Quando cheguei no quarto nem acreditei , mal pude reconhecer que era a mesma pessoa , ele estava limpo e com a cara limpa , com roupas limpas . Nem parecia a mesma pessoa, como um banho faz uma diferença na pessoa.
Parecia jovem ter entre 24 a 26 anos.
O Indigente👇
Ele estava acordado então comecei a falar com ele .
- Oi
Ele me deu um Oi , meio desanimado então eu falei .
- Prazer me chamo Angélica Queiroz, qual é o seu nome?
- Eu não me lembro do meu nome .
- Nossa, a pancada foi tão forte assim ?
- Que pancada? (ele disse perguntou)
- Eu bati em você e te trouxe pro hospital, por isso estou responsável por você até , você se recuperar . Você não lembra de nada ?
- Não .
- Fica tranquilo, eu vou cuidar de você até você se recuperar .
- Ah, Obrigado .
Então eu saí do quarto e fui falar com o médico dele :
- Doutor quando ele pode receber alta ?
- Ele já pode ir hoje mesmo , você tem uma cadeira de rodas pra ele ?
- Não Doutor.
- Como aqui é uma cidade pequena e conhecemos todos os habitantes , apenas com seu comprovante de residência se você tiver como comprovar residência fixa na cidade o hospital empresta uma pra você .
- Jura Doutor ? Eu amo esse clima de cidade pequena .
O médico como se me entendesse só concorda .
Eu estava naquela cidade só há 24 horas e já sentia todo meu espírito renovado , mais viva do que me sentia em toda a minha vida , nunca me senti tão livre e feliz . Tudo aquilo era libertador . Não ter que me preocupar com dinheiro , em procurar emprego que fosse consumir meus dias e minha alma , eu só precisava ser feliz e era tudo o que eu queria , era como se pela primeira vez em anos em finalmente pudesse respirar , era tão libertador . Sair dessas regras idiotas , imposta pela sociedade , que diz que temos que sair de casa com tantos anos , fazer faculdade com tantos anos , trabalhar , casar , ter filhos , família . Eu não queria nada disso , só queria ser livre . E pela primeira vez em anos finalmente eu conseguia respirar ,sentia o que era a famosa liberdade e felicidade.
Me tirando dos meus devaneios veio uma enfermeira e disse ;
- Senhorita , assine aqui a alta do paciente e já pode levar ele . O doutor me disse que a senhorita solicitou a cadeira de rodas, assine aqui , está com o comprovante de residência com você ?
- Eu tenho aqui a documentação do aluguel, olha ?
- Ok , serve , vou tirar uma xerox e já trago a cadeira de rodas pra você levar o paciente.
No meu carro estava as mantas, almofadas e lençóis pra casa nova , ainda não tinha ido lá , pra deixar mas já estava com as chaves .
Assim que assinei a alta do indigente, o segurança me ajudou a levar ele até o carro com a cadeira de rodas , pois as pernas dele estavam operadas.
O segurança me ajudou a colocar o Indigente no carro e a cadeira de rodas .
Agradeci e fomos os dois pra casa .
Sei que é loucura levar um estranho pra casa comigo , mas eu iria fazer o quê? Eu atropelei ele , ele não tinha família ou não lembrava de nada além de ser indigente nem tinha pra onde ir . Espero que ele não seja nenhum maníaco psicopata e me mate a noite enquanto eu durmo.
No carro fizemos o percurso em silêncio, eu cortei o silêncio lhe perguntando ;
- O seu nome pelo ou menos você lembra ?
- Não, nada, minha mente é um grande vazio .
É engraçado porque ele fala bem , não parece ser um indigente .
Então eu disse ;
- Você tem alguma preferência de como posso te chamar ,até você lembrar seu nome ?
- Não, me chama do que quiser .
- Ok , como eu te achei na cidade de Borá , que tal de chamar de Bento .
Ele sem emoção nenhuma disse ;
- Pode ser.
- Ok, não vou te chamar , mas de indigente e sim de Bento , bem melhor .
Ele só balançou a cabeça . Ele parecia triste , apático . Eu meio que entendia aquele olhar , de quem tá de saco cheio da civilização eu me sentia assim também . Fico imaginando do que será que ele estava fugindo ? Quais seus demônios?
Em 20 minutos chegamos na minha casa nova, ele quando viu o prédio , meio velho e caindo aos pedaços só me olhou mas não falou nada .
Sai do carro, abri o portão velho, estacionei meu carro dentro , sai , fechei o portão , depois tirei a cadeira de rodas do Bento ,ajudei ela a sentar nela e depois o empurrei até dentro da casa no andar de baixo .
Ao entrar na casa estava toda suja, empoeirada . Eu percebi que ia ser bem difícil dormir ali . Liguei pra Fabíola .
- Oi Fabíola, tudo bem ? É a Angélica Queiroz que está falando .
- Oi querida, tudo bem ?
- Fabíola , eu estou cuidando de um amigo doente e eu trouxe ele pra ficar aqui comigo na casa, mas eu não tive tempo de limpar ela , tá bem difícil dormir , poderíamos ficar com vocês aí essa noite no sofá mesmo ?
- Claro que sim, querida podem vim .
- Muito obrigada.
As mantas nem do carro tirei , puxei a cadeira de rodas do Bento e levei ele de volta pro carro .
E ele ficou me olhando tentando entender então eu expliquei pra ele ;
- Eu acabei de alugar essa casa , não tive tempo de vim organizar ela , não imaginava que ela estava tão cheia de poeira , vamos ficar na casa de uma amiga hoje , amanhã eu limpo tudo .
Ele ouviu tudo e acenou .
Chegamos na casa da Fabíola em 10 minutos, era bem perto . Ela me ajudou a levar o Bento lá pra dentro , liberou a cama do Caio pra ele ficar , caio ficou com sua irmã Abigail e eu dormi na sala .
- Desculpa te atrapalhar Fabíola .
- Imagina , é o que eu te disse Angélica aqui somos todos uma família, hoje eu faço por você , amanhã você por mim .
Eu a abracei e disse :
- Obrigada por me fazer sentir em casa . Fazia muito tempo que não me sentia tão relaxada, sempre vivi preocupada com dinheiro o tempo todo e agora que eu abri mão de tudo nunca me senti mais tranquila e livre .
- Depois você me conta sua história, vamos dormir e não se preocupe com nada , amanhã eu vou conseguir um mutirão pra ajudar a deixar o casarão pronto pra te receber . E vocês podem ficar aqui o quanto precisarem .
- Obrigada Fabíola por tudo até amanhã então .
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Geli Oliveira Rodrigues Felipe
Que cidadezinha mais hospitaleira
2024-02-21
0
Amélia Rabelo
quem será esse rapaz pq ele vivia como mendigo
2024-01-06
3
Valineria (Late Gamer)
Eu amo esse acolhimento de cidade pequena .
2023-12-20
0