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Naquela madrugada...

Estou passando pelo cruzamento próximo a casa de meu sogro, reluto se paro ou não, não que eu não queira ver se o mesmo está bem, mais não sei se conseguirei sujar minhas mãos novamente se ele já tiver se transformado..

Estou parada na rodovia, tentando decidir qual caminho seguir, parece que nesta parte da cidade o surto ainda não chegou, mais minha linha de pensamentos se vai quando observo as casas se acendendo e gritos começarem a preencher o silêncio da madrugada, vejo uma garagem se abrir e um casal tentar chegar até seu carro a qual estava sendo postas algumas malas, suprimentos talvez, mais seu maior erro foi ter aberto as portas antes de estarem preparados, vejo três infectados saindo de trás dos becos e indo em direção ao casal que ainda não se deram conta do perigo, sem pensar começo a buzinar para alertalos...

O que foi meu erro, já que o carro a qual estou é atingido por outro carro de forma proposital, sou atingida pela traseira com força fazendo o airberg do carro ativar, mais não impede da minha cabeça bater com força na lateral do carro me fazendo desmaiar por um momento.

Ao conseguir recuperar um pouco da minha consciência, sinto a minha testa arder e ao passar a mão pelo local vejo o sangue descendo...

no vidro trincado uma mão tenta se infiltrar pelo buraco e me alcançar, ao perceber que é um infectado instintivamente pego a faca e o golpeio no seu olho, o fazendo parar de se mexer no mesmo instante..

sinto cheiro de gasolina forte e preciso urgentemente sair deste carro... com um pouco de esforço abro a porta e agarro a mochila a colocando com dificuldade nas costas, o carro que bateu de propósito em mim ainda está ocupado pelo passageiro que agoniza antes de morrer, as ferragens penetraram seu peito sem lhe dar chances de escapar da morte certa, a maldade o levou a morte..

olho novamente para a casa a qual tentei alertar, os mortos estão no chão mostrando que o casal conseguiu derrota-los...

me aproximo receosa, sei que devia ir embora e não olhar para trás, mais eu sinto que preciso estar aqui...vejo um homem negro que tem uma enorme mordida no pescoço se agarrando ao corpo de sua esposa que já não está mais entre nós e pode a qualquer momento se transformar e nos atacar, recuo com medo, mais o homem com dificuldade aponta sua mão para o carro ... olho de relance e paraliso com o que vejo...

uma bebê linda alheia ao que está acontecendo ao seu redor, me olhando com seus lindos olhos puxados .

Olho aquela criança sem reação, e meu olhar retorna ao homem que com dificuldade me implora para levá-la comigo...

eu... eu não sei o que fazer, como vou atravessar uma cidade com um bebê que chora e atrai atenção para nós...

Homem》 por.. favor...sal..ve ela....

Ele diz isso antes de seus olhos se apagarem diante de mim..

olho novamente para a bebê que está confortável em sua cadeirinha e respiro fundo tomando a decisão mais louca da minha vida....

Coner》 bebê agora é só você e eu pequena, mais precisa ficar quietinha está me ouvindo?

Quando eu falo isso ela começa a chorar e quando vou tentar acalma-la sinto um puxão no meu cabelo e a mulher que é a mãe da criança está de pé tentando me morder...

A golpeio com precisão respirando com dificuldade e não dou sorte para o azar novamente, faço o mesmo com o homem antes dele se transformar..

Entro naquele carro e jogo a mochila no banco do passageiro e dou ré seguindo o meu caminho sem desviar nem para ir a casa de meu sogro..

Não posso me arriscar, ainda mais com essa bebê dentro do carro..

ela se acalma conforme o carro anda e adormece enquanto seguimos viagem...

O dia já está amanhecendo quando eu chego no bairro da minha mãe, céus tem muitos mortos que já perambulam pelas ruas e se chocam com o carro na tentativa de nos alcançar, aqui o surto foi maior pois vejo muitos comércios saqueados e pessoas que ainda tentam levar o que pode ..

o carro passa por cima de muitos corpos que enfeitam o chão, vejo casas queimando e fumaça em toda parte...

na rua a qual minha mãe mora não tem muito movimento, mais já a muitos indícios que a morte e o caus já passaram por aqui...

paro o carro de qualquer forma na calçada e tranco a bebê em segurança lá, até saber se está seguro para levá-la para dentro.

A porra do portão sr encontra aberto e temo que o pior tenha acontecido aqui...

O desespero me bate, mais preciso me acalmar se não estarei fundida....

no corredor da casa da mãe do meu padrasto a qual eu tenho um grande carinho de avó, vejo que a porta está fechada e pela janela a senhora doce e com um coração enorme tenta sair a todo custo, o sangue pinga de seus lábios e bem atrás dela o filho de meu padrasto aparece com a metade do rosto destroçado, choro alto sem conseguir me conter ao vê-los transformados bem na minha frente...

Não penso, apenas faço o que precisa ser feito....

Quando vou subindo a lateral da escada aonde se localiza a casa de minha mãe, me assusto ao ver meu padrasto sentado na escada aos prantos... o chamo suavemente e quando o mesmo me olha, vejo a dor em seus olhos, a dor do luto... seu braço tem uma bela mordida e coloco a mão na boca tentando suprimir o choro que vem com força..

olho para cima dele e escuto minha mãe batendo na porta enquanto grita o nome do meu pai para abrir o que me faz ter esperança que ela esteja bem....

Ele como se lesse meus pensamentos, verbaliza em voz alta trazendo o alívio para o meu coração.

Fabiano》 ela está bem filha, a tranquei para mantê-la em segurança....

o abraço apertado que retribui com carinho....

coner》 eu sinto muito pai...

me calo sem conseguir expressar o que realmente eu sinto, suas mãos me confortam e ele implora com o olhar para eu acabar com a sua tortura....

Nego no mesmo instante, e o ajudo a se levantar subindo as escadas e abrindo a porta, vendo minha mãe bem enquanto abraça eu e meu pai ao mesmo tempo aos prantos...

o levamos para a sala o deixando confortável e volto as pressas para o carro pegando a bebê e minha mochila junto, observo uma mala média rosa e constato ser dela e pego também antes de fechar o portão atrás de mim..

ao voltar para a sala, os olhos dos meus pais caem na cadeirinha em minhas mãos e mamãe vem me ajudar...

simone》 quem é essa criança coner?

Coner》 a salvei e a partir de hoje ela e a minha filha para todos os efeitos...

sem precisar de mais explicações minha mãe me ajuda com as bolsa e com a criança.. e retornamos para juntos de meu pai de coração.

no decorrer do dia, a febre do meu pai piora gradativamente, e eu sei que ele não tem mais muito tempo...

minha mãe que já está ciente de toda a situação, sabe que o momento da despedida está chegando, seu choro estava preso mostrando a mulher forte que ela é, tive a quem puxar neste quesito.

A bebê começa a chorar e vou até ela conferir suas fraldas e constato que estão sujas, pego sua mala e verifico o que a dentro e a troco enquanto mamãe prepara sua fórmula..

Enquanto eu a alimento vejo minha mãe e meu tio no quarto provavelmente se despedindo....

a neném agora alimentada retorna para a cadeirinha a qual nos observa com seus olhinhos curiosos e cheios de vida.

a despedida foi mais dolorosa do que eu esperava e minha mãe assume a missão de ceifar a vida do marido, um ato de misericórdia enquanto o mesmo dormia alucinando por conta do vírus se espalhando pelo seu corpo.

A noite cai sobre nossas cabeças novamente, estou esgotada, resolvemos montar uma cama improvisada na sala, já que a luz a qual tinhamos se findou horas atrás trazendo um grande apagão para a metade do bairro..

uma única vela zela por nossa madrugada enquanto dormimos ao constatar que a casa estava segura e bem fechada...

o luto toma tudo ao nosso redor e ouço os resmungos de minha mãe que deita aconchegada a cristal, nome esse que achei apropriado para a pequena, pois seus olhinhos brilham tanto quanto um cristal cheio de vida.

ali as observando enquanto descansam prometi a mim mesma que as manterei em segurança nem que eu tenha que dar a minha vida por elas... e nada e nem ninguém ficará em meu caminho.

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Comments

Andressa Silva

Andressa Silva

muito interessante, tô gostando da história, diferente das histórias que já lir

2025-03-06

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