Se tem uma pessoa capaz de acabar com meu humor em menos de cinco segundos, essa pessoa era Yuna Park.
Ela tinha aquele jeito irritantemente perfeito. O cabelo preto sempre impecável, o uniforme alinhado, os olhos frios que pareciam julgar tudo ao redor. Até respirando ela parecia superior.
E eu odiava isso.
— Você vai ficar encarando ela até furar? — Minji perguntou, rindo enquanto se sentava ao meu lado.
Revirei os olhos.
— Só tô tentando entender como alguém consegue ser tão insuportável.
Na frente da sala, Yuna organizava seus livros como se o mundo girasse ao redor dela.
Era o começo do segundo semestre, e por algum castigo do universo, a professora decidiu mudar os lugares.
— Seo-ah, você vai sentar com Yuna.
Quase engasguei.
— O quê?!
Algumas pessoas riram.
Yuna nem levantou os olhos.
Aquilo me irritou mais ainda.
Arrastei minha cadeira até o lado dela e sentei com força.
— Que sorte a minha.
Ela virou o rosto devagar.
— O sentimento não é recíproco.
Arregalei os olhos.
— Você—
— Meninas. Silêncio. — a professora cortou.
Ótimo.
Primeiro dia e eu já queria sumir.
Durante a aula, percebi uma coisa estranha.
Yuna desenhava no canto do caderno.
Não eram anotações.
Eram flores.
Pequenas, delicadas, quase escondidas.
Aquilo não combinava com ela.
Quando me inclinei para olhar melhor, ela fechou o caderno rápido.
— Cuida da sua vida.
— Relaxa, princesa. Só achei estranho.
Ela suspirou.
— Tudo em você é barulhento.
— E tudo em você parece morto.
Por um segundo, os olhos dela vacilaram.
Foi rápido.
Mas eu vi.
E pela primeira vez… pensei que talvez Yuna Park não fosse só uma garota arrogante.
Talvez tivesse algo quebrado ali.
E isso me deixou curiosa.
Muito curiosa.
No fim da aula, a professora anunciou:
— Projeto em dupla. Yuna e Seo-ah juntas.
Eu bati a cabeça na mesa.
Ela soltou um pequeno sorriso.
E eu odiei perceber que aquele sorriso era bonito.
Muito bonito.