Data: 5 de julho de 2026/ 15:29
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Hoje, quando o sol começava a baixar e pintava as paredes do quarto de tons alaranjados, ouvi uma voz que não ouvia há anos. Era fina, cheia de vida, e me chamava como se eu fosse um amigo que há muito não aparecia: “Vem aqui, quero conversar com você”. Virei depressa e lá estava ele — eu mesmo, com dez anos de idade, de pé na porta, com o cabelo bagunçado, a camisa com uma mancha de suco e aquele brilho nos olhos que eu quase esqueci como é. Sentei-me no chão ao seu lado, e ele ficou me olhando com curiosidade, como se estivesse conhecendo alguém novo que carrega o seu próprio rosto.
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Perguntou se eu ainda lembrava dos planos que fazíamos: de viajar o mundo, de escrever histórias que ninguém nunca tinha lido, de nunca deixar de se surpreender com as coisas simples. Contei-lhe que a vida me levou por caminhos que não imaginávamos, que houve quedas e dias em que a pressa me fez esquecer de olhar para o céu. Ele não julgou, só sorriu e disse que crescer não é apagar o que fomos, mas levar tudo isso com a gente: que os sonhos não morrem, só mudam de forma, e que o menino que sonhava alto ainda mora dentro de mim, esperando que eu dê ouvidos a ele.
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Quando a luz diminuiu, ele deu um passo para trás, mas não pareceu triste. Disse que sempre estará aqui, nas memórias, nos pequenos prazeres e na coragem que ainda tenho. Agora, ao escrever isso, sinto o coração mais leve: entendi que não preciso voltar ao passado para encontrá-lo — basta parar um pouco, ouvir a própria alma e lembrar de quem eu realmente sou.
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