Quando eu terminei a louça eu fui ao meu quarto abri a minha mochila da escolar e peguei a minha agenda onde tinha um bilhete da escola avisando sobre a festa que iria ter. No bilhete pedia que cada aluno levasse alguma coisa.
Eu voltei para a cozinha e mostrei para a minha mãe.
— mãe olha a professora disse para mostrar para a senhora. Eu disse
Ela leu o bilhete.
— como sempre você só me dá prejuízo Lia! Ela diz olhando bem nos meus olhos.
— Tudo bem mãe se eu não for no dia da festa eu não preciso levar nada. Eu respondo
— ótimo assim eu não gasto. Ela responde saindo da cozinha e indo para a sala.
Eu não vou mentir para você eu até queria ir naquela festinha, eu era aquela aluna calada da sala só falava se alguém falasse comigo então eu não tinha muito contato com os meus colegas mas eu queria muito participar nem que fosse uma vez só.
Depois eu fui para o quarto e dormi.
No dia da festinha da escola eu não fui, fiquei em casa com a minha mãe.
No final da tarde meu padrasto chegou com meu irmãozinho que ele tinha pegado na escola.
— Lia olha o desenho que eu fiz pra você. Ele me entrega o desenho. No desenho eu estava voando no céu porque ele não fez o chão hahaha coisa de criança né.
— nossa eu gostei muito maninho. Eu digo
— Lia hoje teve uma festinha na escola do Caio na sua escola também teve né, como foi ? Você comeu muita besteira? Meu padrasto pergunta.
Quando eu ia responder, a minha mãe falou por mim.
— teve sim mas ela não quis participar então eu deixei ela ficar em casa. Ela respondeu
— Porque Lia? Você estava doente ? Ele me pergunta.
A minha mãe me olhou atentamente com um olhar de quem dizia: é melhor você não abrir a boca.
— é eu estava com um pouco de dor na cabeça. Eu respondo
— Poxa, que pena mas não se preocupe porque vai ter outras festinhas então você poderá participar. Diz meu padrasto
— foi o que eu disse para ela. Diz a minha mãe
Já era noite estávamos jantando.
E novamente meu padrasto sentiu aquela dor no abdômen.
A minha mãe o aconselhou a ir ao médico pois aquilo não era normal.
No dia seguinte ele ligou para o patrão e explicou a situação. O patrão prontamente deu folga para ele.
Naquela manhã ele foi e fez todos os exames
Já era hora do almoço quando ele chegou.
Ele nos disse que já tinha feito os exames e que logo sairia os resultados
Uma semana depois...
Meu padrasto chegou mais cedo do trabalho com algumas folhas eu imaginei que eram os exames dele mas ele não disse nada. Apenas disse para eu ficar na sala com o Caio que ele iria falar com a mamãe a sós.
Eu fiz o que ele mandou levei o Caio para a sala mas eu precisava saber o'que ele tinha eu o via como se fosse meu pai então eu precisava saber como ele estava.
Fiquei atrás da porta e ouvi tudo!
— então o'que você tem? Minha mãe disse preocupa.
— amor, eu tenho um câncer no abdômen!. Ele disse com uma uma voz de choro que eu nunca imaginei ouvir
— espera, mas tem certeza? Isso… e se esse médico se enganou ? Nós podemos refazer os exames o'que você acha?
— não adianta. Eu tenho todos os sintomas e já está avançando. mas amor não se preocupe vai dar tudo certo porque foi descoberto. E agora eu vou fazer a Quimioterapia e logo eu melhoro. Ele diz tentando confortar a minha mãe
Um mês depois, meu padrasto estava muito magro, pálido, e constantemente vomitando.
Era muito ruim ver ele daquele jeito, mas ele ainda tentava sempre estar sorrindo mesmo nos seus piores momentos.
A quimioterapia estava sendo difícil, mas ele estava progredindo aos poucos. Tudo indicava que ele iria voltar a ficar bem mas o pior aconteceu de maneira inesperada….
Era noite nós estávamos voltando de mais uma sessão de quimioterapia do meu padrasto. Minha mãe nos levava apenas porque meu padrasto não admitia que ela nos deixasse em casa sozinhos.
Quem estava dirigindo era minha mãe. O Caio estava dormindo e eu estava lendo um livrinho. Tudo estava bem até que a minha mãe resolveu começar a ultrapassar outros carros para chegar logo em casa.
— amor para! Não precisa ter pressa. Disse meu padrasto com a voz cansada.
— Pare de ser dramático, a pista está quase vazia.
Ela responde.
— Mãe vai mais devagar. Eu pedi
— continue lendo seu livro quieta aí Lia. Ela diz
Ao terminar essa frase ela aumenta a velocidade do carro.
Foi tão rápido que eu nem sei dizer ao certo como tudo ocorreu mas lembro que pra não bater em outro carro a minha mãe chogou o nosso carro pra fora da pista o nosso carro capotou eu me lembro de bater a cabeça com muita força pelo impacto acho que fiquei desacordada por um tempo Quando eu acordei eu podia ouvir meu irmãozinho chorando pedindo ajuda a minha mãe e meu padrasto estavam ainda desacordados
— Caio não se mexe. Eu disse
— Lia meu braço tá doendo e sangrando. Ele diz chorando.
— Eu sei , eu sei calma. Eu disse tentando me mexer
Então uma equipe de bombeiros chegou.
Eles começaram a nos socorrer
Por incrível que pareça eu e o Caio não tivemos ferimentos tão graves
— A minha mãe e meu padrasto vão ficar bem? Eu pergunto a um bombeiro.
— Sim. Vocês serão mandados agora para o hospital tá bom Não se preocupe. Ele diz.
Depois daquelas palavras eu fiquei mais tranquila mas O fato de a minha mãe e padrasto estarem desacordados me preocupava eu só conseguia pensar e se eles morrem ?
Eu estava com muito medo.
Mas eu tinha que ser forte pra ajudar o meu irmãozinho que estava mais desesperado que eu.
No dia seguinte eu estava com o Caio em um quarto, mas nós ainda não sabíamos como estava a mamãe nem o tio José. O Caio estava sempre me perguntando, mas eu não tinha essa resposta.
Então de repente apareceu um médico.
— crianças eu me chamo David eu preciso conversar com vocês dois pode ser ? Ele disse
Eu e meu irmãozinho olhamos atentamente para o moço
— Onde está a minha mãe e o meu pai? Perguntou Caio.
— é sobre isso que vamos conversar ok. Olha a mãe de vocês está melhor mas ela ainda vai ficar aqui por três dias os ferimentos dela ainda precisam de mais cuidados.
Mas o pai de vocês ele…. Infelizmente ele não resistiu e faleceu.
— Meu pai morreu ? Diz Caio
— Sim, Caio. Seu papai agora é uma linda estrelinha lá no céu
Eu já estava em lágrimas meu irmão começou a chorar descontroladamente não era pra menos ele acabou de perder o pai. Mesmo eu não sendo filha do José eu sempre o considerei meu pai mesmo eu nunca tendo dito isso para ele e agora que ele estava morto eu me arrependo de não ter dito já que ele sempre me disse que eu era uma filha para ele.
Aqueles dias foram bem difíceis pois além de eu estar lidando com a perda pela segunda vez, ainda tinha o meu irmãozinho que só tinha oito aninhos e já estava sentindo toda aquela dor.
No dia em que saímos do hospital a minha mãe veio até o nosso quarto ela estava com um braço ainda enfaixado e vários hematomas pelo corpo. Ela nos chamou e nós fomos seguindo ela pegamos um táxi e durante o caminho inteiro ninguém disse uma palavra sequer.
O Caio estava quietinho segurando a minha mão. E a minha mãe estava calada no banco do carona com o motorista.
Chegamos em casa, a minha mãe apenas nos disse: eu vou dormir estou cansada. Lia tem miojo no armário então vocês comam.
Ela foi para o quarto dela e não saiu pra nada.
No segundo dia foi o mesmo até que no terceiro dia de manhã ela saiu do quarto e disse que iria fazer o nosso café.
Estávamos nós três sentados à mesa em silêncio até que ela falou.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Graça Lobo Sales
meu Deus agora que a criança vai sofrer mesmo
2025-01-29
0
Maria Aparecida Alvino
vai saber quem abandona uma resem nascida é capaz de qualquer coisa
2024-01-28
5
Cátia
Será que ela fez de propósito para o marido morrer?
2024-01-25
0