Capítulo 2 - Desilusões e Determinação

O prédio onde moro é um reflexo da minha vida: decadente, esquecido e sem perspectivas de melhora. Subi os degraus rangentes até o sexto andar, o meu andar. A pintura descascada nas paredes e o cheiro de umidade já nem me incomodavam mais. Quando entrei no meu apartamento, o cenário era ainda mais desolador. Móveis quebrados, paredes manchadas e uma cama improvisada com panos no chão. Um lar que gritava minha insignificância para o mundo.

Suspirei, largando minha mochila no canto, e me joguei na cama. Aquele dia tinha sido um turbilhão, e minha mente ainda girava com o que havia acontecido. O Kaijuu, as chamas negras, e aquela notificação que apareceu do nada. O que significava aquilo?

De olhos fechados, tentei forçar minha visão, esperando que a notificação surgisse novamente. Concentrei-me o máximo que pude, mas tudo o que consegui foi uma dor de cabeça insuportável.

"Que perda de tempo", murmurei para mim mesma, frustrada.

Exausta, deitei-me e deixei meu corpo afundar na cama improvisada. Não demorou para que o sono me envolvesse.

E foi aí que o sonho começou.

Eu estava no mesmo beco escuro onde havia encontrado o Kaijuu. Ele ainda estava lá, sangrando e ofegante, mas dessa vez, em vez de eu me aproximar com o estilete, ele falou comigo. Não em palavras humanas, mas eu podia entendê-lo.

"Você me libertou... mas quem vai libertar você?"

Antes que eu pudesse responder, algo mudou. De repente, eu estava de frente para uma versão de mim mesma, mas diferente. Seus olhos brilhavam com chamas negras, e havia uma expressão fria e calculista em seu rosto.

“Você não está pronta”, ela disse, com uma voz que parecia um eco distante.

“Pronta para o quê?” perguntei, confusa.

Ela não respondeu. Em vez disso, tirou uma lâmina fina de suas roupas e avançou. Tentei fugir, mas minhas pernas não respondiam. Senti a lâmina atravessar meu coração, e uma dor indescritível me consumiu.

Acordei com um grito preso na garganta. Minhas mãos foram ao peito, buscando qualquer sinal da ferida. Nada. Era só um sonho.

Ou pelo menos eu pensava.

Ainda tentando me recompor, outra notificação apareceu diante dos meus olhos:

"Habilidade desbloqueada: Memórias dos mortos - Conexão com vítimas - Nível 1."

Fiquei parada, encarando aquelas palavras. Memórias dos mortos? Então o sonho... era algo que eu absorvi do Kaijuu? Era uma lembrança dele, ou talvez uma advertência?

Meu peito se apertou. Essas habilidades estavam ficando mais estranhas a cada minuto, e eu não fazia ideia do que fazer com elas. Tudo o que sabia era que aquilo tinha mudado alguma coisa dentro de mim.

Enquanto ainda processava o que havia acontecido, meu celular vibrou. Era uma mensagem do meu namorado.

"Oi, Mari. Preciso te encontrar no shopping. Tem algo importante que precisamos conversar sobre."

Uma parte de mim hesitou. Mas, no fundo, eu queria acreditar que ele traria algo bom. Talvez ele estivesse pensando em um futuro juntos, quem sabe até algo sério.

Levantei-me, ansiosa, e fui até o meu guarda-roupa sem portas. Revirei as poucas roupas que tinha, mas todas estavam gastas ou manchadas. Nenhuma parecia adequada.

"Não posso ir assim", pensei, mordendo o lábio.

Com o dinheiro contado, corri até uma loja no bairro e comprei uma camisa simples, uma saia e uma sandália barata. Quando terminei, só me sobraram 13 kirius. Eu sabia que talvez não fosse suficiente para a volta, mas arriscaria.

No shopping, sentei-me em uma cadeira elegante, tentando ignorar o olhar curioso das pessoas ao meu redor. Quando ele chegou, meu coração acelerou. A garçonete se aproximou para anotar o pedido, mas ele a dispensou com um gesto.

"Não vamos demorar", ele disse, sem sequer olhar para mim.

“Sobre o que você queria falar?” perguntei, tentando disfarçar minha ansiedade.

Ele respirou fundo antes de soltar as palavras como facas:

"Mariana, acho que não vai dar certo entre nós. Minha família e meus amigos esperam algo mais... e eu conheci alguém. Amanda. Ela é mais adequada para o meu futuro."

Meu coração parou.

Ele não esperou pela minha resposta. Levantou-se e saiu, deixando-me sozinha com as palavras ainda ecoando na minha mente.

"Mais adequada."

Caminhei de volta para o ônibus, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Não me importava com os olhares dos outros passageiros. Desci algumas paradas antes de casa e comecei a andar sem rumo pelas ruas.

Eu estava perdida, quebrada. Tudo o que queria era entender.

Foi quando outra notificação apareceu.

"Nova habilidade desbloqueada: Rastreamento emocional - Nível 1."

Parei na calçada, encarando aquelas palavras. Meu coração batia forte, e uma nova determinação cresceu dentro de mim.

Se ninguém ia me dar as respostas que eu precisava, então eu mesma as encontraria. Não importa o que fosse preciso.

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