterói, adoro as praias oceânicas, me amarrava surfar em Itacoatiara! Aliás,vou tirar um tempo para ir de novo por lá.
Atravesso a ponte, e deixo Alexia em frente a sua casa numa travessa simples na Alameda São Boaventura.
—Bem, é aqui! Agradeço demais a carona!
—Amanhã é sábado, estará de folga?
—Não, só no domingo.
—Então eu passo aqui no domingo bem cedo para irmos em Itacoatiara. Me faz companhia?
—E...eu...tá bom! Te espero no domingo!
—Ótimo! Até breve ,garota de Nikiti! - a apelidei com a mesmo apelido da sua cidade Natal.
Aonde ele mora é praticamente a subida da ponte,e em minutos estava novamente no Rio e no centro comercial, onde encontro o meu pai ,cerca de uma hora atrasado. Mas satisfeito,além de ter feito uma boa ação dando uma carona para ela,pudemos travar uma conversa interessante. Era isso o que me chamou atenção ! Alexia, não é só um rostinho bonito,ela é batalhadora,inteligente, delicada e forte ao mesmo tempo.
—Ei...volta para a realidade Caio! Cuidado...o amor é traiçoeiro! Que tudo não passará de uma simples amizade.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Edvania Montenegro
Sei que é difícil superar a confiança nas mulheres novamente, mas precisa ver que. nem todo mundo é igual e precisa se abrir para descobrir.
2025-03-19
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Fatima Gonçalves
É CAIO ELA NÃO É AMORA NÃO
2025-01-18
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Patrícia Barbosa Ferrari
Caio,nem todas as mulheres são iguais, dê uma chance para o Amor 💜❤️ entrar novamente no seu coração ❤️💜 e você verá que é bom ficar perdidamente apaixonado 🥰 pela Alexia
2025-01-15
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