Vivo Por Trás De Um Segredo
— Você sabe que vou comemorar contigo hoje… - dizia Junior no ouvido de uma loira. – Ligo mais tarde, pra te encontrar. Agora não vou poder…
— Tudo por causa daquela garota. Não sei o que vê nela… - indagou a loira, o encarando. – Aliás, não entendo o que ela significa pra você?
— Vamos ter que falar sobre isso, novamente?! - Junior pôs o seu dedo, nos lábios dela. – Te disse uma vez e não quero voltar a repetir... jamais vou me separar. Sheila é a mulher da minha vida, com quem vou me casar... no futuro.
— E como ela aceita viver dessa maneira, com você saindo com uma e outra?
— Eu sou homem e tenho minhas necessidades... Minhas prioridades agora, são outras e ela sabe disso.
— Mas ela sabe que você a traí?
— Isso não é traição. Não me comprometo com ninguém além dela... E quem quiser sair comigo, tem que ser assim.
— Você não presta, sabia!? - a loira o encarou, manhosa.
— Mas valho a pena!... - ele sorriu, enquanto a beijava.
Sheila ouvia tudo, parada ao lado da porta, no vestiário... Nunca havia visto, apesar de ser alertada por seus amigos, de que o seu namorado não era fiel.
Aos quinze anos, Sheila começou a namorar Junior, sendo seu primeiro namorado. Hoje com seus vinte anos, estava vendo seu namoro se acabar...
A partida de futebol tinha terminado, onde Júnior, com seus vinte e cinco anos, era o principal atacante do seu time.
Sheila estava vindo de viagem e não conseguiu chegar a tempo, para assistir. Ao entrar no estádio, encontrou seu primo Lucas, avisando que Junior estava no vestiário, mas para ela esperá-lo que logo estaria com eles. Não dando ouvidos ao seu primo e querendo surpreender o seu amado, foi ao seu encontro para parabenizá-lo pela vitória. Mas ao se aproximar da porta, viu seu namorado colocando aquela loira contra a parede. Ao ouvir cada palavra, Sheila ficou atordoada e não conseguiu ir confronta-lo, saindo correndo com os olhos cheios de lágrimas.
Lucas a viu sair correndo e imediatamente imaginou o que poderia ter acontecido. Ligou para seu primo Flávio e disse que Sheila estaria indo na sua direção e que a segurasse, para saber o que estava se passando.
Flávio viu a sua prima ir na direção oposta e começou a chamar e correr atrás dela.
Sheila saiu sem rumo do estádio e não enxergava e nem ouvia nada a sua volta, apenas corria.
Parou apenas quando percebeu que estava num terreno atrás do estádio, onde havia uma ribanceira, escutando o chamado do seu primo.
— Me diz o que aconteceu, Sheila? - perguntou Flávio, se aproximando.
— Cansei de ser compreensiva… - dizia ela, ofegante.
— Olha pra mim, prima... vamos conversar.
— Quantas vezes vocês avisaram para eu viver minha vida e não pensar apenas nos sonhos dele. - disse ela, se odiando.
Lucas foi até o vestiário, atrás do Júnior, o chamando desesperado, pra tentar entender o que aconteceu com sua prima.
— Eih... O que está acontecendo? - perguntou Júnior, pegando uma toalha.
— Sheila esteve aqui? Falou com ela? - interrogou Lucas, apreensivo.
— Não. Ela não veio aqui…. - respondeu ele, sem entender.
— Ju, estou te esperando!... - disse a loira se aproximando, parando desconsertada.
— Aconteceu o que eu mais temia. - afirmou Lucas, com raiva.
— Como assim... do que você está falando? - perguntou Júnior, segurando-o pelo braço.
— Minha prima te viu com essa daí. - Lucas o encarou, se soltando. – Por isso, ela saiu desesperada.
— Não pode ser. - disse ele, pegando uma camisa. – E por que não foi atrás dela?!
— Flavio já deve tê-la alcançado. Só vim tentar entender o que se passou... - disse Lucas, saindo correndo.
Abalado e sem olhar para trás, Junior foi encontrar sua namorada, para tentar se explicar e ignorando o chamado da loira.
— Vamos sair daqui, Sheila. Te levo pra onde quiser… - disse Flavio, tentando chegar mais perto.
— Pode parar... se der mais um passo, não respondo por mim. - ela olhou para o seu primo, determinada.
— Você não vai fazer isso!? - ele a encarou, incrédulo. – Acha que vale a pena…
— Não é por ele… - seus olhos lacrimejavam. – Estou farta, de tentar ser o que eu não sou. Por causa das minhas fobias, todos me tratam como se eu fosse quebrar.
— Isso se chama cuidado… Te amamos, por isso nos preocupamos com você.
— Tenho sempre que pensar a cada passo que dou, para não cometer erros...
— É normal... todos nós erramos!
— Comigo é diferente... me sinto vigiada o tempo todo. Tento me policiar, pra não sofrer um apagão. - dizia ela, com dor nas palavras.
— Sabemos o que aquele acidente te causou, por isso, somos zelosos. Acha que seríamos felizes ou que a nossa vida seria menos complicada se você não tivesse sobrevivido?!
— Eu sei que não. Mas penso que todos me tratam dessa forma, por me acharem frágil demais. Até mesmo Junior… Talvez ele não termina comigo, por medo de achar que eu não possa suportar.
— Então, nos prove o contrário e mostre o quão forte você é…
Lucas chegou do lado oposto e viu os seus primos conversando, enquanto Sheila estava bem próxima da ribanceira.
Lucas foi tentando se aproximar de uma maneira que a sua prima não percebesse a sua presença.
— Não quero provar mais nada, Flavio. Estou exausta. Tento achar que tudo é perfeito, mas vivo uma mentira.
— Do jeito dele, sei que Junior te ama. Ele diz pra todo o mundo que você é a mulher com quem vai se casar…
Flávio avistou Lucas e entendeu de imediato, o que o seu primo pretendia fazer.
— Sendo traída o tempo todo?!... - ela viu que o seu primo não teve argumento. – Junior diz para me guardar até o nosso casamento... E até quando vou ter que esperar, enquanto ele se diverte com outras que correm atrás dele?! - ela sorri, trêmula. – Também sou humana e tenho desejos...
— Mas se você sabia, por que não deu um fim nisso? - perguntou Flávio, tentando compreender.
Junior chegou em seguida e se apavorou ao vê-la naquele lugar.
— Porque custei a acreditar. - ela lamentou, olhando para o alto. – Todos temos um coração tolo, que enquanto não vê...
— Sheila! - gritou Junior, indo até ela.
Sheila olhou na direção dele e viu logo atrás, a mesma loira que estava com ele no vestiário.
Nesta hora, ela deu um passo pra trás e se desequilibrou.
— Não... - gritou Flavio, desesperado.
Quando estava prestes a cair, Lucas pulou na direção da sua prima, rolando com ela para o lado.
Todos correram até eles e viram Sheila desacordada, com Lucas gemendo de dor.
Acionaram a ambulância e em pouco tempo, foram levados para o hospital.
Lucas havia deslocado o ombro esquerdo e estava sendo atendido e recebendo os procedimentos médicos, enquanto Sheila foi levada para fazer uma ressonância, pois continuava inconsciente.
O resultado dos exames havia saído, em que Sheila teria sofrido uma batida na cabeça e aparentemente não comprometia a sua saúde cerebral, tendo apenas algumas escoriações.
Mas ela não despertava, o que deixava os seus familiares apreensivos, mesmo alertando os médicos do stress que ela teria passado.
Foram dias difíceis… Iguais os que se passaram anos atrás, após um acidente que Sheila sofreu quando pequena. A batalha das horas que se avançavam, não conseguindo encontrá-la...
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Brincando de se esconder, Sheila percebeu que Lucas foi para o lado onde estavam fazendo a retirada dos blocos de mármores, então correu para avisá-lo de que ali era perigoso.
Quando o encontrou dentro de um galpão, houve uma explosão e Sheila empurrou o seu primo para longe, mas ela não conseguiu sair do lugar, pois o seu pé ficou preso numas ripas de madeira.
Sentia que tudo ali estava estremecendo, enquanto tentava ao máximo se soltar. Lucas ia se aproximar, mas ela gritava para ele ir pedir ajuda.
Estavam numa jazida, em que naquele dia faziam algumas extrações de blocos de mármores. Sheila cresceu naquele ambiente, onde toda a sua família era marmorista e estava acostumada com todo aquele processo.
Na época, ela e seu primo Lucas, estavam com dez anos e brincavam, enquanto esperavam pelo pai e o irmão dela que haviam ido até o local para saber que tipo de material iriam encontrar.
Lucas saiu chamando por socorro e quando chegou perto do seu tio Valter, ouviram mais um estrondo e viram uma cortina de fumaça branca.
Desesperado, Lucas disse a todos que Sheila estava com o pé preso dentro do galpão e todos correram pra lá, vendo tudo desabado.
Os bombeiros encontraram Sheila desacordada e quase sem respirar, fazendo todo o procedimento necessário a caminho do hospital, onde ficou internada por meses.
Fraturou o tornozelo e braço direito, além de ter comprometido o pulmão por causa da fumaça do pó de mármore. Mas teve um agravante maior, onde o seu subconsciente não a deixava acordar, ficando como se estivesse num sono profundo.
A recuperação foi aos poucos, e quando finalmente acordou, vieram os seus traumas e fobias, não conseguindo ficar em ambientes fechados ou escuros, também passou a ter que usar o nebulímetro, bombinha para asma e o pior de tudo, com o stress que tudo isso causava, ela perdia a consciência do nada, como se fosse um desmaio, mas na realidade era como se estivesse adormecida.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
ARMINDA
NOSSA ELA TEM PICO DE EXTRES POR ISSO FICA INCONCIENTE
2024-09-14
1
Robson Domingos
que agonia, espero que ela fique bem 😔
2024-04-26
0
Robson Domingos
que agonia , espero que ela fique bem 😔
2024-04-26
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