capítulo--18--

Mais um dia se inicia e Gabriel após a sua rotina matinal desce a escada com certa inquietude no coração, havia se passado três dias desde que pediu ajuda de Bella, eles estavam mais próximos agora que ela cooperava nas atividades da sua empresa também, ele ficou intrigado com a forma o quanto ela era fiel aos Mollinari, sempre desconfiando dele o que lhe arrancou algumas risadas internas com a forma de como ela desconfiava sempre dele.

O que o surpreendeu bastante também foi o fato dela relatar que desejava um dia conhecer e trabalhar com o empresário Gabriel Mollinari, na cidade em que ele vivia e nas cidades vizinhas ficou conhecido pela inteligência e o dom de ainda jovem lidar com o temido mercado do comércio e concorrer com grandes empresários antigos no mesmo ramo que o seu e tornar a Laticinios Mollinari a maior no ramo nacional e agora está a ser reconhecida pelas qualidades dos seus produtos internacionalmente. Antes do acidente Gabriel chegou até ganhar alguns prêmios e agora isolado por conta da sua condição psicológica quem tem comparecido nas cerimônias é sua irmã Helena.

Bella relatou a Gabriel que muitos jovens que cursam administração sonham em um dia conhecê-lo pessoalmente e poder trabalhar com ele. Citou também que alguns professores o tomam como exemplo.

Ele ficou intrigado com isso não esperava ter virado uma espécie de ídolo entre os estudantes. Ele sabia que ali naquele estado onde moravam e principalmente no interior na cidade onde tudo começou eles eram motivo de orgulho, além de levar a cidade ser reconhecida também geraram muitos empregos.

Deixando os pensamentos de lado, ele senta em na mesa do café da manhã que já está posta, porém um silêncio atípico ronda o local. As manhãs haviam mudado há dois meses desde quando a tagarela chegou e hoje a atmosfera está silenciosa e triste.

Gabriel pega no seu celular para enviar algumas mensagens quando chega Rosa com a sua xícara de café quente soltando uma fumaça e um aroma convidativo.

__ Bom dia Rosa! Bella não veio hoje?

__ Bom dia senhor Gabriel! Sim veio, está a terminar seu café na cozinha como de costume.

__ A menina está abatida por conta do resfriado, dá até dó, na minha opinião nem deveria trabalhar hoje e tirar o dia para descansar.

__ E alguém pediu a sua opinião?

__ Peça ela que venha aqui por favor.

Rosa faz uma careta para seu patrão e segue o caminho de volta a cozinha, ela não engole sua arrogância.

Após alguns minutos Bella chega com uma expressão abatida.

__ Bom dia! chamou-me?

__ Sim, Rosa disse-me que não se sente bem, e caso esteja indisposta sugiro que pegue carona com José e procure um médico na cidade. Já faz quase uma semana que tem esse resfriado e pelo visto só piora.

__ Obrigada senhor Gabriel. Porém, não há necessidade, é somente um resfriado e deve passar logo. Só gostaria de pedir se posso após o almoço ir para casa, penso que um repouso seria bom.

__ Ainda prefiro que vá ao médico, porém se deseja descansar que seja assim.

Gabriel pensou em ligar para Tony vir pessoalmente examinar a garota: ela estava determinada a não procurar um médico e pela sua aparência de abatida as suas condições físicas não pareciam ser boas.

E conforme combinou com Gabriel, Bella após almoçar uma sopa reforçada que Rosa havia feito especialmente para ela, foi para casa se deitar.

Ela estava a sentir seu corpo fraco e necessitava descansar, pois, estava trabalhando e estudando bastante e isso consumia a sua energia.

A tarde foi silenciosa na casa principal, Gabriel quando saia do seu escritório e via a mesa de Bella vazia, também sentiu como se algo faltasse.

Ele pegou o seu celular e discou o número do amigo.

__ Alô! Cara preciso de uma favor seu.

__ Mais um dentre os milhares. Diz o que quer desta vez?

__ Melhor deixa eu adivinhar, quer remédios.

__ Para de palhaçada e deixa eu terminar porra.

__ Queria pedir para vir examinar Bella, ela não anda bem, pedi que fosse procurar um médico, porém está relutante.

__ Cara se não fosse por Bellinha estar doente eu acharia Hilário, faz muito tempo que não me liga para pedir nada que não seja para você.

__ Para de palhaçada e vem ver a garota logo.

__ Eu irei, porém, só posso amanhã. Estou fora da cidade e só chego a noite. Hoje é meu dia de folga e resolvi ver o meu pai e ver se consigo arrancar dele a informação sobre o possível filho ou filha que teve.

__ Descobriu algo? Eu havia prometido à Paty que acharia o possível irmão ou irmã dela, ela foi-se e esqueci-me da promessa.

__ Não consegui arrancar mais nenhuma informação dele, sabe como são políticos escorregam mais do que sabão. A única vez que ele tocou nesse assunto foi antes de operar o câncer, pois pensou que iria morrer e disse-nos desse possível filho perdido, após se recuperar não toca mais no assunto e eu estou a beber com ele para ver se sob efeito do álcool ele solta algo.

__ Certo ligue-me caso consiga alguma coisa e espero-te amanhã cedo para ver Bella.

Gabriel desligou o telefone e os seus pensamentos voaram para o dia em que estava no hospital com Paty e ela ficou a saber que tem mais um irmão ou irmã pelo mundo. Ela ficou determinada a encontrar seria o caçula da família. Gabriel observando o estado dela prometeu-lhe encontrar a pessoa. Chegou até contratar um detetive particular com a única informação que o velho havia dado: ele estava muito bêbado numa festa e seduziu uma empregada a levando para o quarto com uma desculpa e lá após muitos beijos a mulher vendo onde a situação avançando tentou parar, porém ele a pegou a força. E esse é um dos motivos de não querer revelar a identidade da mulher, pois sendo uma pessoa pública ela poderia dizer a mídia toda a verdade e arruinar a sua carreira política. Se a mulher ficou quieta até agora ele não queria que o assunto viesse a tona.

Gabriel pensou que após resolver o caso do roubo com o cunhado iria voltar a investigar esse possível irmão ou irmã de Paty, ele devia isso a ela.

A tarde passou e com ela chegou a noite, essa noite em especial estava bem fria apesar do céu estar deslumbrante com as suas estrelas e a lua brilhando no céu, uma densa neblina gelada e úmida pairava no ar.

Rosa pediu a Bruno para levar mais sopa para Bella a fim de ajudar seu corpo a esquentar e se fortalecer contra o resfriado.

Gabriel naquela noite não teve apetite e se viu a tentar a visitar Bella, porém lembrou que ela dispensa visitas masculinas noturnas, pois não gosta de colocar a sua virtude sob suspeita.

Ao pensar nisso ele revira os olhos ao lembrar de que é uma garota tão avançada e para frente no trabalho, porém seguia as doutrinas da sua religião com afinco.

Ele fez a sua higiene noturna e deitou-se para dormir, sentiu se feliz ao lembrar que fazia alguns dias que conseguiu dormir sem remédios.

Com esse pensamento deitou na sua cama apenas de cueca boxe como gosta de dormir, desligou a lâmpada do abajú fechando seus olhos se entregando ao sono.

O sono estava gostoso e tranquilo até que começou a sentir frio. Em especial aquela noite estava bem fria. O que o levou se levantar e aumentar a temperatura do aquecedor do seu quarto e ao voltar para cama um lampejo de memória fez o seu corpo todo estremecer e um frio subiu-lhe pela espinha, um aperto no peito o fez ficar sem ar nos pulmões. A casa de Bella não tinha aquecedor e esse devia ser o motivo do resfriado da garota não cessar.

Gabriel andou de um lado para o outro pensando o que fazer até que correu ao closet colocou um conjunto quente de moletom, pegou as chaves da caminhonete saindo em disparada a casa de Bella.

Chegando ao local ele não hesitou em bater forte na porta quase a colocando a baixo, porém Bella não atendia por mais que ele berrase o seu nome.

O desespero tomou conta e dando um forte chute na porta a derrubou, enfim entrando no seu interior avistou Bella encolhida entre os cobertores, pálida, ele deu uma olhada pela casa e viu tudo organizado, uma pequena sapateira com os seus calçados gastos, porém todos muito limpos e arrumados. Uma cômoda com roupas e uma mesa com livros e notebook que ela usava para estudar e trabalhar em casa. O chão limpo tudo cheirando a limpeza.

Ele aproximou-se de vagar da sua cama, iria apenas conferir se ela estava bem, porém ao tocar na sua testa sentiu a sua mão pegar fogo e o corpo de Bella tremendo de frio.

O seu coração errou uma batida e parecia que soltaria pela sua boca.

Gabriel ficou desesperado, passou a mão pela barba e nos seus cabelos, ele saiu tão apressado que esqueceu de trazer o celular. Ele precisava ligar para alguém levar Bella ao hospital. Havia dois anos que ele não dirigia para fora da fazenda e só de pensar nessa possibilidade as suas mãos começaram a suar, o ar estava a faltar nos seus pulmões, sentiu o aperto no seu peito. Estava a ter um ataque de pânico, ele sentou numa cadeira, levantou o pescoço para cima buscando ar, procurou se acalmar e decidiu que levaria Bella ao hospital, ele não poderia deixar uma segunda vida morrer por sua causa.

Ele imediatamente levantou da cadeira após sentir mais calmo, tomou Bella nos seus braços a ajeitou no banco de trás da caminhonete, entrou no banco do motorista, ligou o veículo mesmo com as suas mãos ainda tremendo e suando frio.

Gabriel dirigiu a reta que o conduzia para fora da fazenda, o medo descomunal de algo ruim acontecer com Bella o motivou a suprimir o seu medo e traumas, ele dirigia pela estrada tentando evitar que os pensamentos daquela noite fatídica dominasse a sua mente.

Ele via passar por seu carro vários outros automóveis indo e vindo, as luzes das várias casas e alguns comércios anunciavam que se aproximavam do centro da cidade.

Chegando ao Hospital ele entra com Bella desacordada nos braços e pede para que a atendente chame a emergência para lhe atender.

Bella é encaminhada para ser atendida e Gabriel pediu a recepcionista para lhe permitir fazer uma ligação para o doutor Tony, ele explicou ser seu amigo e assim a moça deu-lhe a permissão.

Gabriel fez a ligação, como Tony é médico e já está acostumado com emergência atendeu o celular, ainda mais reconhecendo o número.

__ Alô! Tony sou eu Gabriel venha para o hospital rápido por favor preciso de você aqui.

__ Espera um pouco, Gabriel é você? Saiu de casa? Está no hospital ?

Tony estava meio atordoado, Gabriel não saia da fazenda por nada no mundo.

__ Bella não está bem e eu a trouxe para ser atendida, por favor venha logo, dar-me uma força.

__ Chego aí em quinze minutos no máximo.

Tony morava no centro próximo ao hospital e do seu consultório.

Passando vinte minutos Gabriel avista o seu amigo correndo pelo corredor na sua direção, ele já não aguentava mais esperar sozinho.

As suas mãos tremiam e soavam.

__ Onde ela está?

__ Perguntou Tony, tentando desviar o foco de Gabriel da sua própria crise.

__ Levaram para emergência e tem meia hora que estou aqui andando de um lado ao outro sem notícias. Por favor, ente lá dentro e me informe a situação.

__Me fala o que aconteceu com ela.

__ Tony vai logo ver o que ela tem porra! Depois te explico.

Gabriel não se aguentou e alterou a voz com o seu amigo. A falta de notícias estava a terminar de acabar com o que ele ainda tinha de nervos.

Tony levantou os braços em sinal de rendição e adentrou pela porta onde eram permitidos entrada somente dos profissionais.

Passados cinco minutos que pareceram uma eternidade para Gabriel, Tony retorna.

__ Ela está com princípio de pneumonia!

__ Está recebendo antibiótico intravenoso e vai precisar ficar a noite aqui. Amanhã terá alta.

__ O médico que dará alta, também passará uns remédios para poder ser tratada em casa. E Gabriel ela vai precisar de repouso. Nada de colocar a garota para trabalhar até ela estar recuperada.

__ Está frio, mantenha ela bem aquecida.

__ Vou leva-lá para morar comigo na casa sede.

Gabriel explica a Tony que foi sua culpa a garota ter chegado a esse estado e conta a história que desde o início a sua mãe ordenara que morasse com ele.

__ Cara se não fosse meu amigo eu metia um soco dentro dessa sua cara. Que covardia!

__ Eu sei, sinto-me péssimo por isso, não precisa enfiar a faca ainda mais na ferida.

__ Precisa sim! E torço para doer até não aguentar mais seu fodido.

Tony sentia um carinho e uma ligação especial com Bella, e a raiva que teve do amigo por fazer isso com ela o chateou de verdade e Gabriel pode ver nos seus olhos que o seu amigo estava chateado de verdade com ele.

__ Vou passar o resto da noite aqui, poderia me dar um calmante?

Pediu Gabriel em tom fraco e sem ânimo.

__ Eu deveria dar-lhe chumbinho seu merda. Venha vou te levar há uma sala de espera, Bella vai dormir e só deve acordar amanhã.

__ Quero ver como vai a convencer de morar com você. E que desculpa usará.

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Comments

Vaniza Goncalves

Vaniza Goncalves

mais tmbm tu deixou ela naquela casa fria e velha ,cuidado pra não pegar uma pneumonia

2024-11-25

0

Cida Lima

Cida Lima

eita o Tony é irmão da bella

2025-02-11

0

Vaniza Goncalves

Vaniza Goncalves

agora que caiu a ficha foi ?😒falta de aviso não foi 😕

2024-11-25

0

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