Playboy conversa com porco (e perde.)

Duas semanas se passaram na Fazenda do Mac...
O sol estava pintando o céu de laranja e dourado. O campo respirava em paz... até Oliver aparecer.
O ar carregava o cheiro forte da terra revirada, da palha seca e do esterco fresco,
Uma sinfonia olfativa que para os nativos da fazenda era rotina, mas para Oliver, um tormento diário.
Ainda assim, ali estava ele, parado à beira do cercado dos porcos, sem coragem de atravessar a cerca.
Oliver
Oliver
"Ugh." Isso aqui fede pior que as meias do vovô.
Ele segurava o balde de lavagem com as pontas dos dedos, como quem segura uma bomba prestes a explodir.
O conteúdo – uma mistura de restos de comida fermentada, água suja e cascas de vegetais
Escorria lentamente, como se zombasse da sua repulsa. O som dos porcos grunhindo, ansiosos pela refeição, ecoava ao seu redor,
Uma sinfonia grotesca para seus ouvidos treinados ao silêncio abafado dos salões de cobertura de mármore.
Ele observa os porcos com cara de nojo puro. Um deles grunhe alto, como se dissesse “então joga meu lanche logo, playboy!”
Oliver
Oliver
Tá bom, tá bom, relaxa... Senhores Porcos. A iguaria gourmet chegou.
Oliver
Oliver
Diretamente da cozinha da Dona Cida com toque de humilhação gastronômica.
Oliver não entrou no chiqueiro. Apenas se aproximou o suficiente para despejar o conteúdo pela lateral da cerca,
Fazendo uma careta exagerada, como se estivesse diante de uma cena de crime.
Quando o balde se esvaziou, ele o largou no chão com um baque seco. Ainda sentia o cheiro impregnado nas roupas.
Deu dois passos para trás, respirando fundo, tentando se lembrar por que mesmo estava ali.
Foi então que ouviu um som distinto — um guincho mais agudo, mais desesperado,
Diferente dos outros. Seus olhos buscaram a origem e encontrou, entre as tábuas do cercado,
Um porquinho de pelagem clara, caído de lado, respirando com dificuldade, mas ainda fora do alcance da lama.
O animal tremia, frágil e isolado, ignorado pelos demais que se amontoavam na lavagem.
Oliver não se aproximou. Não sabia como. Mas, ao invés de virar as costas, sentou-se no chão de terra, bem diante do cercado, cruzando os braços sobre os joelhos.
Oliver
Oliver
Você está... sozinho? Ai, não. Não vem me emocionar. Não estou pronto pra essa fase da terapia ainda.
Ficou ali observando o porquinho por longos minutos. Algo se mexia dentro dele. Não um impulso heroico, mas um desconforto novo.
Oliver
Oliver
Sabia que eu também me sinto meio perdido aqui? Me chamam de inútil, fresco, filhinho de papai...
Oliver
Oliver
E talvez estejam certos. Mas olha só, porquinho, eu estou tentando. A gente está tentando, né?
O porquinho solta um gemidinho e vira o popô pra ele. "Rejeição rural nível hard."
Oliver
Oliver
Legal. Obrigado pela empatia, senhor suíno.
Ele sentia como se aquele porquinho, tremendo e indefeso, refletisse algo dentro dele.
Algo que ele escondia sob camadas de sarcasmo e tênis importados.
Sentiu os olhos arderem, mas não chorou. Apenas ficou ali, quieto, até que o animal, com muito esforço, começou a se arrastar em direção à sombra, se afastando da disputa pela comida.
Oliver sussurrou, para si mesmo:
Oliver
Oliver
— Faz do seu jeito, né? Entendi.
Minutos depois, Ethan surgiu ao longe, caminhando de volta com o rosto ainda duro.
Viu o balde vazio, os porcos alimentados e Oliver sentado na terra, encarando o cercado como se estivesse meditando.
Ele arqueia uma sobrancelha, cruzando os braços, como sempre fazia. com um meio sorriso cínico.
Ethan
Ethan
O que é isso? Achou uma nova filosofia de vida aí dentro do chiqueiro?
Oliver levantou-se devagar, batendo a poeira da calça jeans cara. O cabelo bagunçado pelo vento, o olhar mais calmo, menos altivo.
Oliver
Oliver
Pelo menos eu não precisei me sujar pra entender alguma coisa.
Ethan
Ethan
Uau. Você jogou comida fora da cerca e acha que virou fazendeiro. Quer que eu imprima um diploma?
Oliver
Oliver
Ele tava mal. Mas se virou sozinho.
Ethan
Ethan
Você... Está falando de porco ou de você mesmo?
Oliver
Oliver
Se você não entendeu, é porque nunca teve que usar metáfora pra não chorar na frente de um suíno.
Ethan o encarou com mais atenção. O garoto estava estranho. Estranhamente... centrado.
E havia uma marca no olhar dele que Ethan não reconhecia — algo entre vulnerabilidade e clareza.
Ethan
Ethan
Entender o quê?
Ethan perguntou, franzindo o cenho.
Oliver
Oliver
Que nem todo mundo briga pelo que quer. Alguns só esperam a hora certa pra tentar de novo.
Ethan observou Oliver caminhar de volta à casa, sem pressa.
Pela primeira vez, sem aquele andar de quem queria estar em outro lugar. O fazendeiro soltou um suspiro demorado e murmurou para si mesmo:
Ethan
Ethan
Você me confunde, garoto...
Dona Cida, a cozinheira da fazenda, com colher de pau em mãos e avental florido,
Espia tudo pela janela da cozinha como uma boa senhora fofoqueira profissional.
Ela fala pra si mesma, com um sorrisinho maroto:
Cida
Cida
Ih, esse menino tá se abrindo mais do que lata de goiabada na minha despensa. Se continuar assim, vai acabar virando gente.
Tiaguinho passa por ela com um balde em mãos:
Tiaguinho
Tiaguinho
O playboy? Gente? Aí cê forçou, né dona Cida...
Tiaguinho
Tiaguinho
Daqui a pouco ele começa com o seu Drama novamente.
Ela acerta uma colherada na cabeça dele:
Cida
Cida
Vai trabalhar, linguarudo. Que gente nasce é no esforço, não no caviar.
Ethan permanece parado, sem saber se ri, ou põe o garoto pra limpar o estábulo amanhã.
No próximo episódio de De Terno ao Trator... Será que o herdeiro vai criar calo na mão ou só drama no coração?
E o porquinho? Vai virar mascote ou trauma?
Descubra no próximo capítulo dessa novela rural mais cheirosa que você respeita!

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