Era uma vez uma menina cuja pele era branca como a neve, os lábios vermelhos como a rosa e os cabelos negros como a madeira de ébano — por isso chamavam-na de Branca de Neve. Ela era muito legal em tudo o que fazia: doce, educada, falava com palavras suaves, sabia cantar melodias que acalmavam, amava cuidar de flores e era amiga de todos os bichinhos da floresta. Quem passava por perto logo dizia: “Não existe ninguém mais gentil e bom que a Branca de Neve!”.
Mas sua vida era muito triste. Em vez de um castelo grande e alegre, ela morava numa parte alta e afastada da casa, quase como uma pequena torre, pois vivia sob os cuidados da Rainha — que se dizia ser sua mãe, mas tinha um coração cheio de inveja e dureza. Ela não gostava de ver Branca de Neve bonita nem feliz; só a via como se fosse uma serva, nunca lhe dava carinho nem abrigo aconchegante.
Havia uma regra que devia ser cumprida com rigor: toda vez que o grande relógio da sala batia uma hora em ponto, Branca de Neve tinha que descer depressa daquele cantinho isolado até os aposentos principais da Rainha. Ali esperava um trabalho sem fim: tinha que varrer cada canto até brilhar, limpar pisos e janelas, arrumar todos os quartos, lavar roupas pesadas, preparar os alimentos e deixar tudo tão arrumado que parecesse novo.
Mesmo que ela fizesse tudo com todo o capricho e cuidado do mundo, a Rainha nunca ficava satisfeita. Sempre arrumava alguma falha inventada, falava palavras duras, dava-lhe castigos e pancadas leves, e ainda mandava fazer mais serviços, sem deixar que Branca de Neve descansasse nem comesse o que precisava. Muitas vezes, quando ela terminava exausta de varrer e limpar, a má mulher passava de propósito, derrubava migalhas ou terra, e mandava: “Faça tudo outra vez! Não está bom assim!”.
Branca de Neve nunca respondia com raiva, nem deixava que a maldade mudasse o que havia de bom dentro dela. Guardava a tristeza no fundo do peito, fazia seu dever com paciência e, assim que batia nova hora marcada no relógio, tinha que voltar correndo para seu cantinho alto, trancar-se lá e ficar sozinha — cantando baixinho para espantar o medo e sonhando com dias melhores.
Mas como ela era realmente tão especial, legal e bondosa, essa luz não podia ficar escondida para sempre. Os passarinhos vinham pousar na sua janela, os veados e coelhos lhe traziam frutas doces, e até as árvores pareciam curvar-se para dar-lhe sombra. Até que um dia, fugindo de um castigo muito severo, ela correu para a floresta e encontrou uma casinha pequena, onde viviam sete amigos bons — que logo perceberam quanto ela era preciosa e passaram a tratá-la com o amor que sempre mereceu.
Depois de tanto sofrer e trabalhar sem descanso, a bondade de Branca de Neve finalmente venceu tudo: ela foi acolhida, protegida e, pouco depois, chegou também um príncipe que ouviu falar da sua doçura. Levou-a para um reino onde ela foi rainha de verdade — livre da casa fria, da regra rigorosa e dos maus-tratos — e onde, enfim, foi reconhecida como a pessoa mais doce e brilhante de todas.
✨ FIM ✨