Ninguém sabia ao certo por que Aelira parecia pertencer mais aos sonhos do que ao mundo real.
Quando caminhava pelos campos floridos, era como se a própria paisagem se tornasse mais suave ao seu redor. Seus longos cabelos prateados desciam até a cintura em ondas delicadas, refletindo a luz do sol como fios de luar. Seus olhos possuíam um brilho raro, semelhantes a diamantes iluminados por estrelas distantes, tão claros e profundos que pareciam guardar segredos antigos.
Sua pele tinha a suavidade das pétalas recém-abertas na primavera, e seus lábios possuíam um tom naturalmente rosado, como flores tocadas pelo primeiro amanhecer. Os cílios longos projetavam sombras delicadas sobre seu rosto, tornando seu olhar ainda mais encantador.
Mas não era apenas sua beleza que fazia as pessoas pararem para observá-la.
Mas não era apenas sua beleza que fazia as pessoas pararem para observá-la.
Havia algo difícil de explicar.
Uma presença serena.
Uma elegância quase etérea.
Como se ela fosse uma personagem saída de uma lenda esquecida.
Apesar disso, Aelira nunca se considerou especial. Todas as noites, ela subia sozinha até uma colina para observar as estrelas, buscando naquele céu infinito respostas para perguntas que nem sabia formular.
Foi em uma dessas noites que encontrou Vaelis.
Ele estava sentado na relva, observando a imensidão celeste com uma expressão tranquila. Seus olhos não demonstravam surpresa ao vê-la, como se de alguma forma já esperasse sua chegada.
— Você vem aqui para procurar algo? — perguntou ele.
Aelira permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Talvez. Ou talvez eu venha porque ainda não encontrei.
Vaelis sorriu.
E foi assim que tudo começou.
Nas semanas seguintes, eles passaram a compartilhar aquele lugar. Não havia declarações grandiosas nem promessas precipitadas. Apenas conversas longas que atravessavam a madrugada.
Falavam sobre medos que nunca haviam contado a ninguém.
Sobre sonhos abandonados.
Sobre a solidão que às vezes acompanha até mesmo aqueles que estão cercados por pessoas.
Com Vaelis, Aelira não precisava parecer perfeita.
Não precisava ser a jovem admirada por todos.
Podia simplesmente existir.
E isso, para ela, tornou-se mais precioso do que qualquer elogio.
Certa noite, enquanto observavam uma chuva de estrelas, Vaelis perguntou:
— Você já percebeu que as pessoas costumam se apaixonar apenas pelo que conseguem ver?
Aelira inclinou a cabeça.
— O que quer dizer?
— Elas se apaixonam por rostos, por sorrisos ou por momentos. Mas raramente se apaixonam pelas cicatrizes invisíveis de alguém.
O vento dançou entre os cabelos prateados de Aelira.
— E você?
Vaelis a observou por um longo instante.
— Eu acho que comecei a gostar de você quando percebi o quanto tenta esconder sua tristeza para proteger os outros.
Pela primeira vez em muito tempo, ela não encontrou palavras.
Porque ninguém jamais havia enxergado aquela parte dela.
Não de verdade.
Naquele momento, Aelira compreendeu algo.
O amor não era encontrar alguém que a admirasse.
Era encontrar alguém que a compreendesse.
Alguém que visse além da beleza, além da aparência, além de tudo aquilo que o mundo considerava importante.
E enquanto as estrelas riscavam o céu naquela noite silenciosa, os dois permaneceram lado a lado.
Sem promessas.
Sem pressa.
Porque alguns sentimentos não nascem como fogo.
Nascem como constelações.
Lentamente.
Estrela após estrela.
Até iluminarem todo o céu.