As pessoas da ONG que cuidavam do abrigo eram muito carinhosas, e competentes, porém como dependiam de doações, não conseguiam oferecer tudo que aquelas mulheres precisavam, como um acompanhamento psicológico, mas tentavam o máximo compensar, com aulas de artesanatos e alguns eventos organizados por igrejas, que oravam por elas e tentavam as converter para suas religiões.
Aos dezoito anos, Isa ainda vivia no abrigo, quando em um certo dia estava distraída fazendo os seus artesanatos e foi interrompida por gritos, uma menina que era amiga próxima de Isa veio correndo e pediu que ela se escondesse, mas antes que reagisse, vários homens entraram na sala, onde ela estava, e a cercaram, e após alguns minutos ele apareceu, Sarna.
Sarna agora era o chefe do morro, todo esse tempo ele nunca desistiu de encontrar Isa, e agora com o poder que tinha ele finalmente conseguiu encontrá-la. Isa, para ele, era a única mulher digna de estar ao seu lado, só ela sabia tudo que ele passou, e mesmo que fosse a força, ela seria dele. Ele não se importava se iria odiá-lo por isso, tinha certeza que com o tempo Isa acabaria o amando, porque mesmo que fosse a força ele tinha muito dinheiro agora, iria dar uma vida de princesa a ela.
Sem ter como fugir e com medo que aqueles homens machucassem alguém daquele lugar, que foi tão especial para ela, pelos últimos anos, Isa aceitou pacificamente ir com Sarna, ele abraçou a sua cintura e saiu de lá feliz, ela tentou disfarçar o nojo que sentia com o seu toque, mas só conseguiu até eles chegarem ao carro, quando ele abriu a porta para ela, Isa não conseguiu mais disfarçar, o empurrou e saiu correndo.
Aquela garota cresceu nas ruas, fugindo da polícia quando era pega praticando algum furto, então uma coisa que ela sabia era correr, correr como se não tivesse amanhã.
Naquele horário já era noite, e como estavam no centro Rio de Janeiro, próximo a Lapa, algumas ruas eram onde os boêmios ficavam, então estavam cheias de pessoas dançando, bebendo e se divertindo, então Isa conseguiu se misturar na multidão, despistando os perseguidores.
Após achar que conseguiu despistá-los, ela parou de correr e foi andando pelas ruas aleatoriamente, em sua mente começou a passar coisas ruins, pensou que talvez deveria dar um fim a própria vida, agora ela não podia voltar ao único lugar que chegou a se sentir feliz na vida, seu melhor amigo agora era o seu perseguidor e ela preferia a morte a deixar que outro homem nojento a tocasse.
Estava tão imersa em seus pensamentos que não olhou em volta, e não percebeu o tipo de pessoas que frequentavam aquela rua.
Continuou andando com a cabeça baixa, pensando no que seria da sua vida a partir de agora que acabou batendo de frente com um homem que estava fumando na rua. Este homem estava bem vestido, com os cabelos penteados para trás, usava um terno sob medida e lhe olhou com nojo, passou a mão na roupa para limpa-la como se Isa a tivesse sujado e disse:
— Tu não olha pra onde anda, não? Cracuda! — após dizer isso ele a empurrou e Isa caiu no chão assustada.
O homem tirou um lenço do bolso e limpou as mãos que tocaram em Isa e olhou o seu rosto, a princípio seus olhos estavam com ódio puro, mas de repente começaram a suavizar a partir do momento que percebeu a aparência de Isa.
Ele se agachou, a olhou mais de perto, um sorriso passou pelos seus lábios então ele disse:
— Ora ora, parece que hoje é o meu dia de sorte. — ele pegou o celular e discou um número e continuou — Cássia, pede pro Cocada e o Betão vir aqui na porta. — após dizer isso ele continuou encarando Isa.
Por instinto, Isa percebeu o perigo, começou a se arrastar para trás, mas suas costas bateram em uma parede, ela olhou para o lado e já ia se levantar para fugir quando um dos capangas do Sarna apareceram, então ele disse:
— Tu é lelé das ideia garota? Fugindo assim? Vem no sapatinho comigo antes que aconteça algo pior.
O homem olhou para ele disse:
— Parece que hoje não é o seu dia de sorte muleque, essa mina agora é minha propriedade.
— Aí tio! Tu não sabe onde tá se meteno, melhor cê deixar a mina comigo e dar o fora, antes que o bagulho fique doido pa tu!
O homem sem pensar duas vezes tirou uma arma do bolso e deu um tiro na cabeça do garoto, Isa começou a gritar desesperada, ela já tinha visto muita maldade nas ruas, mas nunca tinha visto alguém ser assassinado na sua frente. Mas antes que pudesse reagir, e sair correndo dali, dois brutamontes apareceram e a carregaram para dentro do local.
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Atualizado até capítulo 148
Comments
Clesiane Paulino
se a vida debaixo de um teto às vezes é difícil...imagina nas ruas🥺🥺🥺
2024-09-23
3
Dany pina
Ai que nojo desses homens Miseráveis
2024-08-14
3
Fatima Gonçalves
nossa arrepiei
2024-08-12
0