Decidi focar-me no meu trabalho. Não posso mudar tudo o que conquistei até agora só por um desconhecido! Meus dias parecem ter voltado à normalidade, sinto que tudo não passou de uma confusão na minha cabeça. Saio do escritório e vou imediatamente para o estacionamento para ir embora, mas a forte tempestade deixou uma pequena inundação nas ruas. É realmente forte, pois mal consigo enxergar a alguns metros de distância. Dirijo um pouco, tentando ver a estrada, mas é realmente difícil.
Decido estacionar o carro por um momento, enquanto a chuva diminui um pouco, mas a imagem de Francis surge em meu campo de visão. Ele se protege da água enquanto certamente espera que venham buscá-lo...
– Vamos, entra! – digo sem pensar muito, pois quando me dou conta, já o ofereci uma carona.
– Não é necessário, estou esperando, mas obrigado!
– Só entra, você pode esperar no carro! – insisto, pois a forte chuva parece ter aumentado.
– De acordo, obrigado. – Ele corre em direção ao carro e entra. Mesmo com a curta distância, ele se molhou bastante!
– Espero não estragar o seu carro! – Ele se desculpa enquanto sacode os braços.
– Está tudo bem. – Estico-me para o banco de trás para pegar meu casaco e oferecê-lo.
– Tome, isso vai ajudar!
– Não, não é necessário! – diz ele rapidamente.
– Apenas pegue. Por que você está aqui a esta hora?
– Bem, a verdade é que eu não vim à sua empresa, eu vim ali! – Ele aponta enquanto pega o casaco que lhe ofereci. Vejo que é um salão de beleza.
– Você veio para alguma mudança?
– Não, minha parceira trabalha neste lugar, é por isso que eu...
– Ah, já entendi. E suponho que você está esperando ela sair? – Ele fica em silêncio por um momento. Noto seu desconforto com a minha pergunta.
– Você não precisa responder se não quiser, eu não deveria ter perguntado algo que não é da minha conta!
– Não, na verdade ela não sabe que eu vim. Quero que seja uma surpresa! – diz ele finalmente, enquanto tira a camisa molhada e veste o casaco. Desvio o olhar para outra direção enquanto falo.
– Como o mundo é pequeno, você não acha? Quem diria que seu parceiro trabalha bem em frente à empresa!
– Bem, na verdade, ele trabalha aqui há muitos anos. Foi assim que ele soube que sua empresa estava procurando uma secretária. Minha amiga se candidatou e... bem, aqui estamos nós! – Ele responde calmamente, como se o que ele acabou de fazer fosse a coisa mais normal do mundo. Bem, é normal, visto que somos dois homens, mas então por que diabos senti meu rosto queimar com a ação dele?
– Entendo. E como ele soube? Normalmente essa informação vai para o RH para solicitar a vaga.
– Parece que foi apenas uma coincidência! Alguém no salão estava falando sobre o assunto. Não foi ele quem ouviu escondido. – Ele se desculpa para não parecer um fofoqueiro.
– Entendo!
– Eu devolverei seu casaco na próxima vez que o vir, se estiver tudo bem para você!
– Claro! – Ficamos em silêncio por alguns minutos. A chuva não diminuiu. Isso começa a ficar estranho.
– Se você estiver com pressa, eu deveria descer, para que você possa ir! – ele menciona enquanto tenta abrir a porta e sair. Eu o impeço segurando sua mão. Nossa ação nos pega de surpresa, mas não dizemos nada. Eu o solto e ele se ajeita no mesmo lugar.
– Não, não tenho problema em esperar mais alguns minutos. A chuva parece não diminuir, de que adiantaria ter esperado? Se no final você vai se molhar de qualquer maneira? – eu digo.
– Não quero incomodá-lo. Além disso, por que você seria gentil comigo se mal nos conhecemos?
– Então vamos aproveitar para nos conhecermos um pouco melhor, o que você acha?
– Eu... Não acho que seja uma boa ideia! – diz ele, virando o rosto para o outro lado da rua, evitando nossos olhares. Mas ainda posso ver sua expressão pelo reflexo da janela.
– Por que não? Acaso lhe desagradei?
– Não! É só que eu não entendo como alguém como você pode se interessar pela vida de alguém como eu! – Ele responde um tanto inquieto. Eu mesmo não entendo, mas ainda quero saber sobre ele.
– Alguém como eu e alguém como você? Na sua opinião, como eu sou? – pergunto, fingindo não ter entendido seu comentário.
– Bem, você é alguém realmente ocupado, que não deveria se importar com uma pessoa como eu, é o que eu acho!
– Ha, você me faz sentir como uma pessoa sem sentimentos!
– Não, não quis ser rude, eu só... – Ele fica em silêncio enquanto seu olhar se concentra em um ponto. Olho para onde ele está olhando e a cena é bastante perturbadora.
Seu namorado saiu do local, mas não sozinho, e sim com outra pessoa. Eles brincam sob a chuva e se beijam! Ambos estão encharcados pela chuva, mas parece que não se importam. Parecem um casal de namorados. Não consigo evitar de olhar para o Francis. Seu rosto está inexpressivo. Sei que neste momento ele está em estado de choque, bem, é o que eu acho, até que ele faz algo insólito. Sua atitude me surpreende, ele pega o telefone e grava a cena diante de nós. Eles não parecem se importar por que alguém os esteja olhando, pois demonstram seu afeto enquanto entram no carro e vão embora.
Francis permanece imóvel, sem dizer absolutamente nada. Eu não sei o que fazer ou dizer neste momento, admiro sua postura, pois ele parece muito calmo.
– Eu tenho que ir! – diz ele para tentar sair, mas eu tomo a iniciativa.
– Espere, eu te levo! – Ele não nega, mas também não afirma, então eu travo as portas do carro e começo a dirigir, mesmo com a tempestade sobre nós!
– Eu deveria ir ao seu restaurante? – pergunto um pouco confuso, pois nem sei para onde devo ir.
– Não, eu vou para casa, se você não se importar! – Ele diz enquanto me dá um endereço. Eu pego o endereço e dirijo. Não é longe daqui, pois só levei 20 minutos para chegar.
– Obrigado por me trazer. Devolvo o seu casaco mais tarde, tudo bem? – Ele se esforça para sorrir, mesmo estando arrasado. Eu apenas concordo enquanto o vejo entrar no prédio de apartamentos pequenos.
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Atualizado até capítulo 53
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