Posso contar um segredo? Você promete guardá-lo?
Sei que se eu, o detentor da verdade oculta, não consigo mantê-la só para mim, é injusto que eu peça a você que faça justamente o que eu não consigo fazer. Mas desta vez tenho certeza que posso contar com sua eterna discrição.
Sei também que contar um segredo é uma contradição posta e irresolúvel. No momento em que o faço, viramos estudo de caso para Schrödinger. Aquilo que estou lhe dizendo é ao mesmo tempo um segredo e um ex-segredo. É um segredo vivo e morto — vivo e morto.
Contar meu segredo a você é justamente o ato que o extingue da condição de meu segredo e o inaugura na condição de nosso segredo.
Lembra-se do último segredo que lhe contei? Lembra-se do que você havia dito? “Minha boca é um túmulo”. Um túmulo!
Percebe a ironia daquela frase, neste momento?
Quando descobri que meus segredos na verdade não eram mais segredo algum (graças a você) lembra-se o que eu lhe disse, em meio à nossa discussão? “Em boca fechada não entra mosca”, não foi?
Percebe agora por que elas tomam seu corpo, despreocupadas?
Preciso desabafar de uma vez por todas. Mesmo que sua traição da minha confiança tenha sido como uma punhalada pelas costas (metafórica, apenas no meu caso), não consigo mais guardar esse segredo.
Fui eu.
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Atualizado até capítulo 110
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