Perdido no fim do mundo.

Capítulo 2- De cama para a roça.
[⏲️03:58 da manhã]
[Oliver está dormindo profundamente...]
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[O som de uma maçaneta sendo girada com violência ecoou pelo ambiente, seguido pelo estalo firme da porta se abrindo de súbito, rompendo o silêncio com uma presença abrupta.]
Arthur
Arthur
A primavera não espera preguiçosos Vamos, rapaz. A estação mudou, e você também precisa mudar: levanta.
[Oliver resmunga...]
Oliver
Oliver
Só mais dez minutinhos, por favor…
Oliver
Oliver
Ainda não estou pronto pra abandonar o travesseiro e enfrentar o campo...
Arthur
Arthur
Seu voo parte às seis. Já são três da madrugada.
Arthur
Arthur
E se eu não tivesse vindo, você ainda estaria afundado nesses lençóis, como se o mundo lá fora não estivesse te esperando.
Oliver
Oliver
Você chegou três horas mais cedo do que deveria.
Oliver
Oliver
Três horas vô!.
Oliver
Oliver
É madrugada! O mundo nem acordou ainda… mas você já veio me arrancar dos braços do sono como se eu tivesse cometido um crime.
Arthur
Arthur
Justamente. Agora levanta.
Oliver
Oliver
Não… o meu corpo ainda tá em modo noturno.
[Arthur Lancaster ergueu a mão sem aviso, e o som seco do cascudo ecoou como um trovão abafado no silêncio tenso do quarto.]
Oliver
Oliver
AI! VOCÊ É UM SENHOR IDOSO, ISSO É ABUSO!
[Não foi apenas um toque — foi um lembrete. Um gesto carregado de frustração, um castigo firme, mas controlado. A força foi medida, mas a mensagem, essa, veio como uma tempestade.]
Arthur
Arthur
Isso é paciência no limite. Levanta.
[Arthur puxou o edredom e arrancou Oliver da cama com um só puxão.]
Oliver
Oliver
EU TÔ NU! QUER DIZER… SEMINÚ!
Arthur
Arthur
Você dorme de moletom. isso não me engana.
[Oliver se arrasta até sentar na beirada da cama, com cara de derrota.]
Oliver
Oliver
Minhas malas…?
Arthur
Arthur
Já estão no carro.
Oliver
Oliver
VOCÊ ARRUMOU as minhas COISAS?!
Arthur
Arthur
Coloquei o necessário.
Oliver
Oliver
Defina “necessário”.
Arthur
Arthur
Roupas. Produtos de higiene. E um pouco de vergonha na cara, se tiver sorte.
Oliver
Oliver
O senhor não é meu avô. O senhor é um vilão de novela mexicana.
Arthur
Arthur
E você é o mocinho folgado. Agora anda.
Oliver
Oliver
(Pensamento:) 💭 Isso está mesmo acontecendo. estou indo pra fazenda. Com uma mala montada por um inimigo aposentado da modernidade.
[📱Oliver Lancaster mudou o status para: “Indo direto pro meu fim. Desejem sorte.”]
Oliver entrou no carro como quem marcha para a própria execução. O som das portas se fechando ecoou como um suspiro final de liberdade.
Usava óculos escuros não por estilo, mas como uma armadura — uma tentativa inútil de esconder a tempestade que rugia por trás da lente fumê.
O maxilar travado, os ombros duros, e a aura de “ousa me dirigir a palavra e será o seu fim” preenchia o ar como fumaça densa.
Ele não precisava dizer nada. Sua presença era um aviso. Um grito silencioso. Algo dentro dele havia morrido — e o funeral começava agora.
Daniel
Daniel
Bom dia, senhor Lancaster.
Oliver
Oliver
"Bom? Que doce ironia carregas na língua! Pois se isto é o bom, então que nome darei ao inferno?"
O motorista, ainda parado na frente da mansão imponente, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto irônico, responde:
Daniel
Daniel
Isso é Shakespeare ou crise existencial matinal, senhor Lancaster? Se a simples ideia de sair da sua fortaleza de travesseiros já é o inferno...
Daniel
Daniel
[ Daniel pensa: 💭 Imagina quando o trator aparecer. ]
Ele ajeita a gravata, dá uma batidinha no uniforme, e continua:
Daniel
Daniel
Vamos nessa, Vossa Dramaticidade. O campo não vai se escandalizar sozinho.
O motorista ri, depois que entra no carro. em seguida ele dá uma buzinadinha curta como quem aplaude com sarcasmo:
Daniel
Daniel
Segura firme aí,poeta, que o “inferno” tem ar-condicionado.
Oliver revira os olhos, cruza os braços com toda a pose de um príncipe exilado no próprio reino, e rebate com a língua afiada:
Oliver
Oliver
Ah, claro. Mal posso esperar pra trocar meu cappuccino por estrume e minhas noites em lençóis de cetim por um concerto de grilos e mosquitos.
Oliver
Oliver
Um verdadeiro upgrade de vida, parabéns aos envolvidos.
Ele faz um gesto teatral com as mãos, como se apresentasse um espetáculo trágico:
Oliver
Oliver
"Leve-me, então, bom cocheiro do apocalipse. Vamos rumo à minha ruína com estilo.
Oliver
Oliver
Espero que pelo menos o Wi-Fi do campo seja decente..."
Daniel, o motorista, solta uma gargalhada tão sincera que chega a bater no volante com a mão, como se tivesse acabado de ouvir o melhor stand-up da semana.
Daniel
Daniel
Céus, Oliver... você devia estar no teatro, não atrás de uma cadeia!
Daniel
Daniel
Se eu ganhasse uma moeda cada vez que você dramatiza a ida pro mato, eu já teria comprado minha própria fazenda — e te mandado pra lá de helicóptero.
Ele engata a marcha, ainda rindo, e joga:
Daniel
Daniel
Seu avô ordenou que o conduza ao terminal executivo. Um pássaro de ferro o Aguarda para levá-lo ao seu... exílio rural!
Oliver
Oliver
Ah, que ótimo. Rumo ao mato — porque se for pra sofrer, que seja com elegância.
Daniel
Daniel
Pode parecer castigo Agora, mas a vida no interior tem seu encanto. Às vezes, a gente só precisa olhar com outros olhos.
Oliver
Oliver
Ah, “interior”... que palavra delicada pra descrever um lugar onde a vizinhança mais próxima tem quatro patas e muge.
Daniel
Daniel
Se me permite, senhor… talvez seja uma oportunidade.
Oliver
Oliver
Você é motorista ou terapeuta?
Daniel
Daniel
Depende do passageiro.
[Aeroporto – Terminal VIP]
[Oliver embarcou com cara de nojo. O avião era luxuoso, mas nem isso suavizava a má vontade.]
Oliver
Oliver
(pensando): 💭 Entre um jantar em Paris e um cafuné da Nina, escolheram me mandar pra um campo aberto pra cultivar hortaliças. Estou vivendo meu pior spin-off.
[ 🕜 Algumas horas depois…]
[Oliver desembarcou em um aeroporto pequeno e discreto.]
Ele suspira.
Oliver
Oliver
Só de olhar, já deu vontade de desmaiar. E não é de emoção.
[ Ele adentrou a concessionária próxima dali, um espaço amplo e bem iluminado, com vitrines de vidro que refletiam o entardecer e carros reluzentes alinhados em perfeita simetria.]
Atendente
Atendente
Bom dia! Como posso ajudar?
[ O som abafado dos passos sobre o piso encerado se misturava ao sutil aroma de couro novo e óleo limpo, compondo o cenário clássico de um negócio bem administrado.]
Oliver
Oliver
Alugar um carro. Um com ar-condicionado. E, se possível, com botão de “voltar no tempo”.
[ Alguns minutos depois, Oliver deixou a concessionária ao volante de uma caminhonete zero quilômetro, o motor ronronando com imponência. ]
[ O veículo, ainda com o brilho da cera recém-aplicada, cortava a luz do fim de tarde enquanto ele saía do estacionamento com um sorriso discreto e uma pitada de superioridade no olhar.]
Oliver
Oliver
Ok, GPS… me leva até a fazenda do ogro McAlister.
[Duas horas depois…]
Oliver
Oliver
GPS IDIOTA! Falei “fazenda rica”, não “acampamento de terror”!
[Ele passa por uma estrada de terra nada convidativa, cercada de mato alto e galinhas selvagens em modo ataque.]
Oliver
Oliver
Isso tá errado. Isso tá MUITO errado.
[O camionete balança. Poeira entra pela janela. Um galho arranha a lataria.]
Oliver
Oliver
EU VOU PROCESSAR A TECNOLOGIA! E ESSE GALHO MALDITO!
[Finalmente, ele vê a entrada de madeira com a placa: “Fazenda McAlister”]
Oliver
Oliver
Cheguei. Destruído, perdido, emocionalmente instável… Mas cheguei.
[Oliver estica o pescoço, ajeita os óculos e respira fundo.]
Oliver
Oliver
Me segura, mundo rural. Ou me devolve pra cidade.
Continua...

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