Capítulo 3

Ouço a campainha e sei que Brenda chegou, enrolei a toalha no cabelo e vou atender a porta.

— Oi! — Brenda pula nos meus braços. — Que saudades.

— Eu também, mas você só tem olhos para o Paulinho — Brinco e recebi um empurrão no ombro.

— Deixa de ser ciumenta, eu sei que você e meu irmão aproveitam muito, tá!

— Não posso discordar. Quer beber alguma coisa? — Ofereço indo até a geladeira.

— Uma cerveja, por favor, esse calor ninguém merece. É um sol para cada pessoa. — Ela senta em meu sofá.

— Nem me fale. — Pego uma cerveja gelada e entrego para ela e para mim um refrigerante, sento ao lado dela, brindando nossas latinhas.

— Então, quais são as novidades?

— Fora a doença do meu irmão? Nenhuma. — Faço uma careta.

— Pois eu tenho — Brenda conta alegre.

— Paulinho me pediu em casamento! — Conta eufórica mostrando o dedo com o anel.

— Uau, parabéns amiga.

— Já vou logo avisando que quero você como minha madrinha.

— Não pensaria em recusar um convite desse tão especial. — Dou um abraço nela.

Começamos a conversar sobre os nossos trabalhos, Brenda é dona de uma boutique e eu sou uma simples secretária de uma empresa. Logo mais minha amiga vai embora e eu coloco uma roupa mais fresca, ligo o ventilador no máximo e parece que não adianta de nada.

— Ah não, por favor ventilador eu preciso de você — Falo, como se ele a qualquer momento fosse funcionar e trazer o ar gelado que eu tanto preciso. Levo um susto quando sinto as mãos em minha cintura, dou um pulinho fazendo meu namorado rir.

— Amor, nossa que susto. — Digo.

— Desculpa. — Pede ainda rindo. — O que está fazendo aí?

— Tentando fazer esse ventilador trazer ar gelado.

— Você precisa de um ar condicionado isso sim.

— Como se fosse fácil.

— Vou dar um para você.

— Não, é muito caro, vida. Guarda seu dinheiro para expandir a empresa.

— Não, faço questão. Amanhã mesmo iremos a uma loja e compraremos um. Enquanto isso não acontece, o que acha de tomar um sorvete?

— Já disse que eu te amo hoje?

— Não, ainda não.

— Eu te amo — Grudo na sua mão, saindo de casa, vamos andando mesmo, tem uma sorveteria aqui próximo de casa.

— Vi a Brenda hoje.

— Ela falou que ia vir aqui. Então, fofocaram muito?

— Não gostamos de fofocas. — Me defendo.

— Ah não? Então porque quando andávamos nós três juntos, as duas não paravam de fofocar.

— Não era fofoca, só comentávamos sobre algum acontecimento.

— Fofoca! Tudo bem eu amo você mesmo assim, minha fofoqueirinha — Biel me beija, bem na hora que chegamos na sorveteria.

Pedimos dois sundaes grandes com bastante calda de chocolate.

Aproveito a oportunidade para conversar com meu namorado sobre o que estou em mente.

— Amor queria conversar uma coisa com você.

— Pode falar.

— Então, hoje estive com o meu irmão, ele me deixou saber da vontade de ser pai.

— Nossa que bacana! — Meu namorado diz contente.

— Porém, minha cunhada teve um problema perdendo parte do útero, ou seja, ela não consegue engravidar.

— Então irão adotar?

— Não, sabe como funciona a adoção aqui no Brasil, demoraria demais e meu irmão não tem tanto tempo assim.

— Desculpa, não quis ser um estúpido.

— Não tudo bem, eu entendo. Como eu estava falando, minha cunhada irá contratar uma barriga de aluguel.

— Certo, tô entendendo.

— Aí chega o ponto que eu quero chegar. Eu pesquisei bastante sobre isso e acho que posso fazer isso, vou ser a barriga de aluguel do meu irmão. — Falo de uma vez, meu namorado a princípio fica paralisado — Biel?

— Espera, só estou surpreso. Mas por que tomou essa decisão?

— Não é óbvio? Meu irmão não tem muito tempo de vida, vou poupá-los de procurar pessoas, não vou me arrepender e querer ficar com o bebê, e além do mais irei está fazendo algo pelo meu irmão antes dele…dele… — Não consigo terminar a frase, sem que os meus olhos se enchem de água.

— Certo, já entendi. — Meu namorado pega minha mão que está em cima da mesa.

— E o que seu irmão acha?

— Ainda não falei com ele, queria comunicar você primeiro.

— Eu amo isso em você. E amo como você se importa com as pessoas a sua volta. Eu amo você Lis. — Recebo um beijo com gosto de chocolate.

— O que acha de tomarmos o sorvete antes que ele vire água. — Digo rindo.

Vou conseguir, e estou tão feliz com isso.

Tomamos nosso sorvete e a primeira coisa que faço quando chego em casa é contar a novidade para o meu irmão, a princípio, acha que estou louca, mas então aceita e combinamos de segunda-feira irmos ao ginecologista para começar o processo de fertilização in vitro.

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Comments

Nayra Reis

Nayra Reis

que gesto fofo 🥰

2023-04-18

0

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