Passei a noite tentando organizar as informações que o sistema despejou em minha mente. Meu caderno estava cheio de anotações confusas, mas parecia que faltava algo. Cada regra, cada detalhe... eu sentia que precisava testar, experimentar, para realmente entender.
No dia seguinte, fui para a escola, mas não consegui me concentrar. Minha mente girava em torno da ideia de ter um poder, algo que finalmente me tiraria da sombra de ser "ninguém".
Quando as aulas finalmente terminaram, segui para um beco isolado. Minhas mãos tremiam, mas a determinação era maior do que o medo. Eu precisava saber o que aquelas chamas podiam fazer.
Levantei minha mão direita e sussurrei para mim mesma:
— Chama Negra do Dragão Adormecido.
De repente, minha mão foi envolvida por uma chama negra, densa e hipnotizante, que dançava como uma extensão da minha alma. O calor era intenso, mas não imediatamente insuportável.
— Isso é... incrível — murmurei, maravilhada.
Eu observava as chamas, fascinada com o poder que parecia tão irreal. Decidi testar tocando a lateral de uma lata velha de lixo que estava no chão. A chama deixou um rastro de queimadura profunda no metal, como se tivesse corroído a superfície.
— Isso é muito mais forte do que eu imaginei... — sussurrei, um sorriso escapando sem querer.
Mas, enquanto eu admirava o que acabara de fazer, algo mudou. Uma dor ardente começou a se espalhar pela palma da minha mão. Primeiro, foi apenas um incômodo, mas logo se transformou em um sofrimento latejante.
— Ai... droga, está queimando!
Desesperada, tentei apagar as chamas balançando a mão, mas elas pareciam grudadas em mim, como parte do meu próprio corpo. Só depois de alguns segundos de concentração consegui fazê-las desaparecer.
Quando olhei para minha mão, fiquei horrorizada. A pele estava avermelhada, com pequenas bolhas surgindo aqui e ali.
— Não acredito... eu... me queimei?
A dor era tão real quanto o poder. Sentei-me no chão, pressionando a mão contra a roupa, tentando aliviar a sensação.
— Então é isso... o poder é incrível, mas tem um custo. Eu não sou imune a ele...
Voltei para casa com a mão queimada, tentando não chorar de frustração. O que eu esperava? Que fosse algo fácil? Claro que não. Nada nunca foi fácil para mim.
Quando cheguei ao meu apartamento, procurei desesperadamente algo para tratar a queimadura. Encontrei uma pomada velha no fundo de uma gaveta e enfaixei a mão com cuidado.
Enquanto olhava para minha mão enfaixada, senti uma mistura de emoções. Por um lado, estava fascinada com o poder que agora possuía. Por outro, havia uma sensação de vulnerabilidade.
— Se até meu próprio poder pode me machucar, o que mais pode acontecer?
A pergunta ecoou na minha mente, mas logo a afastei. Eu não tinha tempo para dúvidas.
Voltei ao caderno onde havia anotado tudo sobre o sistema e comecei a escrever mais. Adicionei uma nota sobre as chamas negras: "Efeito colateral: queimaduras na mão. Preciso encontrar uma maneira de usar sem me machucar."
A dor me lembrava que o poder não era algo simples ou indulgente. Era algo que eu precisaria dominar com cuidado.
Eu sabia que o caminho à minha frente seria difícil, mas cada passo parecia trazer um propósito que nunca tive antes.
— Não importa o quanto doa... eu vou fazer isso funcionar.
Naquele momento, percebi que o poder não era apenas uma dádiva, mas uma responsabilidade. E eu estava determinada a encontrar um equilíbrio entre a força que ele me dava e os riscos que trazia.
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Atualizado até capítulo 27
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