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Eu estava perdido em pensamentos, quando ouvi uma voz suave me chamar pelo nome, vinda de um canto onde a luz do sol fazia sombras no chão. Ao virar-me, lá estava ele: o meu eu de dez anos atrás, com os olhos brilhantes e o sorriso que eu guardei no fundo da memória, estendendo a mão como se convidasse para sentar ao seu lado. Sentei-me devagar, como se temesse que ele desaparecesse a qualquer instante, e ele começou a falar, perguntando se eu ainda lembrava dos nossos sonhos antigos, das aventuras que inventávamos e da forma simples e bonita que tínhamos de ver o mundo.
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Ele ouviu em silêncio quando contei sobre os caminhos que tomei, sobre as quedas, as mudanças e as vezes em que esqueci de valorizar o que realmente importa. Depois sorriu, com uma sabedoria que só a infância sabe ter, e disse que crescer não significa deixar de ser quem somos, só carregar tudo o que fomos para onde formos. Pediu para que eu nunca o deixasse sozinho no passado, pois ele é a parte mais verdadeira de mim, que sabe sonhar sem medo e amar sem medidas, sempre pronto para me lembrar do que realmente faz a vida valer a pena.
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Quando a luz começou a mudar de tom, ele se despediu devagar, deixando em mim uma paz que há muito não sentia. Entendi então que ele não foi embora: está guardado no meu coração, em cada detalhe pequeno, em cada vez que me atrevo a ver magia no mundo de novo. E sempre que eu precisar, é só chamar — ele vai estar aqui, esperando para conversar mais uma vez.
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