Apesar de não ter sido convidado para a reunião de casamento, afinal Ácuarini queria apenas as primas fêmeas participando, Daemon decidiu acompanhar suas irmãs, porém seu intuito era ver alguém muito especial pra ele.
Assim que chegou Daemon foi até o quarto de Raijin, seu primo da casa da água.
Daemon era um mistério ambulante, ninguém sabia ao certo o que se passava na cabeça daquele dragão, a maioria tinha medo dele, afinal ele era muito poderoso e nunca demonstrava sentimentos, era quase impossíveldecifrar se estava feliz, triste, com raiva, enfim. Apenas seus irmãos recebiam uma certa atenção de Daemon, principalmente Feyre.
Na verdade Feyre era a única da qual ele não conseguia esconder seus segredos, afinal ela era tão sensitiva e perspicaz quanto ele.
Mas o real objeto da afeição de Daemon era Raijin, o macho de aparência quase angelical, o dragão menos poderoso da família Drákøn. Daemon o amava mais do que qualquer outra coisa. E esse amor era recíproco.
Porém ambos sabiam que Devon e o casal fundador jamais aprovariam um relacionamento entre dois machos. Mesmo Devon tendo amantes machos, ele jamais se uniria a um macho em matrimônio, tudo era pela perpetuação da família e dois machos não podem procriar.
Daemon e Raijin deveriam se unir a fêmeas e ter ovos, para manter a família Drákøn viva e prosperando. Porém o destino planejou algo diferente para eles.
Daemon amou Raijin no dia em que o conheceu, ele ainda era um dragão jovem e Raijin era praticamente um bebê saído do ovo. A medida que cresceram esse amor só aumentava e se mostrava ser recíproco. Daemon não aceitava esse sentimento, tentou lutar contra isso várias vezes.
Ambos sabiam que era um amor impossível, e até consideravam ser algo errado. Raijin e sua casa eram responsáveis pelo equilíbrio, e que equilíbrio existiria em um relacionamento sem poder de perpetuar a família? E para Daemon era inaceitável amar outro macho e ir de encontro aos valores da família Drákøn.
Porém, chegou um momento das suas vidas em que não dava mais para esconder o que sentiam um pelo outro.
Há cerca de 20 anos, Daemon e Raijin fizeram uma viagem a Córdena, a fim de verificar como estavam as coisas no reino humano. Durante a viagem acabaram dormindo no mesmo quarto por algumas noites, em uma delas o clima entre eles estava quase que insustentável, foi quando Raijin se declarou. Contou tudo o que sentia a Daemon e o quanto era insuportável estar ao seu lado sem poder desfrutar desse amor.
Daemon então pela primeira vez na vida demonstrou o que sentia e também se declarou a Raijin, eles então juraram que viveriam esse amor proibido às escondidas, e que seriam felizes enquanto pudessem ficar juntos. Apenas Feyre sabia do envolvimento dos dois.
Toda vez que Daemon ia à casa da água ou Raijin fosse a casa do fogo, eles davam um jeito de ficar juntos, como hoje durante essa visita.
RAIJIN - Hei! Quanta demora pra chegar estava com muita saudade.
Raijin corre e abraça Daemon logo quando ele cruza a porta do quarto, eles sorriem abraçados e se beijam.
DAEMON - Também estava com muita saudade do meu dragão. Me diz como você está e como tá o clima aqui no castelo?
RAIJIN - Eu to bem, as coisas aqui estão um pouco tensas com esse casamento da Ácuarini. Meus pais concordaram, mas na real eles odeiam essa ideia. Eu pelo menos não vejo a hora da Ácuarini ir morar no castelo de gelo, não aguento mais as implicâncias dela.
DAEMON - Sua irmã é venenosa. Mas eu não sei, algo não me cheira bem nesse casamento. Essa festa, sei lá, tem algo errado, só não identifiquei o que é.
RAIJIN - Eu sei que a Ácuarini vai sair bem prejudicada no final, eu não queria isso, mas é ela quem está buscando esse fim.
DAEMON - É, vai sim, junto com Cólin e Ice, eles vão ter o que merecem e quem estiver ao lado deles vai junto. Eu só me preocupo com a Freydes no meio disso. Mas isso é decisão dela.
RAIJIN - Ta legal, chega de falar dos outros, deixa eu matar essa saudade que eu tava de você.
Raijin avança sobre Daemon o lançando na cama e o enchendo de beijos, Daemon retribue, os dois se deitam e arrancam suas roupas permitindo que um desfrute do.corpo do outro, matando a saudade e a sede que tem um pelo outro
Áquiles estava andando pelo castelo junto com Valinor quando ouviu Feyre o chamar, e foi ao seu encontro na entrada do castelo.
FEYRE - Deu certo, você me ouviu.
Feyre foi até Áquiles empolgada o abraçando. Porém ele ficou parado com um aspecto tanto desconfortável olhando pra ela e sorrindo fraco.
FEYRE - O que foi? Eu só te dei um abraço. Não precisa me olhar com essa cara.
ÁQUILES - Não, não é isso senhora. É que preciso lhe falar algo, mas é constrangedor.
FEYRE - Falar o quê?
ÁQUILES - É seguro falar aqui?
FEYRE - Vamos atravessar, quando chegarmos a superfície você me conta. A subida é bem mais fácil que a descida. Mas fique perto de mim e peça ajuda se precisar.
Em alguns minutos Feyre e Áquiles chegaram até a superfície, de fato subir era bem mais fácil.
FEYRE - Você ta bem?
ÁQUILES - Sim senhora.
FEYRE - Então pode contar o que houve.
Áquiles engoliu seco e tratou de contar tudo que havia visto.
ÁQUILES - Bom, a senhora disse pra ficar atento e ver se tinha algo estranho no castelo, então me concentrei bastante, até que senti uma movimentação esquisita em um dos quartos. Me concentrei e consegui ver o que tinha lá...
FEYRE - E então?
ÁQUILES - É... então... O senhor Daemon, estava no quarto com um dragão, jovem, delicado, de cabelos azuis, parecia o tipo que a senhora falou que o rei gostava.
FEYRE - Raijin, meu primo mais novo da casa da água.
ÁQUILES - Então... eles estavam juntos... nus... e o senhor Daemon estava dentro dele... tipo eles estavam transando.
Feyre fica boquiaberta.
ÁQUILES - Assim que reparei no que estavam fazendo eu retirei a minha atenção deles e tentei voltar a conversar com o senhor Valinor, foi quando a senhora me chamou.
FEYRE - Caramba! Áquiles, não pode contar o que viu pra ninguém, nunca. Ou Daemon vai te matar da forma mais dolorosa possível.
ÁQUILES - Me matar?
FEYRE - Escuta, os dragões são monstros, matar não é nada pra gente. Porém pra manter o tal equilíbrio, Yanchi e Drogum criaram os códigos de conduta. Eles nos impedem de sair matando aleatoriamente e nos autorizam a agir como monstros caso alguém ameace os nossos códigos.
Áquiles parecia desnorteado enquanto Feyre falava. Tudo isso era novo e alarmante para ele.
FEYRE - Meu código é Antígena e a minha família, posso agir como monstro se algum deles estiver ameaçado, e não serei julgada ou punida por isso. Daemon tem os seus interesses como código, e o maior interesse dele é o Raijin, se você ameaçar isso, não poderei te proteger.
ÁQUILES - Entendi, não vou falar nada. Mas porque eles não podem ficar juntos?
FEYRE - Devon e o casal fundador nunca permitirão. Eles precisam se casar com fêmeas e ter ovos. Mas eles se amam. Quando eu for rainha, espero poder ajuda-los, mas até lá eles continuarão escondidos.
ÁQUILES - Eu sei como é horrível amar alguém e não poder gritar aos quatro ventos tudo que sente. Eu juro que nunca vou contar o que vi, e irei ajuda-los como puder.
Feyre sorriu e deu um abraço em Áquiles, no fundo ela sabia que estava se referindo ao sentimento que eles estavam construindo e que também seria impossível uma relação entre a futura rainha de Antígena e um humano.
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Atualizado até capítulo 29
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